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AS TRÊS NOITES DE DESFILES DO GRUPO ESPECIAL 2026 18 de fevereiro de 2026, nº 81 NITERÓI -
A Acadêmicos de Niterói abriu a primeira noite de desfiles
do Grupo Especial e apostou na forte comunicação
com o público. A comissão de frente, porém, trouxe
um telão de LED (recurso já manjado) e um elemento
cenográfico simplório para representar a troca de faixas,
o golpe de 2016 e a ascensão da extrema direita, simbolizada
pelo “Bozo”, que reapareceu como presidiário na
última alegoria.
No enredo, houve problemas de concepção ao aproximar a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva de nomes que enfrentaram diretamente a ditadura, como Zuzu Angel, Henfil e Vladimir Herzog. Além disso, a abordagem soou datada em alguns momentos. A evolução foi lenta, com paradas ao longo do percurso. Ainda assim, o objetivo de causar foi atingido. Em sua provavel rápida passagem pelo Grupo Especial, a escola assumiu riscos e gerou debate. IMPERATRIZ - A Imperatriz Leopoldinense apresentou-se mais solta do que em 2025, com um enredo leve e de forte comunicação com o público em homenagem a Ney Matogrosso. A narrativa fluida e afetiva favoreceu a empatia ao longo de todo o desfile, coroada pela presença do artista no último carro alegórico, em momento de grande apelo simbólico e emocional. O samba, apontado por muitos como o mais fraco do grupo antes do Carnaval, mostrou força na Avenida e foi amplamente cantado pela arquibancada, criando um ambiente de participação intensa. A comissão de frente apostou na dança e remeteu às coreografias marcantes de Fábio de Mello, com desenhos bem definidos e execução segura. Houve harmonia impecável entre a plástica das alegorias e o desempenho do chão, com evolução consistente. O conjunto alegórico desponta como possivelmente o mais impactante que passará pela Sapucaí em 2026. Belíssimo trabalho de Leandro Vieira, que imprimiu identidade estética e narrativa clara ao desfile. Um problema na composição de uma alegoria provocou a paralisação da escola por alguns minutos, mas, pelo conjunto apresentado, o incidente não deve tirá-la da briga pelo título. PORTELA - A Portela apresentou um desfile plasticamente muito bonito, embora tenha enfrentado problemas de acabamento nas alegorias que, assim como as fantasias, estavam excessivamente pesadas. Algumas delas tiveram contratempos antes e durante a apresentação, o que prejudicou seriamente a evolução da escola em determinados momentos. Entre os destaques positivos, as apresentações seguras de Zé Paulo e Vitinho merecem registro. Ambos tinham a dura missão de substituir Gilsinho e Nilo Sérgio, respectivamente, e corresponderam com competência e firmeza. A azul e branca acabou repetindo velhos erros e deve depender de tropeços das coirmãs para beliscar uma vaga no Desfile das Campeãs. Ainda assim, a missão de realizar uma apresentação digna, após um ano marcado por desfile pífio, mudanças e perdas, foi cumprida com louvor. Agora é rever o desfile de 2026 com atenção, corrigir as falhas e trabalhar para que os mesmos equívocos não se repitam no próximo carnaval. MANGUEIRA - A Estação Primeira de Mangueira fez um desfile seguro e consistente na maioria dos quesitos, mostrando organização e confiança ao longo da apresentação. A bateria veio mais cadenciada, possivelmente por causa do andamento do samba, o que deixou o desfile firme, mas sem tantos momentos de maior impacto. O enredo sobre Mestre Sacaca acabou se mostrando um pouco denso, o que dificultou a leitura de algumas alegorias e fantasias. O conjunto alegórico apresentou certa disparidade: enquanto algumas alegorias tinham mais impacto visual e melhor acabamento, outras pareceram mais simples, quebrando um pouco a unidade do desfile. O abre-alas também teve dificuldade para deixar a pista, o que causou transtornos na evolução e gerou pequenos momentos de compressão entre as alas. Ainda assim, a Mangueira praticamente garantiu vaga no Desfile das Campeãs, consolidando-se entre os destaques da primeira noite, ao lado da Imperatriz. MOCIDADE - A Mocidade Independente de Padre Miguel apresentou um desfile leve, colorido e de fácil comunicação. Com enredo sobre Rita Lee, a escola apostou em uma narrativa cristalina, direta e bem resolvida, destacando a irreverência, a liberdade criativa e a importância da artista para a música brasileira. As alegorias vieram bem acabadas e visualmente harmoniosas. As fantasias, simples, tinham leitura clara e ajudaram a contar a história sem excessos. O conjunto plástico funcionou de maneira coesa e dialogou bem com o público. O samba, considerado por muitos de gosto duvidoso, acabou rendendo na Avenida e foi sustentado com eficiência pela comunidade, garantindo boa evolução. Foi o melhor desfile da escola desde 2020 e também o melhor trabalho de Renato Lage desde 2017. A tendência é de subida em relação a 2025, com possibilidade real de ganhar posições e, eventualmente, beliscar uma vaga no Sábado das Campeãs. BEIJA-FLOR - A Beija-Flor de Nilópolis teve uma apresentação arrebatadora. Deixou girar e fez a Sapucaí virar macumba, em um desfile de impacto do início ao fim. Com plástica impecável, a escola impressionou pelo conjunto alegórico e pelo acabamento das fantasias. A comunidade cantou muito aquele que foi apontado como um dos melhores sambas de 2026, garantindo uma energia contagiante na avenida. Foi um desfile para não deixar dúvidas sobre o título de 2025. A azul e branca se coloca como candidatíssima ao bicampeonato. Quem quiser ganhar vai ter que ser melhor que o rolo compressor da Baixada — algo que, até o momento, não aconteceu. Missão muito difícil. VIRADOURO - A Viradouro fez um desfile marcado pela emoção do início ao fim. A comissão de frente trouxe o homenageado, Mestre Ciça, dando o tom afetivo que conduziu toda a apresentação. O
abre-alas trouxe um gigantesco leão representando o Morro de
São Carlos, visualmente impactante, embora com problemas de
acabamento. No segundo carro, o trem caipira, a escola levou para
a avenida Dominguinhos do Estácio, reforçando as
raízes e a ligação afetiva com a comunidade do
Estácio de Sá.
No terceiro carro, quem desfilou foi Paulo Barros, visivelmente emocionado no Setor 1, em uma das cenas mais fortes da noite.
A quarta alegoria fez referência às escolas defendidas por Ciça ao longo da carreira: Estacio de Sá, Unidos da Tijuca, Acadêmicos do Grande Rio e União da Ilha do Governador, além da própria Viradouro, com a presença de Beloba, irmão do mestre. O último carro fez menção ao desfile de 2007 e trouxe a própria bateria da Viradouro no alto da alegoria. Ciça abriu e também fechou o desfile, reforçando a ideia de ciclo, legado e pertencimento. Se emoção, ousadia e criatividade forem levadas em consideração pelos jurados, a Viradouro entra forte na briga pelo título. UNIDOS DA TIJUCA - A Unidos da Tijuca levou para a avenida a homenagem a Carolina Maria de Jesus com uma proposta de forte crítica social e tom coerente com a trajetória da escritora. Plasticamente, porém, o desfile apresentou problemas evidentes. As alegorias eram simples, com sérias falhas de acabamento e conceitos repetitivos. As fantasias oscilaram bastante: algumas vistosas e bem resolvidas, outras excessivamente simples. O samba, de tom mais triste, não ajudou no canto da escola e comprometeu a energia do conjunto. Ainda houve o fator comparativo: a agremiação passou logo após os “rolos compressores” da Beija-Flor de Nilópolis e da Unidos do Viradouro, o que tornou a tarefa ainda mais difícil. No geral, a escola deve brigar para permanecer no Grupo Especial. Pesa a seu favor justamente ter acertado no tom da crítica social, mantendo coerência e propósito no que se propôs a contar. TUIUTI -
A Paraíso do Tuiuti apresentou um primeiro setor imponente, todo
em branco, com carros acoplados que causaram impacto visual na
Sapucaí.
Destaque para o desempenho de Pixulé e e da bateria Super Som de Mestre Marcão, que ajudaram a sustentar o bom samba. Por outro lado, os demais carros — de dimensões menores — apresentaram problemas de acabamento, e algumas fantasias soltaram pedaços na avenida, o que comprometeu a plástica em determinados trechos. A evolução também foi irregular, com buracos que prejudicaram a fluidez do desfile. No conjunto, foi um desfile de altos e baixos, com força no início, mas que perdeu consistência ao longo da apresentação. VILA ISABEL - A Unidos de Vila Isabel fez uma apresentação arrebatadora em seu desfile em homenagem a Heitor dos Prazeres. A escola entregou tudo o que se espera de uma campeã do Grupo Especial. Alegorias e fantasias com impressionante riqueza de detalhes, acabamento primoroso e leitura fácil, compondo um conjunto plástico impactante do início ao fim. O samba, melhor do ano, funcionou perfeitamente. Foi cantado a plenos pulmões pelos componentes e pela arquibancada, embalado pela bateria do mestre Macaco Branco. Um desfile histórico, que beirou a perfeição e entra, sem dúvida, para a galeria das grandes apresentações da azul e branca do Boulevard 28 de Setembro. GRANDE RIO - A Acadêmicos do Grande Rio levou para a Avenida uma homenagem ao movimento Manguebeat em um desfile marcado pela superação, após um pré-carnaval conturbado. A escola se apresentou imponente em alegorias e fantasias, com estruturas grandiosas e visual impactante. No entanto, o enredo denso acabou dificultando a leitura. Houve excesso de informação em diversos momentos — e, nesse caso, menos teria sido mais. A paleta de cores também se mostrou confusa, prejudicando a unidade estética do conjunto. O samba não fluiu com a naturalidade desejada e comprometeu a comunicação com o público, que reagiu de forma mais contida do que o esperado. Não parece um desfile para brigar pelo título, mas a escola praticamente garantiu presença no Desfile das Campeãs, sustentada pela força plástica e pela garra demonstrada na Avenida. SALGUEIRO - O Salgueiro fecha o desfile pela primeira vez desde 1972 com muita emoção e sentimento de reencontro com sua própria história. A escola fez um verdadeiro passeio pelos carnavais da professora Rosa Magalhães, celebrando sua estética marcante com uma plástica imponente, mas ao mesmo tempo leve e de fácil leitura. O conjunto alegórico impressionou pela elegância e clareza visual, sem excessos, permitindo que o público entendesse cada setor com naturalidade. O Salgueiro desfilou solto, alegre, com brilho nos olhos. O samba, funcional, cumpriu bem seu papel e sustentou a evolução da escola ao longo da Avenida. Grande destaque para as paradinhas da bateria, que ousou ao incorporar o violino, criando momentos de emoção e sofisticação que dialogaram com o enredo. A escola se reencontra, reafirma sua grandeza e entra, com justiça, na briga pelo título — em um ano que apresenta quatro postulantes reais ao campeonato. | ||