OSWALDO NUNES |
Ano de nascimento: 1930
Ano de falecimento: 1991
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O cantor e compositor Oswaldo Nunes ficou conhecido nacionalmente por ter sido, durante anos a fio, a voz do Bloco Carnavalesco Bafo da Onça. Quando criança não chegou a conhecer os pais e foi criado em instituições de caridade. Foi baleiro, engraxate e camelô, além de artista ambulante. Já maior de idade, enveredou pela marginalidade até que, freqüentando escolas de sambas e blocos de carnaval, acabou por enveredar pela carreira artística. Começou compondo sambas na década de 1950, para cantoras como Leny Eversong e Dalva de Andrade. Em 1962, gravou seu primeiro disco, pelo selo pernambucano Mocambo. Ainda nesse ano, juntamente com o Bafo da Onça gravou aquele que seria seu maior sucesso, a batucada Oba (Nessa onda que eu vou/ nessa onda, iaiá/ é o Bafo da Onça/ que acabou de chegar), que continuou a embalar os desfiles do bloco nas décadas seguintes e que se tornou o hino oficial da agremiação. O bloco carnavalesco Bafo da Onça foi fundado em 1956, por Sebastião Maria, um carpinteiro que era da polícia. Segundo a história oficial, Tião era figura notória naquela época, por sair no carnaval de rua fantasiado de onça e bebia muito. Durante um desses porres, num boteco no bairro do Catumbi, é que surgiu o nome do bloco. Na década de 60, o Bafo da Onça reunia cerca de 1,5 mil pessoas na Avenida Rio Branco, por onde passa até hoje. No final da festa, havia a apresentação das mulatas, oportunidade em que o empresário Oswaldo Sargentelli ia buscar as moças para fazer shows. E a voz (e a alma) do Bafo era Oswaldo Nunes. O sambista gravou pra o carnaval de 1965, o do quarto centenário do Rio de Janeiro, as marchas A dança da pulga, de sua autoria e Pernambuco, e Saudações ao Rei Momo, de sua autoria. Nesse ano, fez grande sucesso com a marcha Na onda do berimbau, de sua autoria, cujos versos diziam: ("Na onda do berimbau, berimbau, quero brincar o carnaval, o carnaval/Bate com a mão, bate com o pé/Que o samba virou candomblé"), que alcançaram grande aceitação popular. No carnaval de 1968, destacou-se com a marcha Voltei. Na segunda metade da década de 1960, apresentou-se em shows acompanhado do grupo The Pop's, com o qual gravou em 1969 o LP "Tá tudo aí". Em 1970, obteve o segundo lugar no IV Festival de Músicas de Carnaval com o samba Não me deixes, de sua autoria em parceria com Milton de Oliveira e Helton Menezes. Em 1971, sagrou-se tricampeão do Concurso Oficial de músicas de carnaval da Guanabara promovido pela Secretaria de Turismo da Guanabara, TV Tupi e jornais O Dia e A Notícia, com o samba Saberás, parceria com R. Gerardi. Oswaldo Nunes foi o autor da maioria dos sucessos do Bafo da Onda entre o início dos anos 60 até meados da década de 70. Numa ocasião, Nunes brigou com a diretoria da agremiação e acabou sendo substituído pelo jovem puxador Dominguinhos do Estácio, oriundo da escola de samba Unidos de São Carlos que cantou por dez anos no bloco. Numa dessas brigas, Oswaldo Nunes gravou e defendeu o samba Recordar é viver, da Independentes de Cordovil no carnaval de 1976. Em 1978, lançou o LP Ai, que vontade, no qual interpretou os sucessos Dança do bole bole (João Roberto Kelly) e Ai, que vontade (Dão e Beto Sem Braço).
O cantor foi assassinado misteriosamente em seu
apartamento no Rio de Janeiro em 1991. Onze anos depois,
a Justiça deu a sentença do espólio do cantor. Em
testamento, o sambista deixou um apartamento e todos os
seus direitos autorais para o Retiro dos Artistas, no
Rio. |
INÍCIO: Bloco Carnavalesco Bafo da Onça, no início da década de 60Discografia: Sambas de sua autoria: "Ôba"; "Virou bagunça"; "Samba do saci"; "Chorei chorei"; "Ziriguidum do pirata"; "Alô meu bem"; "Lar vazio"; "Nunca mais"; "Catumbi agradece" e "Na onda do berimbau". |
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