SOBRINHO |
Nome completo: Fábio Crispiniano do Nascimento
Ano de nascimento: 1951
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| O paradeiro de uma das vozes mais marcantes do carnaval estava indefinido, mas o puxador Sobrinho simplesmente estava no aguardo por um convite para voltar a cantar em algum carro de som na Marquês de Sapucaí. E o convite foi feito: defenderá a União da Ilha no próximo carnaval. Intérprete de voz marcante, dono de um timbre de voz peculiar e uma imagem impagável (alto e magro, usava óculos com lentes "fundo de garrafa" e tinha uma vasta cabeleira black-power), o cantor foi marca registrada da ascensão da Unidos da Tijuca na primeira metade dos anos 80. O jovem Sobrinho cantava em blocos carnavalescos até que lá pelos idos de 1973 foi descoberto pelo compositor mangueirense Tolito, que o levou para a Estação Primeira. Ao chegar na Verde e Rosa, Sobrinho passou a ser o crooner da quadra e teve que aprender, de saída, mais de 20 sambas de terreiro da escola para animar os ensaios. "Sou capaz de cantar cerca de 200 sambas de terreiro da Mangueira. Canto coisas que nem seus próprios compositores se lembram", diverte-se o intérprete. O apelido veio através de Tolito e do intérprete Jamelão. O novato Fábio não tinha carteira da Mangueira e o pessoal da escola estava demorando muito para confeccionar. Um certo dia, ele chegou na quadra da verde e rosa acompanhando o Tolito que, na entrada, falou: "Ele é meu sobrinho". O Jamelão também o apresentava como seu sobrinho. Seu primeiro registro de voz num disco de samba enredo ocorreu em 1975, quando gravou "Imagens poéticas de Jorge de Lima", de autoria de seu padrinho Tolito (junto com Delson e Mozart). No entanto, isso não lhe garantiu lugar no carro de som da Manga, cativo apenas para Jamelão e Zagaia. No ano seguinte, Sobrinho se transferiu para o Império Serrano. No disco e na quadra da Serrinha, deu voz ao samba "Lenda das sereias do mar". Momentos antes de começar o desfile, com a escola já armada, o puxador foi barrado pelo titular Roberto Ribeiro, que se recusou a dividir o microfone com o novato. "O samba fazia sucesso com a tonalidade com que eu gravei a faixa no LP. Roberto cantou uma oitava abaixo e a escola não reconheceu o samba, que não teve um bom desempenho na avenida", lamenta. Sobrinho ficou alguns anos ausente das gravações e ressurgiu em 1981, já contratado como cantor principal da Unidos da Tijuca, onde permaneceu durante quatro anos, tornando-se marca registrada da escola do morro do Borel naquele período. Paralelamente à Unidos da Tijuca, Sobrinho também puxava sambas na hoje extinta Unidos de Bangu. Desde 81, também, participa do carnaval de Manaus. Por indicação do falecido puxador Ney Vianna, seu amigo, foi contratado para cantar na Mocidade Independente de Aparecida. A escola manauense é afilhada da Mocidade de Padre Miguel. Após o carnaval de 1984, foi contratado pela Unidos de Vila Isabel, em substituição a Marcos Moran. Sobrinho chegou a gravar no disco de 1985 o samba "Parece que foi ontem". No entanto, semanas antes do desfile fora dispensado pela Vila. Logo em seguida, conseguiu guarita na Imperatriz Leopoldinense, como apoio de Preto Jóia, para cantar "Adolã, a Cidade-Mistério". Sobrinho ressurgiu novamente em 1987, para defender a Tupy de Brás de Pina, no Grupo 2-A. Cantou na Tupy em 87 e 88. E o bom filho à casa retornou. Em 1989, de volta à Manga, passou a compor o grupo de cantores auxiliares do mestre Jamelão. Já no retorno à verde e rosa, ajudou a cantar "Trinca de reis", em homenagem aos três "reis das noites cariocas" - Walter Pinto, Carlos Machado e Chico Recarey. Seu caco mais marcante naquele samba (considerado por especialistas como um dos mais fracos da história da Mangueira) ocorreu no verso "mas hoje/ tem o Chico Recarey" e Sobrinho castigava, com seu vozeirão: Re-ca-rey... realmente, um momento histórico e hilário nos discos de samba enredo. Em seguida, foi
contratado para ser a voz da Acadêmicos de Santa Cruz,
onde ficou de 91 a 93. Em 94, deu-se a sua terceira volta
à Mangueira. A escola, aliás, naquele ano, contou com
um naipe de intérpretes poucas vezes reunido. Como se
não bastasse a condução do sr. José Bispo Clementino
dos Santos, o grupo de apoio que cantou "Atrás da
verde e rosa só não vai quem já morreu", era
formado por Sobrinho, Rixxa, Eraldo Caê (que durante
mais de uma década estava sendo preparado para ser o
substituto de Jamelão) e David Corrêa, um dos
compositores do samba. |
| Início: meados dos anos 70, na Estação Primeira de Mangueira. Também passou pelo Império Serrano. 1975 - Mangueira (apenas no disco) GRITO DE
GUERRA: Alô,
meu povão (nome da escola)! Vai meu rrrrritmo! CACOS CARACTERÍSTICOS: lindo, lindo; diz!; minhas baianas; ó; deixa comigo; vai; que beleza de ritmo; que é que tem?; diz de novo; no gogó; diga lá, diga lá; que bonito; Re-ca-rey. |
MAIS FOTOS DE SOBRINHO
Sobrinho (de camisa vermelha) em 2006 na quadra da União da Ilha e dando um beijo em Ito Melodia (fotos enviadas por Igor Munarim)
Sobrinho cantando com Jamelão o samba da Mangueira no desfile de 1994. Fotos by Rixxa Jr. |