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CARLINHOS DE PILARES

CARLINHOS DE PILARES

      

     

 

 

        Nome Completo: Carlos Miguel Marques

 

        Ano de nascimento: 1942

 

      Ano de falecimento: 2005  

     

                                                                     

   
        Um tumor maligno no pulmão direito calou para sempre, na tarde do dia 7 de julho de 2005, a voz de um dos mais simpáticos puxadores de samba do carnaval brasileiro. Carlinhos de Pilares descobriu que estava doente há dois anos. Em 2004, em seu último carnaval – e com dificuldade –, puxou o samba enredo da Acadêmicos da Rocinha, “Mago do novo, João do Povo”, em homenagem ao carnavalesco Joãosinho Trinta.

Esbanjando alegria e animação, Carlinhos de Pilares alegrava os componentes das escolas que defendeu, além de entreter a galera nas arquibancadas. O início de Carlinhos no mundo do samba se deu nas rodas de sambas em Pilares. Chegou à Caprichosos nos anos 70, quando a escola nem sonhava em desfilar entre as grandes. Em 1975, cantou um dos mais belos sambas da história da escola, “A Congada do Rei David”, de autoria de Ratinho e Juarez. Em 1978, conduziu o samba “Festa da Uva no Rio Grande do Sul”, no qual a composição de Ratinho conquistou o Estandarte de Ouro pelo júri do jornal O Globo.

Carlinhos de Pilares viveu um de seus grandes momentos na avenida em 1982, no desfile “Moça bonita não paga, mas também não leva”, no qual a escola conquistou o título do Grupo 1-B e ganhou o direito de chegar à divisão principal do carnaval. Era o início da era de temas satíricos e irreverentes da escola. Em 1983, com “Um cardápio à brasileira”, a escola desfilou praticamente o tempo inteiro com a passarela sem iluminação, o que lhe rendeu a condição de hors-concours naquele ano, permanecendo no Grupo Especial. Em 84, a Caprichosos apresentou “A nobreza do riso visita Chico Rei num palco nem sempre iluminado” e surpreendeu a todos com uma boa colocação (3º lugar no desfile de domingo).

          O samba-enredo de maior representatividade na história da escola, sem dúvida, é o de 1985, “E por falar em saudade”, de autoria de Almir Araújo, Balinha, Hércules Corrêa, Marquinhos Lessa e do próprio Carlinhos. Naquele ano, numa manhã ensolarada, Carlinhos de Pilares conduziu a escola com seus cacos e, ao longo da Marquês de Sapucaí, ia soltando sua gargalhada que, a partir daquele ano, tornou-se sua marca registrada. Ele nem fez muito esforço porque toda a arquibancada cantou o samba de letra fácil e bem-humorada. A composição ficou conhecida como o “Samba do Bumbum”, devido ao refrão final da letra, o maior sucesso do carnaval daquele ano: “tem bumbum de fora pra chuchu/ qualquer dia/ é todo mundo nu”. A escola saiu aclamada da passarela do samba, sendo considerada “campeã do povo”. No entanto, na classificação oficial, a Caprichosos chegou em quinto lugar. O reconhecimento chegou em 1988, quando Carlinhos de Pilares levou o Estandarte de Ouro como melhor puxador.

A partir daí, Carlinhos se afastou da escola de seu coração e passou a defender sambas para outras bandeiras. Circulou pela Unidos do Jacarezinho, Acadêmicos de Santa Cruz, Unidos da Tijuca, Lins Imperial, Acadêmicos do Dendê, teve uma breve passagem na Portela, retornou à Caprichosos por três carnavais e, até o desfile de 2004, esteve na Acadêmicos da Rocinha. Também puxou escolas em outras cidades, como a Flor de Vila Dalila (1988) e Acadêmicos do Tucuruvi (2001), em São Paulo, Academia de Samba Praiana (1996), em Porto Alegre, e em escolas de Manaus. Aproveitando o auge da popularidade da Caprichosos, na década de 80, gravou participações em dois discos da cantora Simone: no disco “Cristal” (1985), na faixa Amor no coração, e no disco “Amor e Paixão” (1986), na música Rei por um dia, ambas de sua autoria.

Carlinhos de Pilares tinha 63 anos e estava casado pela segunda vez com Idalina, 61 anos, com a qual teve dois filhos: Carlos Eduardo, 25, e Carlos Henrique, 20. Do primeiro casamento, possuía um casal: Antonio Carlos, 43, e Carmem Verônica, 41. Nos últimos meses, o puxador vinha passando por dificuldades financeiras e seus amigos organizaram eventos para ajudá-lo.

 
Início: Caprichosos de Pilares, nos anos 70. 

Entre 1975 e 1988 – Caprichosos de Pilares 

1979 – Lins Imperial (Grupo 2-A) 

1986 a 1990 - Andanças de Ciganos (Manaus, na gravação do LP)

1989 – Unidos do Jacarezinho 

1990 – Santa Cruz 

1991 e 1992 – Caprichosos de Pilares

1993 - Reino Unido da Liberdade (Manaus, na gravação do LP e no Sambódromo)

1994 - Unidos da Tijuca 

1995 – Portela (junto com Rixxa) 

1996 – Caprichosos de Pilares e Praiana (Porto Alegre)

1997 – Acadêmicos do Dendê (Grupo A) 

1998 a 2000 – Santa Cruz (Grupo A) 

2000 - União Imperial (Santos - apoio de Zinho)

2002 – Lins Imperial (Grupo B) 

2003 e 2004 – Rocinha (Grupo A) 

 

GRITO DE GUERRA: Alô, Brasil! Alegria geral! Vai começar a festa! (segue depois sua tradicional gargalhada)

 

GRITOS DE EMPOLGAÇÃO: seus cacos variavam muito conforme o samba ou o tema apresentado. Sua marca principal era a gargalhada, quando, em determinado momento, os versos do samba mencionavam as palavras “alegria”, “sorriso” ou qualquer outra manifestação de animação. Também apareciam muito os cacos "é muita coisa junta", “gira, baiana”, “ah, minha escola querida”.

 

Sambas de sua autoria: “Uruçumirim, paraíso tupinambá” (79, com Delso e Ferreira); “E por falar em saudade” (85, com Almir de Araújo, Balinha, Hércules e Marquinho Lessa); “Brazil com z não seremos mais... ou será que seremos?” (86, com Almir de Araújo, Balinha, Hércules e Marquinho Lessa); “Os heróis da resistência” (90, com Carlos Henri, Doda, Luís Sérgio, Mocinho e Zé Carlos); “Entre Festas e Fitas”, (Acadêmicos do Engenho da Rainha/1994, em parceria com De Minas, Hércules Corrêa e JB) .

 

Estandarte de Ouro: 1988. Também conquistou um prêmio Sambanet de melhor intérprete do Grupo B de 2002, quando defendeu a Lins Imperial.

MAIS FOTOS DE CARLINHOS DE PILARES


Com dificuldades, Carlinhos puxa a Rocinha em 2004


Em ação na Lins Imperial, em 2002

Carlinhos (de bigode branco) recebendo emocionante homenagem dos amigos

Entre o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Caprichosos, sua escola do coração

Durante o Prêmio SambaNet, em 2003 (foto enviada por Igor Munarim)


Na vinheta para o carnaval de 1987