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23 de junho de 2026, nº 117 Leia as colunas anteriores de Carlos Fonseca TUDO COMEÇOU POR 1989...
'A Unidos do Viradouro chega aos seus 80 anos de fundação nesta quarta-feira, 24, dia de seu padroeiro São João Batista, com o cenário mais belo que podia projetar: campeã do carnaval, dona de três dos últimos seis campeonatos, potência da década e com o status de “escola a ser batida” na atualidade. Mas a história de conquistas da vermelha e branca pelo outro lado da Guanabara começou por um campeonato quase nunca lembrado: 1989. '
Casal de mestre-sala e porta-bandeira da Viradouro durante o desfile de 1989 na Avenida Rio Branco (Foto: Reprodução/Acervo O Globo)
O histórico ano comumente lembrado como “o carnaval que não terminou”, de sambas marcantes, de desfiles históricos no naipe de “Festa Profana” da União da Ilha, do consagrado “Liberdade! Liberdade!” que levou a Imperatriz ao campeonato e, sobretudo, do clímax de “Ratos e Urubus” da Beija-Flor de Joãosinho Trinta foi o mesmo em que, um tanto longe da Sapucaí, a Viradouro fazia sua estreia pelo então Grupo 3. Até aqui sua única passagem pela terceira divisão, pelo melhor dos motivos. Fique aqui que vamos contar essa história. Era o quarto ano da agremiação de Niterói nos desfiles do solo carioca (e por ventura, na Avenida Rio Branco), desde que deixou pra trás a folia de sua terra-mãe. E desde 88, quando ascendeu do quarto para o terceiro grupo, passou a contar com os serviços de Júlio Mattos (1931-1994), carnavalesco multicampeão pela Mangueira. Pelas mãos dele, foi desenvolvido o enredo “Mercadores e Mascates”, que contava a história da compra e venda no Brasil, lembrando a passagem dos mascates por Minas Gerais e pela Bahia nos áureos tempos da exploração do ouro e do pau-brasil e, também, falando de produtos como a madeira, a cana-de-açúcar, o café e o ouro. Embalada pelo samba assinado por Gilberto Barros, Mário Silva, Odair Conceição, Nilo da Bahia e Charuto (segundo os arquivos da época obtidos pela coluna, junção de duas parcerias), atrás de seu terceiro acesso consecutivo. Quarta escola a desfilar pela Avenida Rio Branco na noite de 5 de fevereiro de 1989, com direito até a presença da cantora Alcione (então madrinha da escola), a Viradouro apresentou, nas palavras do Jornal O Globo, “uma das melhores evoluções da madrugada de segunda-feira. [...] Emocionado com a luxuosa escola de Niterói, o público da Rio Branco aplaudiu de pé a bateria e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Jorginho e Dina. Os carros alegóricos também foram aplaudidos, principalmente o que representava um chafariz”. Porém, ainda segundo a análise, um contratempo quase colocou tudo a perder: “O luxo, o samba no pé e o talento do carnavalesco Júlio Mattos, da Mangueira, quase foram prejudicados, no entanto, pela má colocação da bateria que deixou as últimas alas dançando sem som”. Não seria o único momento tenso. Aquela noite de carnaval, inclusive, começou com um protesto do Cacique de Ramos (responsável pela abertura dos desfiles) contra a Riotur por não conseguir evoluir na pista dada a quantidade de bicões que vinham das arquibancadas e espremiam os desfilantes – nada muito diferente do que já aconteceu em tempos modernos. Mas o desfile passou. E, aclamada pelas arquibancadas, a Viradouro ganhou. Campeã do Grupo 3 com 214 pontos, quatro a mais do que a vice-campeã, a então estreante Acadêmicos do Grande Rio. As duas bandeiras subiram juntas para debutar na Marquês de Sapucaí em 1990. “A festa da vitória, que reuniu milhares de pessoas na quadra do Barreto, só terminou no início da manhã de anteontem e os diretores da escola, que está comemorando 50 anos de fundação [um ato falho da reportagem, a escola só completaria seu cinquentenário em 1996], disseram que já estão pensando no próximo enredo”, estampou as páginas de O Globo na sexta-feira após o carnaval. Por essas coincidências da folia: Viradouro e Grande Rio repetiram a dose, subiram juntas e estrearam juntas no Grupo Especial em 1991. Dali pra frente, a Viradouro construiu sua história na Sapucaí que hoje se consolida vitoriosa. São quatro títulos no Grupo Especial (1997, 2020, 2024 e 2026), somados aos três na Série Ouro – além de 90, 2014 e 2018. Mas tudo começou por 1989.
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Carlos Fonseca | ||