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Editorial Sambario

Edição nº 44 - 15/1/2012

Análise dos sambas de enredo capixabas de 2012 - Aproveito para reproduzir no SAMBARIO meus comentários, originalmente publicados no site Viva Samba. Queria agradecer de coração ao convite do diretor da prestigiada página, Armando Chafik, para realizar as análises de 2012 dos sambas-enredo de Vitória, tradicional celeiro do samba que marcará oficialmente o início da folia na temporada. É sempre importante colocar que as notas estabelecidas abaixo obedecem um critério pessoal de avaliação, que eu costumo por em prática no SAMBARIO, em nada relacionado ao utilizado pelo júri oficial.

Um grande abraço para os bambas capixabas e salve o Sambão do Povo. E mais uma vez muito obrigado, Armando, pela grande honra proporcionada!

MOCIDADE UNIDA DA GLÓRIA – O samba da atual campeã do Carnaval Capixaba, para falar do centenário de Luiz Gonzaga, é típico dos ditos sambas-enredo funcionais, sintetizando um claro exemplo do atual padrão do gênero. O conjunto melódico é correto, sem muitas inovações e de poesia simples. A principal característica da obra é a valentia. Deve funcionar bem no Sambão do Povo.NOTA: 9,2

INDEPENDENTE DE BOA VISTA – O estilo da obra que homenageia Elisa Lucinda se remete aos atuais do Carnaval Paulistano, com refrões valentes (destaque para o central) e dolência nas demais partes. É um samba forte e que promete fazer bonito, o melhor entre os inéditos de 2012. Um pequeno porém aponto para a citação à novela “Insensato Coração”, onde, além da métrica ser atropelada no trecho, a linha poética soa subjetiva. NOTA: 9,5

UNIDOS DA PIEDADE – O samba-enredo homenageia as mulheres voluntárias da luta contra o câncer em Vitória, denominadas “anjos de luz”, que compõem a AFECC. O hino apresenta soluções mais pragmáticas, além de alguns termos soarem como clichês. A segunda parte é a melhor da obra.NOTA: 9,0

UNIDOS DE JUCUTUQUARA – O hino sobre o boi-bumbá de Parintins aposta em interessantes variações de menor pra maior, mas sem apresentar inovações no padrão do gênero. Os refrãos são do estilo arrasta-povo. A primeira parte apresenta proliferação de trechos em menor e a segunda aposta em notas mais estendidas. É um samba pesado. NOTA: 9,2

UNIDOS DE BARREIROS – Pra falar sobre a história da cidade de Aracruz, a escola aposta num samba distinto dos padrões atuais, de três refrãos curtos e a letra um tanto extensa, o que torna o samba um tanto cansativo, devido às escassas variações melódicas. A poesia em muitos momentos deixa a desejar, sobretudo na redundância “No quilombo, os quilombolas”. NOTA: 8,5

INDEPENDENTES DE SÃO TORQUATO – O samba que faz a homenagem à Rosa Magalhães aposta na linha “lista de compras”, com uma primeira parte extensa que relembra vários grandes momentos da carnavalesca na Sapucaí. O refrão central é o que mais chama atenção na obra, pelo estilo marcheado. A segunda é mais curta, servindo mais como base para o refrão principal, alusivo à escola e sem citação ao enredo. Não chama muita atenção na safra. NOTA: 9,0

NOVO IMPÉRIO – Reedição do enredo de 1976 da agremiação, o samba-enredo sobre as lendas do Espírito Santo apresenta uma linha clássica dos sambas da época. As variações melódicas são qualificadas e os refrãos são fortes. O hino alia muito bem dolência e valentia, e deve motivar o povo do Estado a bradar na avenida que é “capixaba da gema do ovo”. O melhor do grupo. NOTA: 10,0

IMPERATRIZ DO FORTE – A escola desfilará com um enredo sobre os 60 anos do SESI. Mas tanto letra quanto melodia são genéricas, daquelas que já foram ouvidas em diversos sambas. O que mais chama atenção é a pausa do intérprete no “vem... vamos embora”, que torna o canto embolado e não gera um efeito muito feliz. NOTA: 8,0

PEGA NO SAMBA – Para o curioso enredo sobre a morte, o hino é envolvente, apresenta uma letra inspirada e por vezes irreverente. Possui bons momentos melódicos, embora sua linha também seja genérica em determinados trechos. O samba tem bons refrãos, que devem facilitar a comunicação com o público no Sambão do Povo. NOTA: 9,3

ANDARAÍ – A escola retorna ao Grupo Especial com um enredo sobre a vida e versatilidade do artista Milson Henriques, que gerou um samba biográfico interessante, de boa coesão melódica e poesia competente. Fecha muito bem o CD. Um dos melhores do ano no Carnaval Capixaba. NOTA: 9,4