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Coluna anterior: Histórias do Carnaval do Quarto Centenário Coluna anterior: O Dia em que Laíla Ameaçou Pamplona e a Fusão Cancelada pela Portela Coluna anterior: A Última Vez de Cartola e Carlos Cachaça na Mangueira 18 de maio de 2026, nº 9 O PRIMEIRO SAMBA DE MARTINHO NA VILA E A DISPUTA ENTRE SILAS E MANO DÉCIO NO IMPÉRIO
VI, LI OU OUVI - VIII A Unidos de Vila Isabel subiu e queria ser grande. Queria ser a frase da canção do Noel Rosa: "A Vila não quer abafar ninguém/Mas mostrar que faz samba também".
Então, um benfeitor da escola e banqueiro de
pequeno porte chamou Miro Garcia para a escola. Miro aceitou e foi
eleito presidente da agremiação, depois de ajudar a
escola no ano anterior.
Miro logo comprou a ideia de uma Vila Isabel grande e forte, afinal ela quebrou a tradição das quatro grandes e ficou em 4° lugar no Carnaval de 1966. Sem Osmar Valença, o Salgueiro finalizou em 5° lugar. A ala tinha os pratas da casa, como Paulo Brazão, Tião Graúna, Rodolpho de Souza, Gemeu e Djalma Sapo; e novos chegaram como Martinho, David Corrêa, Bombril entre outros. Nessa situação, o carnavalesco lançou o enredo "Carnaval das Ilusões", de Gabriel do Nascimento e Dario de Castro. Um enredo utópico. Aliás, o primeiro do carnaval. Os compositores fizeram seus sambas e estavam ansiosos para mostrarem e revelarem suas fantasias infantis. As letras foram entregues e, na semana seguinte, seria um acerto delas... mas não foi assim. Miro determinou uma letra, chamou o compositor para cantar, pois este seria o samba da escola. O compositor titubeou e não cantou, o samba não havia uma melodia. Então Miro determinou que um outro compositor a fizesse, mas com um detalhe simples na cabeça dele. A letra não podia ser mexida, coisa de louco. Martinho, que já era experiente, pois vinha de sete vitórias na Aprendizes da Boca do Mato, com seu talento fez a melodia e talvez outros também tenham feito... mas não foi aceito. A Vila desceu com a letra de Gemeu e seu irmão Airton em off e melodia de Martinho, e não de Tião Simplício, o tradicional parceiro de Gemeu. VI, LI OU OUVI - IX O
Império Serrano pensando no Carnaval lançou seu enredo e,
como sempre tradicional que era, definiu "Leão do Norte" para
1968, de Armando Iglesias, Antonio Carbonelli e Paulo Freitas.
Mano Décio retornou à escola após ficar na Portela durante três anos e preocupou a ala, já que derrotar Silas de Oliveira sozinho era um fardo, imagina com a parceria de Mano Décio. Mas a direção pediu a eles que não fizessem samba juntos, pois uma disputa entre eles traria o público e mídia e ambos aceitaram. A Ala dos Compositores se empolgou e os mais novos viam a possibilidade de os dois separados enriquecem e dividirem seus torcedores. Entraram na ala Jorge Lucas, Aluísio Machado e Jorge Mexeu para somar o time que já contava com Alcir Pimentel, Nina Rodrigues, Maneco, Wilson Diabo, entre outros. Começou a disputa já de início com Silas e Mano Décio como os favoritos. Os jornais falavam dos sambas com força, trazendo para a quadra personalidades para assistir e ouvir os sambas. A final chegou e os sambas deles estavam lá. Silas com um samba relativamente pequeno e empolgante, de letra simples e direta; e o de Mano Décio da Viola e Jorginho Pessanha era mais rebuscado e com nuances melódicas interessantes. Os compositores catituando seus sambas, os influentes mostrando os seus prediletos... Enfim, fazendo lobby, tornando a disputa mais empolgante e concorrida. Os sambas sendo mostrados pelos poetas, apostas sendo feitas para saber quem venceria, pois não havia disparates de quem era o favorito. Quadra cheia para anunciar o vencedor, tensão no ar... e é anunciada a vitória de Silas de Oliveira. Império Serrano feliz. Leia as colunas anteriores de André Poesia Inscreva-se no canal SAMBARIO no YouTube André Poesia
Compositor, assina os sambas de Independentes de Cordovil em 1993 e 1995, além de ter disputado concursos de sambas-enredo oficialmente em Santa Cruz, Tupy de Brás de Pina, Unidos de Lucas e Imperatriz Leopoldinense | ||