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SÉRIE OURO 2026: SEGUNDA NOITE MAIS EQUILIBRADA E DISPUTA ABERTA PELO TÍTULO

SÉRIE OURO 2026: SEGUNDA NOITE MAIS EQUILIBRADA E DISPUTA ABERTA PELO TÍTULO

15 de fevereiro de 2026, nº 78

A segunda noite de desfiles da Série Ouro começou com cerca de vinte minutos de atraso, em razão de problemas na concentração e ajustes de som. Diferentemente da véspera, a oscilação entre as escolas foi menor e o nível geral mais alto, com pelo menos três e talvez quatro postulantes reais ao título, o que deve tornar a apuração especialmente acirrada.

Abrindo a noite, o Botafogo Samba Clube mostrou-se disposto a apagar a má impressão deixada no ano anterior, quando terminou em décimo primeiro lugar em sua estreia na Série Ouro. Em um desfile colorido, curioso para uma agremiação alvinegra, apresentou um conjunto de alegorias e fantasias bastante honesto e um belo samba em homenagem a Roberto Burle Marx. Pelo que apresentou, não deve passar sufoco na apuração.

Apesar dos problemas de evolução, com buracos e correria, além de fantasias incompletas, a Em Cima da Hora fez história com o enredo sobre as pomba giras, naquela que pode ser considerada sua melhor apresentação no atual formato da Série Ouro. A injeção financeira do patrono Vinicius Drummond alçou a escola de Cavalcante a outro patamar. Destaque para o samba enredo, o melhor do grupo, para a bateria e para o trabalho do carnavalesco Rodrigo Almeida, que apresentou uma releitura da Pietà, de Michelangelo, sob a perspectiva da crítica à intolerância religiosa.

Uma escola feminina. Assim pode ser definido o Arranco do Engenho de Dentro, que, além de contar com presidente e vice mulheres e forte presença feminina nos segmentos, homenageou a palhaça negra Xamêgo. O desfile, embora muito bonito e leve, não empolgou. Algumas alas não cantaram, e a escola deixou a sensação de pisar fofo na avenida.

Homenageando a imortal Conceição Evaristo, o Império Serrano apresentou um desfile forte na plástica e consistente no chão, agregando ainda o quesito emoção, que começou já no esquenta, com sambas históricos. Mesmo com fantasias simples e alguns problemas de acabamento, a verde e branca da Serrinha se credencia à briga pelo título. Ainda assim, o final foi tenso houve correria nos últimos setores para evitar o estouro de tempo, e a última alegoria apresentou problemas, podendo custar décimos importantes, especialmente às vésperas do carnaval de seus oitenta anos, que será celebrado em 2027.

A Estácio de Sá homenageou Tata Tancredo em um enredo necessário, sobretudo em tempos de palco gospel na festa que ele ajudou a criar. Com um início impactante, a vermelho e branca do Morro de São Carlos empolgou, mas patinou quando a terceira alegoria engasgou, abrindo um buraco no Setor 1. O erro pode custar décimos preciosos. Durante o desfile, chegou Serginho do Porto, vindo de apresentação na Águia de Ouro, reforçando o carro de som.

Com Berenguendéns e Balangandãs, de Leandro Vieira, a União de Maricá reafirmou suas credenciais de postulante ao Grupo Especial com uma plástica exuberante e acabamento primoroso. No entanto, o desfile foi marcado por um grave acidente uma das alegorias apresentou problema estrutural e deixou cinco pessoas feridas, uma delas em estado grave. Além disso, outra alegoria atravessou a avenida sem iluminação, e a escola ainda estourou o tempo regulamentar em dois minutos. Episódios que evidenciam que, apesar do investimento e do luxo apresentados, a agremiação ainda relativamente nova na elite da Série Ouro segue pagando o preço da pouca experiência. Fica o registro de solidariedade aos feridos e o desejo de pronta recuperação.

A Unidos do Porto da Pedra encerrou sua trilogia iniciada em 1997, loucos, ladrões e prostitutas, mas deixou a desejar, com plástica de gosto duvidoso. Pesou contra ela também o fato de desfilar depois de três candidatas ao título.

Encerrando a noite, já com o dia claro, a Unidos da Ponte trouxe o funk para a avenida, num desfile para meio de tabela.

No balanço final, Unidos de Padre Miguel, Império Serrano, Estácio de Sá e União de Maricá aparecem como principais concorrentes ao título, com ligeiro favoritismo para a Unidos de Padre Miguel, pelo conjunto mais seguro apresentado ao longo do desfile. Ainda assim, o equilíbrio é evidente, e qualquer detalhe pode definir o acesso. Logo atrás, também devem figurar Inocentes de Belford Roxo, União da Ilha do Governador e Em Cima da Hora.

Do meio para baixo tendem a aparecer União do Parque Acari, Unidos de Bangu, Botafogo Samba Clube, Arranco do Engenho de Dentro, Unidos do Porto da Pedra e Unidos da Ponte, com a Acadêmicos de Vigário Geral correndo mais riscos ao lado da praticamente rebaixada Unidos do Jacarezinho.

Apesar do bom nível técnico apresentado pelas escolas, é impossível ignorar que o desfile da Série Ouro começou e terminou com acidentes preocupantes. Não é a primeira vez que ocorrências desse tipo marcam a divisão de acesso. Que os episódios sirvam de alerta para que providências efetivas sejam tomadas, garantindo mais segurança a componentes e profissionais e evitando que situações semelhantes voltem a se repetir.


Cláudio Carvalho
claudioarnoldi@hotmail.com