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A SEGUNDA NOITE DE DESFILES DO GRUPO ESPECIAL 2026

A SEGUNDA NOITE DE DESFILES DO GRUPO ESPECIAL 2026

17 de fevereiro de 2026, nº 80

MOCIDADE - A Mocidade Independente de Padre Miguel apresentou um desfile leve, colorido e de fácil comunicação. Com enredo sobre Rita Lee, a escola apostou em uma narrativa cristalina, direta e bem resolvida, destacando a irreverência, a liberdade criativa e a importância da artista para a música brasileira.

As alegorias vieram bem acabadas e visualmente harmoniosas. As fantasias, simples, tinham leitura clara e ajudaram a contar a história sem excessos. O conjunto plástico funcionou de maneira coesa e dialogou bem com o público.

O samba, considerado por muitos de gosto duvidoso, acabou rendendo na Avenida e foi sustentado com eficiência pela comunidade, garantindo boa evolução.

Foi o melhor desfile da escola desde 2020 e também o melhor trabalho de Renato Lage desde 2017. A tendência é de subida em relação a 2025, com possibilidade real de ganhar posições e, eventualmente, beliscar uma vaga no Sábado das Campeãs.

BEIJA-FLOR - A Beija-Flor de Nilópolis teve uma apresentação arrebatadora. Deixou girar e fez a Sapucaí virar macumba, em um desfile de impacto do início ao fim.

Com plástica impecável, a escola impressionou pelo conjunto alegórico e pelo acabamento das fantasias. A comunidade cantou muito aquele que foi apontado como um dos melhores sambas de 2026, garantindo uma energia contagiante na avenida.

Foi um desfile para não deixar dúvidas sobre o título de 2025. A azul e branca se coloca como candidatíssima ao bicampeonato.

Quem quiser ganhar vai ter que ser melhor que o rolo compressor da Baixada — algo que, até o momento, não aconteceu. Missão muito difícil.

VIRADOURO - A Viradouro fez um desfile marcado pela emoção do início ao fim. A comissão de frente trouxe o homenageado, Mestre Ciça, dando o tom afetivo que conduziu toda a apresentação.

O abre-alas trouxe um gigantesco leão representando o Morro de São Carlos, visualmente impactante, embora com problemas de acabamento. No segundo carro, o trem caipira, a escola levou para a avenida Dominguinhos do Estácio, reforçando as raízes e a ligação afetiva com a comunidade do Estácio de Sá.

No terceiro carro, quem desfilou foi Paulo Barros, visivelmente emocionado no Setor 1, em uma das cenas mais fortes da noite.

A quarta alegoria fez referência às escolas defendidas por Ciça ao longo da carreira: Estacio de Sá, Unidos da Tijuca, Acadêmicos do Grande Rio e União da Ilha do Governador, além da própria Viradouro, com a presença de Beloba, irmão do mestre.

O último carro fez menção ao desfile de 2007 e trouxe a própria bateria da Viradouro no alto da alegoria. Ciça abriu e também fechou o desfile, reforçando a ideia de ciclo, legado e pertencimento.

Se emoção, ousadia e criatividade forem levadas em consideração pelos jurados, a Viradouro entra forte na briga pelo título.

UNIDOS DA TIJUCA - A Unidos da Tijuca levou para a avenida a homenagem a Carolina Maria de Jesus com uma proposta de forte crítica social e tom coerente com a trajetória da escritora.

Plasticamente, porém, o desfile apresentou problemas evidentes. As alegorias eram simples, com sérias falhas de acabamento e conceitos repetitivos.

As fantasias oscilaram bastante: algumas vistosas e bem resolvidas, outras excessivamente simples. O samba, de tom mais triste, não ajudou no canto da escola e comprometeu a energia do conjunto.

Ainda houve o fator comparativo: a agremiação passou logo após os “rolos compressores” da Beija-Flor de Nilópolis e da Unidos do Viradouro, o que tornou a tarefa ainda mais difícil.

No geral, a escola deve brigar para permanecer no Grupo Especial. Pesa a seu favor justamente ter acertado no tom da crítica social, mantendo coerência e propósito no que se propôs a contar.

Cláudio Carvalho
claudioarnoldi@hotmail.com