PRINCIPAL    EQUIPE    LIVRO DE VISITAS    LINKS    ARQUIVO DE ATUALIZAÇÕES    ARQUIVO DE COLUNAS    CONTATO

Coluna do João Marcos

LONGE DE SER CURTO, PORÉM BASTANTE GROSSO

Fiquei um tempo sem postar artigos novos. Por isso, os assuntos abundam. Vou tentar sintetizar ao máximo os tópicos.

O Editorial do Maciel mostra claramente o grande problema da relação do comentarista de carnaval com os "torcedores" de escola de samba. Sambista é diferente de torcedor, que não aceita crítica ou diálogo. Todo mundo quer ter o saco puxado, quer ser elogiado. Eu também quero. Mas para você ter algo, tem de merecer. A verdade é que os compositores não estão acostumados a alguém dando a cara a tapa e falando - teu samba é ruim, eu não estou satisfeito e exijo mais. A falta disso, no passado, fez o nível dos sambas ir ao fundo do poço. A internet abriu espaço para que alguns, que tem um senso crítico mais apurado, denunciem o que não presta e exaltem o que é bom. Aqueles que tiveram o saco puxado toda vida estão levando para o lado pessoal. Só lamento, não mudo minha postura por nada.

E eu digo mais - torcedor de futebol é mais civilizado do que torcedor de escola de samba. Torcedor de escola de samba marreta o povo da Gaviões e da Mancha, mas faz pior, é mais xiita. Se um jogador do Corinthians joga mal, a própria torcida denuncia, vaia, pede mudanças. Torcedor de escola de samba defende samba ruim, defende postura autoritária de dirigente, defende tudo que afasta o samba de sua essência.

O verdadeiro sambista denuncia. Candeia e Paulinho da Viola cansaram de reclamar dos rumos errados que a Portela estava tomando nos anos 70. Por causa disso, foram praticamente expulsos da escola pelos "torcedores" sambistas, iguais aos que infestam os fóruns de carnaval por aí afora. Quem tinha razão?

*****

O melhor samba do ano, por incrível que possa parecer, vem de Santos, da escola Vila Nova. Recebi a dica do meu grande amigo, o compositor Imperial. O samba é um afro pedrada daqueles bons, com uma melodia extremamente sofisticada, variada, e com uma pegada que dificilmente se escuta hoje em dia. A ousadia do samba é tamanha que um dos refrões é simples feito de uma palavra: "É". Isso mesmo: o refrão é "ééééééééééééééé, éééééééééééééé". Se o "Adivinha quem é?" da Vila Maria já foi tachado de trash por defensores dos sambas padronizado, imagine o que se falaria desse samba no Rio? Não sei o nome do enredo, nem os autores, mas o samba é bom pra caramba.

Link: http://www.4shared.com/file/85135197/2561abfd/VILA_NOVA.html

*****

As safras do acesso A e B conseguiram a façanha bizarra de ser piores do que a do Especial. No Acesso A, então, a coisa foi feia. Sambas como o da Estácio, Ilha, Rocinha, Caprichosos e Santa Cruz são abaixo da crítica, lamentáveis sobre todos os aspectos. Para piorar a situação, a produção do CD, a cargo de Ivo Meireles, é caótica - a tentativa de criar um clima "ao vivo" deixou as gravações com um gosto ainda mais artificial e sem energia. É uma produção que impede uma análise musical: os arranjos são feitos de qualquer maneira, às vezes o coral canta uma melodia diferente da do intérprete (isso é muito visível na faixa da Rocinha). E para terminar, a distribuição ficou ainda mais precária do que de costume e atrasou tanto tempo que só começou a ser vendido depois do Natal.

O do Grupo B foi bem melhor produzido. Leo Bessa está conseguindo encontrar a fórmula mágica. Na primeira passada, arranjos bonitos e bem elaborados, dando brilho a melodias muitas vezes não tão inspiradas, mas que acabam ganhando vida num fraseado de violão, num cavaco fazendo um floreio na hora certa. A produção só não leva dez porque falta peso na segunda passada, quando entram as baterias, algumas impondo um corre-corre desnecessário e que contrasta negativamente com a primeira passada (caso bem claro na faixa do Boi da Ilha).

Os destaques das duas safras são as reedições - Império da Tijuca, no Grupo A; e "Afoxé", no Grupo B. Pena que o intérprete da Cubango não esteja à altura do samba.

*****

Comentários de São Paulo:

VAI-VAI - Com o enredo "Mens sana et corpore sano - O milênio da superação", a atual campeão vem com uma obra nos moldes da do ano passado, que deu um sacode poucas vezes visto no Anhembi. É mais fraco - a melodia é menos inspirada, a letra tem algumas expressões colocadas por força do enredo que soam feias, como "globalização microbiana" e "peró peludo", mas, no total, é um belo samba, com sacada inteligentes como o "vai-vai vai mostrar" e variações melódicas sofisticadas. O sacode deve se repetir. NOTA: 9,1.

MOCIDADE ALEGRE - O enredo sobre coração gerou um bom samba, que tem boas condições de fazer bonito na avenida. Os refrões são fortes, sendo o de cabeça excelente. O único erro técnico é em "fazendo o homem conhecer / sua própria existência", trecho que antecede o refrão do meio - a melodia termina antes da letra e os compositores precisaram esticar as notas, ficando pobre o trecho. NOTA: 8,9.

UNIDOS DA VILA MARIA - Samba burocrático, com letra resumo de sinopse e melodia sem têmpero. A entrada da segunda parte é super mal resolvida, assim como em "lutando contra a inflação / sou batalhador, brasileiro". Nem a participação de Quinho, com dezenas de cacos, deixam a faixa menos sonolenta. NOTA: 7,1. 

ROSAS DE OURO - Mais um samba burocrático, apesar de audição mais agradável que o da Vila Maria. O enredo merecia um trabalho mais poético, mas os compositores optaram por termos como "conquistar geral" e "galera ligada". O refrão de cabeça tem melodia simples, já conhecida de dezenas de sambas. A fábrica de sonhos mostra sua verdadeira a face - não se quer fabricar sonhos, apenas empolgação artificial. NOTA: 7,4. 

TOM MAIOR - A Tom Maior não escolheu o melhor samba de sua disputa, de Papito e cia, e perdeu a oportunidade de ter o melhor samba de São Paulo no ano. O samba sobre Angola e Martinho é forte, tem pegada, dois bons refrões, boas variações melódicas, mas falta sentimento. NOTA: 8,8. 

X9 PAULISTANA - Para um enredo batido, uma samba com soluções melódicas batidas. Lembra samba concorrente da Grande Rio. O samba é genérico, com o mesmo sentimento e estilo de vários sambas que passaram com o tema "Amazônia". Até mesmo o refrão com o "Vou bater o meu tambor... auê", que tem boa variação melódica, parece forçado. NOTA: 7,7. 

MANCHA VERDE - Depois de Suassuna, a Mancha continua nordestina, com Pernambuco. O samba de 2009, no entanto, não repete o nível do de 2008. O refrão com "é garra, é amor, respeito / é força, é vida, é emoção (...)" é genérico ao máximo, sem ligação com o enredo, sem força. O resto do samba é apenas certinho. O interprete foi muito mal e o samba acaba perdendo força em alguns pontos por ele tentar florear onde não deve. NOTA: 7,3. 

NENÊ DE VILA MATILDE - A vitória de Claudio Russo na Nenê, como fato, foi ruim porque consolida a ida de compositores do Rio para São Paulo, tendência que vem se acentuando e que pode gerar a descaracterização do samba-enredo paulista. O samba escolhido era muito mais fraco do que seus concorrentes e, sinceramente, a justificativa para a escolha é a maxima das escolas de outros estados, que acham que só por ser do Rio, é bom. Não, não é. Os sambas de Santaninha e de Royce eram superiores a este. Não que este não tenha qualidades, mas é muito, muito triste ver uma escola com tantos fundamentos, como a Nenê, desrespeitando sua ala de compositores. Mas, enfim, taí o samba, que tem alguns momentos diferenciados, como no bonito verso "Mais que sessenta, muito mais!... A eternidade", mas que não conta a história da escola, não relembra seus desfiles, e que traduz a visão que os cariocas tem do samba de São Paulo, a de samba 'prá cima', apelando para o Corinthians e gírias para sacudir a massa. E vai funcionar, porque na Nenê, qualquer coisa que se cantar fica bonito, ainda mais com o espetacular Royce como intérprete. Enfim, a escola fez a sua opção e também se modificou no universo do carnaval. Uma pena. NOTA: 8,3. 

IMPÉRIO DE CASA VERDE - Samba de letra gigantesca, sem momentos diferenciados. Falando de festas, feriados e celebrações, dentre elas a dos seus 15 anos, a escola faz da letra uma lista de tópicos. Muitas vezes, como no refrão, as palavras ficam soltas, como em "peço paz", que é pronunciado de qualquer jeito só para constar e dar sentido a letra, mesmo não tendo melodia. Fraco. NOTA: 6,9. 

PÉROLA NEGRA - O título de melhor samba de São Paulo acaba indo para a Pérola Negra, talvez a escola com menos marketing do Especial de São Paulo. Que coisa linda o refrão de cabeça, com força, chamando o sambista sem ser oba-oba. As variações melódicas da primeira parte são espetaculares. O samba mostra pegada, é musculoso, E para terminar a segunda parte, "aquela voz disse assim: o carnaval vale ouro  e a índia é inspiração... ENCONTREI VOCÊ ... NO MEU CORAÇÃO", uma das melhores preparações para refrão no ano. Parabéns aos compositores. NOTA: 9,5. 

GAVIÕES DA FIEL - Um enredo confuso, que usa a roda para chegar na fórmula 1, gerou um samba que não chama a atenção, nem nos refrões. A primeira parte está amarradinha, mas a segunda fica confusa a partir do verso que emula a melodia da musiquinha que tocava nas vitórias do Senna. Espero que, no centenário, a escola venha com uma obra melhor. NOTA: 7,2. 

TUCURUVI - Samba burocrático sobre Ouro Preto, que apela para o "Bata na palma da mão" no refrão do meio para tentar uma artificial ligação com o público. Não cola. NOTA: 6,8. 

PERUCHE - Muito ruim o samba da escola, com aquele refrão genérico de samba do acesso do Rio - Caprichosos quer (voltar)... A Peruche é (jóia rara)... A letra é confusa e não esclarece a idéia do enredo e a melodia não marca em momento algum. Quando os compositores do Rio dominarem São Paulo, todos os sambas serão mais ou menos assim. NOTA: 6,0. 

LEANDRO DE ITAQUERA - Quando a homenagem a Regina Casé foi anunciada, ninguém poderia imaginar este belo samba. Apesar de desconjuntado, o samba tem muito momentos diferenciados. A primeira parte tem sentimento, com um dos versos mais lindos do ano "oh! solidário sertão, sofrimento, ilusão, adeus asa branca". Depois, outro verso fenomenal, em letra e melodia "favela... a nossa raiz, carente... mas sempre feliz". Dois refrões pegados e bonitos antes da última parte, a homenagem propriamente dita, que não apela para breguice em momento algum. Muito bom mesmo. E para terminar a faixa, a citação ao clássico "Babalotim", o samba mais popular da escola, ficou muito bonita. NOTA: 9,2. 

*****

Comentário de Florianópolis:

EMBAIXADA COPA LORD - A atual campeã vem com um bom samba, amarradinho, sem nenhum grande problema. Os dois refrões são excelentes, a letra traduz bem o enredo, o samba só perde um pouco de força na segunda parte, que não consegue manter a força da primeira. NOTA: 9,4. 

CONSULADO DO SAMBA - Nem a boa interpretação de Luizinho Andanças consegue salvar este samba, que começa com um refrão gigantesco e sem força, de letra genérica, sem qualquer ligação com o enredo e apela para a comunidade. A melodia é fraca e o samba tem claros sinais de arrastamento. O verso "Macunaíma por 'Cy' se apaixonou" pode gerar ambiguidade para quem não acompanhar o samba com a letra, já que Cy e se tem sonoridades parecidas. A proposta do enredo, misturando Macunaíma e Zumbi, não fica clara. É um samba confuso. Enfim, o carnavalesco Raphael Soares vai precisar que seu talento supere as limitações do samba da escola. NOTA: 6,7. 

PROTEGIDOS DA PRINCESA - A Lins Imperial tentou, em 1993. Em 1997, foi a vez do Império Serrano, em pleno ano de cinquentenário. No entanto, Beto Carrero só conseguiu uma homenagem com um belo samba após sua morte. A Protegidos da Princesa tem o melhor samba de Florianópolis e um dos mais bonitos do Brasil em 2009. Sem forçar a barra, o samba passa um sentimento inocente, como a imagem do personagem. Os refrões são ousados, utilizando linhas melódicas diferentes na repetição, o que demostra riqueza nas variações. Na primeira parte, a história da comunidade libanesa no Brasil é retratada de forma clara. O apelo emocional ganha forma a partir do segundo refrão, no verso "A arte inspirou o menino... a sonhar". Na segunda parte, o parque é retratado, mas nada de "Vi Dinossauro, Vi tarzã na selvas ô" - vejam a diferença de abordagem: "Atravessando o portal/ Eu busco a imaginação / Sou cavaleiro medieval / Pirata pra roubar o seu coração". A atuação do intéprete Alan é segura e personalíssima. Enfim, o samba é um dos poucos que agradam num ano de obras muito fracas por todo o Brasil. NOTA: 9,8. 

UNIDOS DA COLONINHA - Não é um samba ruim, mas tem dois problemas graves: os dois refrões são genéricos e a melodia não tem grandes variações. O enredo também não fica muito claro - sabemos detalhes da história, mas não sua essência. É uma audição agradável, mas falta tempêro a obra. NOTA: 7,8.  

UNIÃO DA ILHA DA MAGIA - O ex-bloco inicia com o pé esquerdo sua trajetória como escola de samba. A escola resolveu que o caminho para se consagrar é importar talentos do acesso do Rio, de diretor de carnaval a mestre sala e porta bandeira. O samba, assinado por Fernando de Lima, é mais uma obra genérica, arremedo dos sambas que o compositor espalha pelas escolas do acesso do Rio de Janeiro. Quem já escutou um samba da Santa Cruz no milênio e lê a letra, já sabe a melodia. O refrão do meio, p.ex., "Formosa Lagoa / A Lua / Ao te ver bailando / Flutua" tem a mesma melodia de Vila Isabel 1999: "Folia se faz... na Rua". Eu já escutei essa samba tantas vezes ao longo de tantos anos que, sinceramente, não aguento mais. A única coisa boa é a interpretação de Davi do Pandeiro. NOTA: 5,2.

*****

Comentários de Porto Alegre:

IMPÉRIO DA ZONA NORTE - Apesar do enredo sobre correios ser burocrático e bem ao gosto do carnaval atual, a letra consegue fugir do comum e o samba tem boa melodia, com variações interessantes, principalmente na segunda parte. É um samba com cara de Porto Alegre e deve funcionar bem na avenida. NOTA: 8,9.

IMPERATRIZ DONA LEOPOLDINA - O cartão de visitas da faixa, com direito a citação de "Asa Branca", estabelece o ótimo clima da faixa. O samba é forte, tem pegada, e os refrões são ótimos, em especial o do meio "Oh, mulher... mulher rendeira!". A homenagem ao Ceará cai um pouco na segunda parte, mas é o melhor do ano em Porto Alegre. NOTA: 9,3. 

BAMBAS DA ORGIA - O enredo sobre Clara Nunes abria a possibilidade de um samba mais poético. O que se vê, no entanto, é uma letra simples, com erros de métrica que são maquiadas com esticadas de sílabas que tornam trechos do samba arrastados, principalmente na segunda parte. A solução do refrão do meio, que entra forte, acaba travando o samba. É um samba agradável, mas falta muita coisa. NOTA: 7,6 

UNIÃO DA VILA DO IAPI - O enredo samba sobre o arroz é um arroz com feijão sem sal. A melodia tenta ter pegada, mas é genérica. A letra é resumo de sinopse. É competente, mas nada mais do que isso. NOTA: 7,4. 

PRAIANA - Samba agradável e despretencioso, com bons refrões. O problema é a letra, com soluções poéticas muito pobres, como em "Este esporte concentra atenção / Na mídia e patrocinadores a evolução". A citação ao centenário do Internacional de Porto Alegre soa forçada, já que é o único clube citado num enredo sobre futebol, mas tem cara de ser culpa da sinopse. NOTA: 7,6 

GRAVATAÍ - Falando de cinema, o samba é uma surpresa. Com uma melodia extremamente variada e dois refrões fortes e fáceis de gravar, funciona bem. A letra é que peca um pouco por ser muito direta, mas nada que comprometa demais a obra. NOTA: 8,7. 

UNIDOS DE VILA ISABEL - O samba tem uma pegada gostosa, mas possui erros de métrica em "possuia o poder do diamante negro" "seus raios cortam o solo formando a ilha". O refrão do meio é genérico, com aquela melodia que a gente tá cansado de ouvir nos sambas do Rio. O inicio de segunda parte tem melodia fraca, mas melhora com a volta do refrão. NOTA: 7,9. 

PROTEGIDOS DA PRINCESA ISABEL - O enredo sobre fobias gerou um samba esquisito. É pesado, com uma melodia com muitos trechos em menor que não combinam com a letra, muitas vezes irreverente, como no refrão "ai credo em cruz! me assustei / sai pra lá, sai pra lá! eu me espantei". A letra em si tem momentos de pouca poesia, e um dos piores trechos da história em: "calor ou calafrio / pânico, pavor, um arrepio / na primeira vez da moça / o medo de se machucar". É muito feio, sinceramente. NOTA: 6,0. 

ACADÊMICOS DE NITERÓI - O enredo sobre a ópera "O Guarani" de Carlos Gomes gerou um samba estranho, com alguns do melhores e piores momentos do CD. A melodia do refrão de cabeça não tem sentido, mas, em compensação, o do meio é forte. A melodia da segunda parte é reta, menos no verso "e a tribo dos aimorés / faz a tupã invocação", que tem uma variação espetacular, de deixar boquiaberto. Sinceramente? Sei lá. NOTA: 7,7 

ESTADO MAIOR DA RESTINGA - O samba sobre Oscar Niemeyer é amarradinho, apesar de meio burocrático e ter soluções poéticas pobres. Tem pegada e deve funcionar bem. NOTA: 8,1. 

EMBAIXADORES DO RITMO: O esquisito enredo sobre taças traz um samba despretensioso, resuminho de sinopse, com alguns erros técnicos como em "no passeio de locomotiva / sentir o aroma dos vinhedos / premia quem está de bem com a vida", em que a melodia não está resolvida, parece que um verso a mais foi incluído. Fraquinho. NOTA: 6,9. 

ACADÊMICOS DA ORGIA - A homenagem a Uruguaiana tem o grande refrão do ano na cidade, com o seu "olha o zé fazendo a festa". O resto do samba é competente, seguro, às vezes sem têmpero e poesia, mas bem agradável. NOTA: 8,8. 

IMPERADORES DO SAMBA - A homenagem ao Internacional de Porto Alegre é um samba oba-oba muito bem feito, muito bem feito mesmo, com pretensão de ser sacode, com direito a "Vâmo, vâmo Inter, faz o 'Gigante' explodir", num refrão sensacional para aquilo que a escola pretende mostrar. O samba tem momentos diferenciados como em "batalhas e batalhas nos gramados / brilhou, brilhou, brilhou...". É o samba que você só pode apreciar se se despir de preconceitos, de intelectualismo barato e curtir o momento. NOTA: 9,1. 

UNIDOS DO CAPÃO - Falando sobre cavalos da raça crioulo, o samba não tem muito o que fazer nem como escapar de coisas como "Na Expointer se consagrou / Freio de Ouro ele conquistou / A.B.C.C.C se orgulhou / A chama crioula não se apagou". Sinceramente, parabéns para os compositores, porque o samba é fraco, mas o enredo é tão bizarro que acho impossível algo melhor. NOTA: 6,2. 

*****

Comentários de Manaus: 

APARECIDA - O enredo sobre a pirataria tem uma uma abordagem muito parecida com a da Imperatriz Leopoldinense de 2003. O samba, no entanto, é mais pesado. A letra, muitas vezes, não acompanha o sentimento que o intérprete Luizinho Andanças quer dar, e esse descompasso acaba prejudicando a obra. O refrão do meio é pouco definido melodicamente. NOTA: 7,3. 

VITÓRIA RÉGIA - A homenagem ao ex-governador Ottomar Pinto, tem bons momentos de melodia, mas peca na letra, como trechos bem ruins como em "mestrado, doutorado, condecorado em todos os ofícios". O refrão de cabeça, no entanto, é uma delícia. NOTA: 7,7. 

REINO UNIDO DA LIBERDADE - A homenagem ao CEFET gerou um samba agradável, sem grandes ousadias. Há erro de métrica em "Surgiam aprendizes artífices", o refrão do meio é genérico e o verso "tariano na dança do cacetinho" causa estranhamento para quem não é da região. NOTA: 7,5. 

SEM COMPROMISSO - Samba de Mingau, autor do samba da Grande Rio deste ano, tem a qualidade de não fugir muito do estilo dos sambas da cidade. É um bom samba, apesar de um deslize aqui e outro ali, como o "se (...) me chamar... eu vou" do refrão do meio. NOTA: 8,6. 

GRANDE FAMILIA - Falando da Venezuela, o samba tem bastante pegada e dois bons refrões. A dificuldade da letra é na hora de elencar os diversos setores do desfile na segunda parte, misturando petróleo, cassino e praia. O intérprete também tem dificuldade de sustentar o tom e prejudica a audição. NOTA: 8,1. 

UNIDOS DA ALVORADA - Melhor samba do ano em Manaus, "De Exú A Oxalá Com As Bençãos Do Criador Tudo Tudo Pode Mudar" pode não ser um poço de originalidade, pode ser mais um afro como tantos outros, mas o samba é bem arrumado, de audição agradável e a melodia traduz o sentimento da letra. É o caso do refrão de cabeça "Ora yé yé o, ora yé yé o / Ora yé yé ô mamãe oxum / Odê koquê maior ajuberô / Comunidade impõe o seu valor!" - a letra não tem nada demais, mas o refrão tem força. NOTA: 9,0. 

BALAKU BLAKU - A obra, sobre a lenda de Akator, não é tão clara quantos os outros sambas da cidade, além de ser bem pesado. Tem belos momentos melódicos no início da segunda parte e o refrão de cabeça é interessante, mas faltam maiores variações e pegada. NOTA: 8,0. 

COROADO - Falando do cenário da UFAM - Universidade Federal do Amazonas, o samba tem ótimos momentos de melodias, com muitas variações e bons refrões (três), bastante pegada. A letra é irregular, provavelmente culpa da sinopse - na parte histórica vai bem, mas na segunda parte cai bastante, perdendo força. NOTA: 8,5. 

PRESIDENTE VARGAS - Falando de Roraima, a escola tem um samba irregular. A primeira parte tem versos trepados e fica claro que o cantor estava muito inseguro na gravação. A letra é genérica e sem encadeamento. Fraco. NOTA: 6,5. 

ANDANÇAS DE CIGANOS - Com enredo sobre Itacoatiara, a escola tem um samba bem feito, com alguma pegada, mas sem muitas variações melódicas. A letra não compromete e o refrão de cabeça é bom. Samba correto. NOTA: 7,7. 

***** 

Éééééééééééé!
Éééééééééééé!

Saudações a todos!

João Marcos
joaomarcos876@yahoo.com.br