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OS MELHORES SAMBAS CONCORRENTES DO CARNAVAL 2027
Edição nº 123 - 25/09/2026



OS MELHORES SAMBAS CONCORRENTES DO CARNAVAL 2027


A temporada de eliminatórias de samba-enredo do Grupo Especial do Rio de Janeiro foi encerrada no último final-de-semana. Ao mesmo tempo em que a safra foi definida, muitas belas obras que também poderiam cumprir um bom papel na Sapucaí ficaram pelo caminho. O EDITORIAL SAMBARIO retoma uma tradição no site e analisa hinos derrotados que foram injustiçados, na visão de muitos simpatizantes da folia.



Viradouro (Cláudio Mattos e parceiros) - "Sou Viradouro, nasci pra fazer história". A parceria que vinha empilhando vitórias nos últimos anos acabou superada na final pelo grupo encabeçado por Mocotó, compositor histórico que quebrou um tabu de 25 anos na vermelho-e-branco de Niterói. O samba derrotado possui algumas características de anteriores que embalaram títulos da Viradouro, como os de 2024 e 2026, principalmente pela segunda parte mais dolente em que destacam versos emotivos como "Lembra quantos enredos já pisaram na avenida? / Um relicário de lembranças esquecidas / Que a minha arte é capaz de revelar pro mundo inteiro", valorizados pelas interpretações de Pitty Di Menezes e Dodô Ananias. Os refrães são fortes, sobretudo o principal. No central, o destaque fica para a transição para a segunda, através do estendimento da palavra "griô". Também representaria muito bem a escola no desfile, caso fosse escolhido. 
Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 9,9



Beija-Flor (Junior PQD e parceiros)
- "Sopra o pó de louro sobre a Beija-Flor". Desde o êxito do samba histórico de 2025 sobre Laíla que marcou a despedida de Neguinho da Beija-Flor, a Deusa da Passarela vem apostando na fórmula da repetição de versos no refrão principal. Além do samba-enredo campeão para 2027 com o seu já marcante "Incorpora caboclo", outros concorrentes nilopolitanos utilizaram o recurso, como o samba 2 da disputa, através do "Ê pajé! Traz a força de Auí". Um dos pontos fortes do hino é a cabeça, com excelente melodia nos versos "M'barayó / povo soberano nunca anda só / ergue suas lanças feitas de cipó / nessas águas turvas pode aparecer". Um samba valente que também teria a cara da Beija-Flor, caso fosse eleito na disputa da agremiação. Lamento por só haver um registro de estúdio com coral, sem a voz do intérprete. O mesmo aconteceu na Unidos da Tijuca neste ano. Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 9,8



Vila Isabel (Ricardo Mendonça e parceiros)
- "Quem ama a terra é quem tem que colher". O melhor samba-enredo derrotado da temporada. Superior ao hino campeão de Martinho da Vila, André Diniz e Evandro Bocão, foi o único dos três finalistas que não saiu vitorioso do palco na noite da final, diante do anúncio de uma junção de gosto duvidoso, que seria cancelada de forma polêmica três dias depois. Caso a Vila optasse por este concorrente, toda a polêmica que furou a bolha do Carnaval seria evitada. A obra é vibrante, de melodia diferenciada e que não cai em nenhum momento. O cartão-de-visitas é a cabeça com a repetição de "samba vai virar jarê", que te convida para a audição de um samba envolvente. Um dos melhores momentos é o falso refrão central, que traz uma saudação a todas as religiões na voz de Lissandra Oliveira. O samba-enredo mantém o belo nível, até explodir nos dois refrães finais, principalmente no último: "Abre a sala de Angolá, olha a Vila, lelê", impulsionado pela grande atuação de Evandro Malandro. É daquelas obras desperdiçadas que estarão permanentemente na minha playlist particular. Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 10



Salgueiro (Xande de Pilares e parceiros) - "A moça incorporou na Academia". A final salgueirense foi marcada pelo equilíbrio, com o samba de Ian Ruas e parceiros desbancando medalhões da Academia como Xande de Pilares e Marcelo Motta. Se o hino que representará o Salgueiro no desfile de 2027 possui uma melodia mais rebuscada, o de Xande tinha uma pegada mais valente, característica das músicas da parceria, e embalada por refrães espalhados pela obra. Destaque para os trechos: "Pega na barra da saia, senzala revira / casa grande estremece, chegou pombogira / lua de prata no céu, a mulherada sorri / hoje eu não estou de volta /porque sempre estive aqui " e "Francisca da Silva de Oliveira / A Xica da Silva Teles" (esta uma grande sacada). Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 9,8



Imperatriz (Josimar e parceiros) - "Dona Júlia, cadê você?". Vitorioso nas disputas de 2005, 2008 e 2009, o compositor Josimar retornou à uma final da Imperatriz. O samba possui um dos refrães de melodia mais grudenta da temporada, marcada pela interpretação de Pixulé e que ficou no meu subconsciente: "Tem macumba e maracatu segunda-feira". O refrão do meio também aposta na repetição de versos, com a melodia marcada pela valentia e também destacada por versos como "Gira aê calunga... boneca morada do Egun no Ayê" e "Quando o portão abrir, eparrey Oyá! / Que a ancestralidade venha nos guiar / A gira vai começar!". Um samba bastante agradável na competição gresilense. Só recomendo à escola que faça o básico e volte a disponibilizar as letras dos concorrentes no ano que vem. Como a agremiação só colocou os compositores correspondentes na descrição dos vídeos em seu canal no YouTube, as letras transcritas não foram localizadas em lugar algum na internet. Algo inacreditável em se tratando de 2026... Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 9,8



Mangueira (Arlindinho e parceiros)
- "Oyá Tetê, é tempo de liberdade". Um belíssimo samba quase do nível do campeão. A obra derrotada na final da verde-e-rosa foi marcada por uma ousadia: um refrão dentro de outro. Os compositores optaram por reproduzir a letra e a melodia do ponto de Oyá: "Ah, epahey, ela é Oyá, a bela Oyá / ah, epahey, a minha mãe é Iansã". Um expediente muito parecido foi utilizado pela Mocidade Unida da Mooca em seu hino de 2024, "Oyá Helena". Antes da virada do refrão, um outro é entoado: "Dobra o adaró, rufa o alujá / No toque de guerra a Mangueira vai passar". Na sequência, os versos "Ah, epahey, ela é Oyá" voltam a ser cantados, o que gera um estranhamento numa primeira audição. O hino mantém uma pegada valente durante toda a melodia, com destaque para o refrão do meio e também nos versos: "Faz ajeum, abará e acarajé / chama yaô, o povo de santo e os filhos de fé / o meu ori é seu e o nosso axé venceu". Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 9,9



Unidos da Tijuca (Arlindinho e parceiros) - "Que Santo Antônio abençoe o Pavão". Na minha opinião, o melhor samba da disputa tijucana, derrotado na final pela obra da parceria de Ian Ruas. Se o Pavão optou por um samba mais lírico, a obra derrotada é mais animada e pra cima, marcada por refrães envolventes, sobretudo o principal: "Êta cadência arretada / escola danada do meu coração", que é antecedido por um bom refrão falso "Ê rodeia ê". A melodia apresenta excelentes variações, com destaque para a primeira parte em "Sem sorte, sem eira nem beira / errante, distante do quê? / o peito vazio calado no sol de arder / promessa e pé na estrada... lalaiá lalauê / "visagi" no meio da estrada... lalauê lalaiá", numa levada nordestina. O ótimo refrão do meio também apresenta característica semelhante: "Joana queria José / mas Zé só pensava em Maria". A segunda mostra bons momentos como "A formosura de uma flor / era rosário o amor / que vai comigo até onde Deus quiser / e corre chão a romaria / chega um punhado de alegria / e só não chega se acabar a nossa fé ". Após a final, o compositor Arlindinho lamentou o resultado em suas redes sociais, considerando a derrota do samba "dolorosa". Assim como no caso da Beija-Flor, uma pena que a gravação de estúdio só tenha o coro. Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 10



Grande Rio (Anitta e parceiros) - "A Grande Rio na alma tem gana". Anitta voltou a uma disputa de samba-enredo dois anos depois de vencer na Unidos da Tijuca. E mais uma vez, reencontrou Ito Melodia, que cantou o seu "Logun Edé" na avenida em 2025. A obra da artista, que foi superada pela da parceria de Deré, abre com um bom refrão principal, impulsionado pelos versos "Você já sabe quem chegou / Pelo toque do tambor", tirados da música "Você já Sabe" lançada recentemente pela cantora. A melodia do samba foge do lugar comum, através de dois refrães centrais, sendo o primeiro falso. No segundo, apresenta um conjunto melódico arrojado, com destaque para a transição para o início da segunda parte, que é de alto nível. A sequência "Ê tempo gira sábio tempo Sankofa ê / Ye ko fie Sankofa ê ê ê / Essa terra pulsante que acolhe o Tabon / É um ramo distante da mesma raiz" pode causar um estranhamento na primeira audição, pela ousadia. O hino tem outros bons momentos como "Sou o que ainda virá / O que reatravessa o mar / Reencontro o meu lugar" e "Juntam os irmãos, as crenças fazem união / E vai surgindo uma nação bem-vinda / Viva na igualdade, vibra ancestralidade / A estrela é linda / Em Caxias é mais preta ainda". Logo após ser coroada rainha de bateria na final da Tricolor de Duque de Caxias, Anitta cantou seu samba no palco junto com o time de intérpretes, mas não foi suficiente para vencer pela segunda vez nos últimos três Carnavais. Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 9,9



Portela (Samir Trindade)
- "Mestre, a nossa história nunca vai ter fim". Na bela safra de sambas em homenagem a Monarco, entre os muitos destaques aparece o hino assinado somente por Samir Trindade, na contramão das parcerias repletas de nomes das quais estamos acostumados. O compositor apostou numa letra emocionante na sua versão da carta para o saudoso sambista portelense, numa melodia dolente e classuda. Um dos destaques é o refrão central, entoado em menor: "Coração em desalinho / a paixão aflora / vejo o pai ao ver o filho / cavaquinho chora / e a dor se esqueceu em canções tão belas / daí mande um beijo meu pra Paulo da Portela". Outros excelentes trechos são: "Ah quanta saudade, te vejo de novo / minha candeia é sua luz / vem na poesia, junto ao nosso povo / defender Oswaldo Cruz" e "Monarco teu legado jamais vai embora / pra sempre em minha memória / ao Espírito Santo entrego o Panamá / faço essa carta mas /hoje não vou terminar ". Inicialmente um dos favoritos na disputa da Águia, acabou cortado na semifinal. E é sempre emocionante ouvir Gera, que defendeu o samba ao lado de Marquinho Art Samba. Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 9,9



Mocidade (Richard Valença e parceiros)
- "São outros quinhentos na Vila Vintém". Pelas bandas de Padre Miguel, a disputa foi equilibrada entre o samba vitorioso da parceria de Paulo César Feital e a obra da equipe de Richard Valença, que ficou pelo caminho na final. O hino derrotado possuía qualidade semelhante ao que irá para a Sapucaí, com boas tiradas como "O mapa que vira virou" (numa referência ao clássico enredo de 1990) no refrão principal, que é antecedido por outro bis. O samba-enredo se destaca em trechos como "Samba originário canibal que tem fome de reparação, latino quilombo / flecha do caboclo imortal nas mentiras de Cabral e no peito de Colombo" e "Eu sou o som, o calor, o jeitinho, amor sem fronteiras / filho invertido da terra / se alguém “usa” um pé de gente / essa gente pede guerra ". Clique aqui pra ver a letra do samba - NOTA: 9,8

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