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Coluna anterior: A Última Vez de Cartola e Carlos Cachaça na Mangueira 11 de abril de 2026, nº 7 O DIA EM QUE LAÍLA AMEAÇOU PAMPLONA E A FUSÃO CANCELADA PELA PORTELA
VI, LI OU OUVI - II Salgueiro
se fez grande e diferente por merecimento. A escola quente, que
conquistou os artistas da belas artes com suas temáticas, era
realmente uma escola diferente.
Arlindo Rodrigues lança o enredo salgueirense "Chica da Silva" para 1963, que contava a história de uma negra que fez um contratador de ouro do rei se apaixonar. Era a primeira vez que uma escola diversificava a história do negro, o colocava como um que conquistava e não só levava chibata. A escola deu aos poetas o enredo e Geraldo Babão, Duduca, Ernesto, Nilo Chocolate, Djalma Sabiá, Bala e Laíla, entre outros, confeccionaram seus sambas, cada um com seu estilo. Mas houve uma destoada, pois Noel Rosa de Oliveira e Anescar Pereira não fizeram samba e a escola não entendeu o porquê. Entre os sambas lançados no terreiro, despontava o de Bala e Laíla como favorito. Mas, de repente, os compositores Anescarzinho e Noel Rosa de Oliveira fizeram um samba e puseram na disputa, coisa normal na época. Mas Laíla, que despontava como franco favorito, esbraveja, pois a obra de Noel se fez forte e ameaçou sua vitória. Laíla descobriu que Fernando Pamplona era quem decidiria qual samba seria o hino salgueirense. Laíla então se armou de um pedaço de pau e foi ao encontro de Pamplona para tirar satisfações e demovê-lo de escolher o de Noel, que para Laíla pegou toda ideia de seu samba, uma espécie de plágio de ideia. Laíla tentava intimidar Pamplona, que já tinha um plano para se safar da situação. Chega o dia da escolha. De um lado Bala e Laíla; e do outro lado Anescarzinho e Noel Rosa de Oliveira. Quadra empolgada, os sambistas cantando com afinco os seus favoritos. O resultado final estava num envelope deixado por Fernando Pamplona, que havia viajado para o exterior uns dias antes da escolha. Osmar Valença, que se tornara o capo da escola, pegou o envelope e anunciou a vitória de Noel. VI, LI OU OUVI - IV Veio
1964 e a Portela lançou o seu enredo "O Segundo Casamento de Dom
Pedro I", enredo de Nelson Andrade. A escola continua naquela de que os
melhores teriam que estar na Portela. Assim como o imperiano Mano
Décio da Viola tinha trocado o Reizinho de Madureira pela
Majestade do Samba, Natal trouxe Abílio Martins, um dos melhores
cantores de avenida, numa época de som ruim.
Na disputa, despontava o samba de Antonio Alves como favorito, desbancando os feras da escola. Mas havia os que fervorosamente torciam para Marquês Balbino. Um novo bicheiro chegava na escola: era Carlinhos Maracanã, que passou a se dividir entre o futebol do Madureira e o samba da Portela. Walter Rosa não gostou pelo seu samba ter sido preterido a ser o hino. A disputa foi ferrenha, Billy Blanco fez um samba, mas não entregou, pois achou o nível dos outros sambas bem superiores ao dele. Na escolha, ficaram duas composições: a de Antonio Alves e a do Marques Balbino. A diretoria decidiu unir as obras, com a primeira de Antonio e segunda de Balbino, querendo agradar a todos. Porém, as cabrochas não cantavam a segunda parte escolhida pela direção e sim o trecho de Antônio Alves. Chamaram atenção delas, mas não cederam à pressão e continuaram a cantar o samba completo de Antonio Alves. Assim, a Portela, que fez uma gravação com a mudança, tendo a primeira de Antonio Alves e a segunda de Marques Balbino, teve que aceitar o que as cabrochas impuseram. A Portela desfilou com todos cantando o samba escolhido pelo povo e nisso Marques Balbino saiu da escola, só voltando anos depois. Leia as colunas anteriores de André Poesia Inscreva-se no canal SAMBARIO no YouTube André Poesia
Compositor, assina os sambas de Independentes de Cordovil em 1993 e 1995, além de ter disputado concursos de sambas-enredo oficialmente em Santa Cruz, Tupy de Brás de Pina, Unidos de Lucas e Imperatriz Leopoldinense | ||