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Coluna do Cláudio Carvalho

DISCOGRAFIA DAS ESCOLAS DE SAMBA DO RIO DE JANEIRO – GUIA DO COLECIONADOR (PARTE I)

5 de novembro de 2021, nº 54

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A primeira edição do Guia do Colecionador foi publicada por mim no Sambario em 2005. Na ocasião, não havia na internet material que tratasse da discografia dos sambas de enredo de forma detalhada. Apenas podíamos ter acesso às capas através do site Academia do Samba. Fico feliz em saber que nosso guia serviu de referência para muitos colecionadores, sendo que alguns deles se tornaram meus amigos pessoais. Entendemos, no entanto, que é hora não só de atualizar o guia, mas também de preencher lacunas que foram descobertas ao longo dos anos, ou seja: vamos revisar e ampliar seu conteúdo. 

Nessa primeira coluna, que marca meu retorno à função de escriba do Sambario, daremos ênfase à discografia em vinil, lançada entre 1968 e 1997. Posteriormente, falaremos da discografia entre 1998 e 2020, e pretendemos mencionar também o que foi lançado nos blocos de enredo e em Niterói. Importante ressaltar que os CDs do Grupo Especial, Série Ouro e da LIESB para 2022 ainda estão em fase de produção, e poderão ser incluídos na listagem.


1968 - Os dois primeiros LPs de sambas de enredo foram lançados, respectivamente, pelo Museu da Imagem e do Som, e pelo selo Disconews. O primeiro, considerado o Santo Graal da discografia do gênero, traz, como diz seu título As Dez Grandes Escolas Cantam para a Posteridade seus Sambas-Enrêdo de 1968, os sambas das dez escolas do desfile principal daquele ano, incluindo Unidos de São Carlos, Império da Tijuca e Independentes do Leblon, que posteriomente se mudaria para Cordovil e adotaria o nome do bairro. O segundo disco, denominado Festival do Samba, traz as sete escolas mencionadas na capa e uma faixa de baterias destas agremiações. Trata-se de um disco igualmente raro, mas não tanto quanto o do MIS.

1969 - O LP chama-se Festival do Samba Vol. 2, e tem a capa branca, com a foto da passarela em tom azul, no centro. Traz em seu conteúdo os sambas das mesmas escolas anteriores, exceto Salgueiro (Bahia de todos os Deuses), que foi gravado num compacto à parte, numa iniciativa da própria escola.  


1970
- Neste ano, a Associação das Escolas de Samba do Estado da Guanabara (AESEG), através do selo Caravelle, lançou o disco oficial do carnaval carioca. Esse vinil tem várias fotos de desfiles. Uma delas, por sinal, foi utilizada na capa do primeiro LP do II Grupo, também lançado pela associação, pela mesma gravadora. A Discnews, no entanto, não perdeu a oportunidade de lançar seu seu Festival do Samba Vol III.


1971 - Neste ano também saíram dois LP's: o oficial (amarelo), da Top Tape e o Festival lançado por gravadoras como Relêvo e Visiorama. Este disco também apresenta variações na capa, sendo a mesma encontrada nas versões branca e azul. O samba do Salgueiro, Festa para um rei negro (campeão daquele ano), está presente em algumas edições do disco da Top Tape, embora não conste na capa nem na contracapa dele. Na safra do Grupo de Acesso, além do disco branco, decobriu-se recentemente o verde, que traz Unidos da Tijuca, São Clemente, Em Cima da Hora (campeã do Grupo 2 daquele ano), Unidos do Cabuçu e cinco escolas do grupo 3. O disco vermelho traz apenas sambas das escolas deste grupo. Desnecessário dizer que os três discos do Acesso, sobretudo o verde e o vermelho, são raríssimos.


1972  - O disco oficial é amarelo e traz os 12 sambas das escolas que desfilaram no Grupo I naquele ano. O Festival foi lançado com o nome Enredo, Desfile de sambas e tem capa vermelha, mas trata-se de uma coletânea, que contém sambas de outros anos, o que passaria a acontecer com os outros “festivais” a partir dali, fazendo com que eles deixassem de ser incluídos na discografia oficial do carnaval. No Grupo II, tivemos um LP marrom, que contém sambas de 14 das 17 escolas que desfilaram naquele ano.

1973 - O disco do Grupo I traz uma foto belíssima do desfile na Av. Presidente Vargas na contracapa. Nada que se compare, no entanto, à foto de capa do LP do Grupo 2, talvez a mais bonita de todos os tempos. Assim como no ano anterior, ambos os discos foram produzidos em parceria da Associação das Escolas de Samba da Guanabara (AESEG) com a Top Tape, algo que duraria até o ano de 1980.

1974 - O disco do Grupo 1 apresenta duas versões: uma com capa dura, e outra com capa comum. O disco do Acesso foi intitulado Sambas-de-enredo das escolas de samba (o que se repetiria em 76, 77 e 78). Nos dois discos, ritmistas tocando pandeiro e reco-reco, respectivamente. O disco do Grupo 2 marca a estréia de Aroldo Melodia nas gravações, com Lendas e Festas das Yabás, trilha sonora do desfile campeão da União da Ilha daquele ano.

1975 - Ambos os discos apresentam capas "psicodélicas", sendo que a do Grupo I tem formato de pôster. Duas curiosidades: no Grupo I, foi lançada uma coletânea pela gravadora Tapecar com outros intérpretes, e no Grupo 2, a Unidos da Ponte, que trouxe seu samba para o LP, não se apresentou.

1976 - Esse famoso disco de capa azul é, para mim, o melhor de todos. Não é qualquer um que contém sambas como Os sertões (Em Cima da Hora), Arte negra na legendária Bahia (São Carlos), Mar baiano em noite de gala (Lucas), A lenda das sereias (Império), No reino da mãe do ouro (Mangueira), Sonhar com rei dá leão (Beija-Flor) e Mãe Menininha do Gantois (Mocidade). No disco do Acesso, que traz um homem negro na capa e um menino de mesma etnia na contracapa, a nota negativa fica por conta da não inclusão do samba da escola campeã, Império da Tijuca, que gravou num compacto, como já havia feito e repetiu em outras ocasiões. Nota: nos dois discos já se pode observar o logotipo da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro (AESCRJ), como passou a ser chamada a AESEG após a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro.

1977 - Ambos os discos trazem fotos de destaques. O LP do Grupo 2, relativamente raro, traz dois terços dos sambas que desfilaram naquele ano, já que seis das dezoito agremiações não gravaram seus hinos, provavelmente por questões financeiras, o que era comum na época. Apesar disso, os sambas das duas escolas promovidas, Arranco do Engenho de Dentro e Arrastão de Cascadura, estão no álbum.

1978 - No disco do Grupo 1, que traz baianas da Beija-Flor na capa, destaque para Do Yorubá a luz, a aurora dos Deuses (Salgueiro), O amanhã (Ilha) e A criação do mundo na tradição Nagô (Beija-Flor). Para o ano seguinte, devido ao rebaixamento das tradicionalíssimas Império Serrano e Vila Isabel, criaram-se os Grupos 1A, 1B, 2A e 2B. O primeiro grupo foi composto pelas seis melhores colocadas do desfile principal  de 1978, além de Unidos de São Carlos e Imperatriz Leopoldinense, campeã e vice respectivamente do Acesso. O Grupo 1B foi formado pelas quatro rebaixadas do desfile principal (além das duas citadas, caíram Arranco e Arrastão) e pelas escolas que ficaram entre a terceira e a sexta colocação no Grupo 2.

1979 - O principal disco daquele ano traz sambas das escolas dos Grupos 1A (todas) e 1B (Unidos de Lucas, Império Serrano, Vila Isabel e Unidos do Cabuçu), além de um compacto com as demais escolas do Grupo 1B (Arrastão, Arranco, Caprichosos e Ponte). O suposto disco do 2º Grupo, na verdade, é uma compilação de sambas das escolas dos grupos 2A e 2B. Neste disco está o samba "As Três Mulheres do Rei", da Império da Tijuca, que após duas quedas consecutivas, sagrou-se campeã do Grupo 2A.

1980 - Pela primeira vez na história da discografia das escolas de samba, todas as agremiações que desfilaram nos dois principais grupos foram contempladas nas gravações, gerando dez faixas no álbum do Grupo 1A e 10 no disco do Grupo 1B.


1981 - Todos os grupos, do 1A ao 2B, foram contemplados com LP's. Foram, portanto, lançados quatro discos neste ano. Além disso, foi produzido um compacto com quatro escolas do Grupo 1B (Império da Tijuca, Império do Marangá, Acadêmicos de Santa Cruz e União de Jacarepaguá, este último vencedor do Estandarte de Ouro). A capa deste compacto é igual a dos discos dos grupos 1A e 2B: cinza, com uma foto de desfile. A diferença fica por conta da cor dos números referentes aos ano de 1981: vermelha no compacto, amarela e azul nos discos.

1982 - Nesse ano foram lançados três discos, um referente a cada grupo. Todos os álbuns foram produzidos pela Top Tape. No terceiro LP, que se parece muito com o do Grupo 1A de 1980, três quartos das escolas (nove de doze) foram contempladas com faixas.

1983 - Voltamos a ter apenas dois discos, também produzidos pela Top Tape. Nenhuma das escolas ficou de fora dessas duas belas safras, relativamente fáceis de se encontrar.

1984 - Esse carnaval foi o primeiro da história do Sambódromo e, naquele mesmo ano, foi criada a Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA), que passou a organizar os desfiles do 1º Grupo a partir de então. Neste ano foi lançado um LP com os sambas-enredo ao vivo na avenida, iniciativa pioneira até então. No 1B tivemos um disco de capa vermelha com fotos de luminárias, cujos destaques são os sambas de Em Cima da Hora e Santa Cruz.

1985 - O LP do Grupo 1A traz na capa a porta-bandeira Mocinha, da Mangueira. Juntamente a ele, foi lançado um compacto com os sambas de Cabuçu, São Clemente, Santa Cruz e Em Cima da Hora. No disco do Grupo 1B, o samba da Acadêmicos de Santa Cruz é cantado por Aroldo Melodia, diferentemente do que acontece no compacto. A Santa Cruz, que estava no primeiro grupo, foi convidada a fazer parte da segunda edição desse disco porque a Portela ganhou na justiça o direito de exclusividade sobre seu nome, o que obrigou a gravadora Som Livre a retirar a faixa da Tradição, que se chamava Portela Tradição, e havia gravado na versão original do disco que chegou a ser comercializada, o que torna este álbum raro. A escola do Campinho também gravou seu samba num compacto da gravadora Columbia.


1986 - Aí começou a confusão. Foi o seguinte: a RCA entrou na parada e tirou o monopólio da Top Tape, passando a produzir o LP do Grupo 1A. Algumas escolas, porém, não romperam com a Top Tape, casos de Caprichosos, Ilha, Estácio, Salgueiro e da recém-promovida Unidos da Tijuca. Tivemos, portanto, dois discos. O da RCA, com as escolas que aderiram à nova proposta, e o da Top Tape, com as acima mencionadas, acrescidas de convidadas como São Clemente, Lucas, Santa Cruz, Engenho da Rainha e Em Cima da Hora. Para quem não sabe, este disco é o que traz o casal de MS e PB da Caprichosos de Pilares, a ''campeã do povo''. Mesmo assim, lançaram o disco do Grupo I-B, com as escolas que restaram e convidadas. Uma curiosidade: nesse ano foi lançado no exterior o primeiro CD de sambas de enredo, cuja capa traz um close no rosto da mesma Beth Andrade que posa para a arte do vinil.

1987 - Continuou a mumunha. Nesse ano, a Estácio debandou para o LP da RCA que, para ter o mesmo número de faixas nos dois lados, ganhou uma de bateria. Jacarezinho e São Clemente, recém-promovidas, fecharam com a Top-Tape, que preencheu seu LP com as escolas do I-B, exceto Santa Cruz e Em Cima da Hora, que gravaram num compacto à parte. Ambos os discos trazem fotos de desfiles na capa. Nesse ano, não foi lançado disco dos Grupos de Acesso. O segundo álbum também foi lançado em CD no exterior, com capa diferente da original.

1988 - Neste ano, a Top-Tape saiu da parada e as dezesseis escolas gravaram num único LP, da RCA. No 1B, lançaram um disco com os sambas das 10 escolas do grupo, além das convidadas Acadêmicos do Cubango (que gravou em Niterói até 1985) e Mocidade Unida de Jacarepaguá, campeãs do Grupo 4 no ano anterior.

1989 - Outro disco duplo, com 18 sambas. No Grupo 1B, um disco que traz um pierrô chorando na capa, além do primeiro samba da Unidos do Viradouro gravado no Rio (a escola fez parte da discografia do carnaval de Niterói até 1986).

1990 - Surge a denominação Grupo Especial, que naquele ano contou com 16 escolas, embora só 14 tenham feito parte do disco. Lins Imperial e Unidos do Cabuçu gravaram no disco do Grupo I (antigo 1B). Nesse ano foi lançado oficialmente no Brasil o primeiro CD de sambas de enredo do Grupo Especial.

1991 - O disco do Grupo Especial traz na íntegra as dezesseis escolas que desfilaram. No I Grupo, o LP foi produzido pela Tropical Produções Musicais, gravadora de uma antiga rádio carioca que sempre prestigiou o gênero samba-enredo.

1992 - No LP do Especial, foram excluídos os sambas da Leão de Nova Iguaçu e da Tradição, que podem ser encontrados num compacto, cuja capa é igual a do LP, da fita K7 e do CD. No Grupo I, nova produção da Tropical, inclusive com o samba da Acadêmicos de Santa Cruz, que conseguiria posteriormente na Justiça o direito de desfilar no Grupo Especial.

1993 - Os sambas de Ponte e Grande Rio não foram incluídos no LP e, assim como aconteceu com Leão e Tradição no ano anterior, podem ser encontrados no compacto, no CD e no K7. No disco cinza do Grupo I, outra edição da TPM e uma curiosidade: Cubango e Mocidade Unida, ao contrário do que aconteceu em 1988, desfilaram no grupo mas não tiveram seus sambas contemplados no LP.

1994 - Começou a tendência de se lançar dois LP's separados no Grupo Especial. A partir daí, já é mais fácil encontrar o CD que, ao contrário dos vinis, é único. No Grupo I, foi lançada, além do vinil, a fita K7, que contém o samba da Arrastão de Cascadura, o qual não consta no bolachão.

1995 - Mais dois LP's, com Imperatriz e Salgueiro na capa e contracapa, respectivamente. A diferença entre eles é uma tarja amarela e outra vermelha na parte de baixo. O CD seguiu sua “carreira solo”. Os sambas das recém-promovidas São Clemente e Villa Rica não foram incluídos nem no LP, nem no CD, nem no K7. No Acesso, mais dois LP's, contendo 19 escolas sob o comando da LIESGA, que assumiu o controle no lugar da AESCRJ naquele ano.

1996- Mais dois discos, desta vez com Imperatriz e Portela na capa e contracapa. Naquele ano, nenhuma das 18 escolas ficou de fora. Porém, no CD, as faixas ficaram com média de quatro minutos cravados, enquanto que nos LPs, a duração destas é maior (as durações seriam diferentes do LP com relação ao CD em algumas faixas também em 1995 e 1997). No Acesso, um disco gravado através de uma inusitada parceria entre a AESCRJ (que retomara o comando) e o DJ Marlboro, lançado em LP e CD.

1997 - Pela última vez, o carioca desfrutava do vinil para escutar samba-enredo. O álbum branco, por sinal, é raro de se encontrar. No Acesso, um disco com a modelo Viviane Araújo na capa, que até onde nos consta, só foi gravado em CD.  

Terminamos assim a primeira parte da reedição do Guia do Colecionador. Na próxima ocasião falaremos dos álbuns lançados entre 1998 e 2020. Esperamos que essa nova versão do guia seja tão útil quanto a primeira.

Um abraço, Cláudio Carvalho!

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Cláudio Carvalho