Coluna "Quesito Bateria"
Esta coluna é atualizada regularmente por Ewerton Fintelman e Bruno Guedes

BATUQUE COR DE ROSA
por Bruno Guedes

Elas estão presentes nas alas de baianas como figura obrigatória, na representação maior do sambista, a Porta-Bandeira, que traz o pavilhão da escola e algumas até no carro de som... Mas é justamente num espaço antes só freqüentado por homens que elas começam a crescer, a bateria.

Primeiro foi no chocalho, onde vimos naipes de algumas agremiações exclusivamente formado por mulheres. Depois elas deram “um passo para trás” e começaram a tomar conta dos tamborins, ainda que em menor número. Agora elas avançam em larga escala para outros naipes como os de caixa, repique, surdo e até na direção de bateria! Sim, elas vieram pra ficar, ainda bem. Atualmente o número de mulheres nas baterias tem sido cada vez maior, em todos os naipes.

Até a mais tradicional agremiação rendeu-se ao swing do sexo frágil. A Estação Primeira de Mangueira depois de 79 anos abriu suas portas para elas dominarem instrumentos no ritmo da Surdo Um e, desde 2007, com a idéia do então Presidente da Bateria Ivo Meirelles, as mulheres são ritmistas na Verde e Rosa. Entre elas está uma simpática figura no qual tive o prazer de conhecer em 2005, no Paraíso do Tuiuti, a Cláudia. Uma pessoa maravilhosa e excelente ritmista, capaz de segurar o ritmo no chocalho como poucas. No mesmo ano também conheci outra ritmista, mas essa não era simplesmente mais uma entre tantas que figuram no meio rítmico. Quando pegava para tocar o surdo de 2ª, muito marmanjo olhava de lado ou com receio para aquela francesa de alma brasileira. Exatamente, francesa. Com sotaque e tudo, lá ia a Celine com o surdão nas mãos e ritmo na veia. E não bastando tudo isso, era uma das melhores “marcadoras” da Oficina Tamborim Sensação e do Paraíso do Tuiuti, mulher de confiança do Mestre Claudinho na bateria. Ah sim, também tocava tamborim e caixa...

E elas estão indo além... Na Águia de Ouro, escola de samba paulistana do bairro da Pompéia, quase 30% dos ritmistas são mulheres e há também, uma bateria exclusivamente feminina. Idéia do Mestre Juca e das muitas moças que garantem a nota máxima para a escola há anos. São Paulo é onde está a maior concentração de mulheres em bateria, seja qual for o naipe, lá estão elas em grande número.

Na Mocidade Independente de Padre Miguel há outro exemplo de que lugar de mulher, também é no coração da escola. Aline é diretora de tamborim da Bateria Nota Dez há quatro anos. Para quem acha pouco, aí vai uma observação: essa responsabilidade lhe foi dada pelo Mestre Jonas, atual diretor geral de bateria da Mocidade e considerado por muitos como um dos melhores diretores de tamborim que o Rio já teve.

Mas porque tantas mulheres nas baterias? O fato é simples, elas conquistaram independência no trabalho, em casa, na política e agora no samba. Muitas vão para o samba sozinhas, sem a preocupação ou obrigação de acompanhar o namorado, noivo, marido e etc. e assim somente. A figura da passista que “quebra tudo” e joga corações apaixonados no chão com seus gingados, também não é mais o exclusivo fascínio das meninas. Hoje elas querem mostrar que podem sim fazer parte de algo de extrema importância, como a bateria de uma escola de samba.

Outro importante fator são as diversas escolinhas de ritmos espalhadas pelo Rio de Janeiro e São Paulo, além das próprias oficinas desenvolvidas nas agremiações. Tornou-se um trampolim para que elas chegassem ao ritmo de suas comunidade.

Se você é mulher e também sentiu que pode fazer parte desse seleto grupo, procure uma oficina e venha fazer um batuque com todos nós, porque será muito bem recebida!

Para quem quiser maiores informações de como ingressar numa bateria, aí vão algumas dicas de excelentes oficinas:

Tamborim Sensação:

Na quadra do Arranco do Engenho de Dentro, localizada na rua Adolfo Bergamini 196, ao lado da Estação de Trem do bairro. Todos os sábados a partir das 14 horas.

http://www.tamborimsensacao.com.br

Batuque de Bamba:

Na Quadra da Vizinha Faladeira que fica na Praça Marechal Hermes 63 - Santo Cristo, junto à Rodoviária Novo Rio. Todos os sábados a partir das 16 horas.

Ou então na sua escola de samba mais próxima.

Só Tamborins:

Na Quadra da Lapa, no Centro do Rio de Janeiro. Todas às segundas, a partir das 19 horas. Procurar pelo Alexandre.

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Aproveito o espaço e deixo aqui meus parabéns ao Mestre Ricardinho pelo seu aniversário no último dia 1ª de julho. Vencedor de dois prêmios S@mbanet de melhor bateria (Tuiuti em 2006 e Arranco em 2007) e considerado por muitos como a maior revelação entre os mestres, foi com ele que aprendi a tocar um instrumento e hoje realizo o sonho de desfilar.

Valeu Mestre, muitos anos de vida.

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Na última segunda-feira, dia 30/6, foi sorteada a ordem de desfile do Grupo Especial. Mestre Odilon, da Grande Rio, após saber que seria a segunda escola de domingo na Sapucaí, deu uma declaração que me deixou curioso. “Como seremos uma das primeiras a desfilar e depois de nós ainda terá muito ‘bicho grande’, vamos trazer algo novo em termo de paradinha. Já avisei até ao meu Diretor Dugás, que tenho algo na cabeça preparado para o ensaio e como será. Ele riu e me chamou de louco.” – declarou o Mestre à rádio Manchete.

É aguardar... e admirar. 

Um abraço a todos!

Ewerton Fintelmann
etho_vp@globo.com

Bruno Guedes
bruno_guedes1986@yahoo.com.br

Eis as colunas publicadas no SAMBARIO:

.:EDIÇÃO PILOTO

.:TENDÊNCIAS

.:ANÁLISE DAS BATERIAS EM 2008

.:"E POR FALAR EM SAUDADE..."

.:DA BATUCADA À BARULHADA