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Coluna do Cláudio Carvalho

APURAÇÃO PARALELA 2015

16 de março de 2015, nº 36, ano XII

Todo pós-carnaval é acompanhado de discussões acaloradas sobre quem ganhou, quem perdeu, etc... Em 2015, não foi diferente. Sempre dei pitacos antes e depois do desfile, baseado nas apresentações em si e, sobretudo, nos bastidores. Desta vez, resolvi tentar ser o mais justo possível, e dar notas para cada escola em cada quesito, a fim de saber se a campeã seria a mesma que a oficial ou minha favorita. O resultado foi surpreendente. Vejam:

Colocação Final

1º Imperatriz Leopoldinense
2º Grande Rio
3º Unidos da Tijuca
4º Portela
5º Salgueiro
6º São Clemente
7º Beija-Flor
8º Mocidade
9º Vila Isabel
10º União da Ilha
11º Mangueira
12º Viradouro

Procurei fazer a avaliação conforme o regulamento. Minhas notas variam entre 9.5 e 10, com a ressalva de que dou a menor nota quando considero que a escola foi péssima no quesito, 9.6 quando foi ruim, 9.7 quando regular, 9,8 se boa, 9.9 muito boa e, finalmente, 10 se tiver sido excelente. Eis meu mapa completo:



Vamos aos quesitos:

HARMONIA: Nesse quesito, apenas metade das escolas (Salgueiro, São Clemente, Portela, Beija-Flor, Imperatriz e Tijuca) mereciam nota máxima. As primeiras escolas de domingo foram muito prejudicadas pela forte chuva, diga-se de passagem.

FANTASIAS: Salgueiro, Portela, Beija-Flor e Tijuca foram, sem dúvida, as que trouxeram o melhor conjunto de fantasias. São Clemente e Imperatriz perdem pontos na minha avaliação, porque não apresentaram estética à altura do chão do desfile. Mangueira, Vila Isabel e Viradouro apresentaram-se plasticamente abaixo da crítica, sobretudo a última, que terminou o desfile com pouquíssimas fantasias completas.

ALEGORIAS & ADEREÇOS: Apenas Salgueiro, Beija-Flor e Tijuca receberiam dez. A Portela estava linda, mas pecou em iluminação e acabamento. Além disso, o conjunto alegórico deixou a desejar a partir do terceiro carro.

MS e PB: Neste quesito, onde dois componentes podem ganhar ou perder o carnaval, acho injusto pesar a mão. O casal da Mocidade foi prejudicado pela coreografia da comissão de frente. A Portela, que perdeu pontos no quesito ano passado, voltou a incorrer no erro.

COMISSÃO DE FRENTE: Que seja dito, este quesito, cada vez mais, se descaracteriza em seu fundamento de apresentar a escola, e assume aspectos de apresentação teatral. De modo que, pela minha avaliação, apenas Salgueiro e Grande Rio mereceram a nota máxima, a despeito do aspecto um tanto quanto pirotécnico de ambas as comissões.

SAMBA-ENREDO: O quesito que mais me interessa. O grande samba do carnaval era da Imperatriz. Um samba cadenciado, que manteve o ritmo durante todo o desfile. Beija-Flor e Portela vinham logo depois. A escola nilopolitana voltou aos velhos padrões, e deixou uma sensação de deja vu. Já a Portela trouxe um samba valente, mas que pecava no encaixe entre letra e melodia. Além disso, houve variações na cadência ao longo do desfile. Salgueiro e Ilha deixaram a desejar em 2015, a despeito do primeiro ter sido bem avaliado pelo júri oficial.

BATERIA: Salgueiro, Grande Rio, Portela e Tijuca foram os destaques, principalmente a última, na minha opinião, a melhor. Ciça não foi bem em sua estreia na Ilha. Há quem questione se ainda é o mesmo de tempos idos. A chuva também castigou a cadência e o andamento das primeiras escolas de domingo.

ENREDO: Outro quesito cada vez mais descaracterizado, neste caso, pelo dinheiro. Ponto pra Vila, São Clemente e Imperatriz, que acertaram na escolha. A Portela falou sobre a cidade do Rio de Janeiro pela terceira vez em cinco anos. Tudo bem que foi o carnaval dos 450 anos, mas é hora de mudar o foco. Beija-Flor merecia perder pontos porque teve o desfile financiado por uma ditadura sanguinária, e retratou uma África totalmente diferente da que se encontra naquele país.

EVOLUÇÃO: Apenas São Clemente, Imperatriz e Tijuca mereciam nota máxima. Salgueiro correu, Beija-Flor abriu buraco e a Portela perdeu muito tempo com as apresentações da comissão de frente e com a descida da águia na torre de televisão. Novamente, as primeiras escolas de segunda foram as mais prejudicadas.

Quando a Imperatriz foi anunciada como melhor escola, achei que fosse prêmio de consolação, mas depois vi que o júri do Estandarte de Ouro não estava errado. Curioso é que ela ganharia no desempate da Grande Rio (sempre ela), e da Tijuca, que, na minha opinião, fez o melhor desfile. Esse texto me mostrou que só no papel de jurado é que podemos julgar de fato o que acontece numa apuração, e que as eventuais surpresas, muitas vezes, se justificam com um olhar mais criterioso. No fim das contas, acho que meu resultado ficou mais justo que o oficial, e parabéns à Imperatriz pelo título da minha primeira apuração paralela, a qual, provavelmente, seguirão outras...


Cláudio Carvalho
claudioarnoldi@hotmail.com