ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA

FUNDAÇÃO  28/04/29
CORES  Verde e Rosa
QUADRA  Rua Visconde de Niterói, 1072
Mangueira
20943-001
Telefone: 2567-4637
Fax: 3872-6786
BARRACÃO  Rua Rivadávia Correa, 60
Barracão 13
Cidade do Samba - Gamboa
20220-290
Telefone: 2518-8327
Fax: 2518-8327

RESULTADOS - SAMBAS-ENREDO

HISTÓRICO

Uma das mais tradicionais e populares escolas de samba do Rio de Janeiro, a Estação Primeira de Mangueira foi fundada em 1928, por Euclides, Satur (Saturnino Gonçalves), Massu (Marcelino José Claudino), Pedro Paquetá, Abelardo da Bolinha, Cartola e Zé Espinguela, em uma reunião no famoso Buraco Quente, a principal via de acesso ao morro. No entanto, os documentos oficiais datam a criação da escola em 1929.

A Estação Primeira de Mangueira nasceu da fusão dos blocos: Dos Arengueiros (um bloco carnavalesco formado na década de 20 pelos sambistas das redondezas, que desfilava entre o morro e a Praça Onze), Tia Tomásia, Tia Fé, Senhor Júlio, Mestre Candinho e, ainda, o Rancho Príncipe das Florestas. Suas cores, verde e rosa, foram sugeridas por Angenor de Oliveira, o Cartola, que se inspirou num rancho existente nas Laranjeiras, o Rancho dos Arrepiados. Já o saudoso Juvenal Lopes informava que o nome Estação Primeira de Mangueira foi dado por causa de um samba de Cartola, intitulado Chega de demanda. A expressão "Estação Primeira", que antecedem a palavra Mangueira, foi adotada por ser a Mangueira, na época, a primeira estação da linha de trem, a partir da Central do Brasil, onde havia samba, partindo-se da gare de D. Pedro II. Por outro lado, alguns dizem que o nome Mangueira foi por causa de uma fábrica de chapéus no bairro, ou, até mesmo, devido à quantidade de mangueiras que existiam no morro. E na bandeira as cores eram verde e grená do Fluminense Football Club, o time de coração de Cartola.

O primeiro mestre-sala da agremiação foi Mansur. Foi a primeira escola a definir as cores. Introduziu nos desfiles, primeiramente, o pandeiro oitavado. Mantém até hoje somente uma única marcação, costume vindo desde a fundação da escola, quando Lúcio Pato tocava o surdo de 1ª que caracterizava tal marcação (sem resposta). Criou a primeira "ala de compositores" das escolas de samba.

Em 1929, a Mangueira participou do primeiro concurso entre escolas de samba da história do carnaval carioca. O concurso reuniu três agremiações: Portela, Deixa Falar e Mangueira. O único júri era o mangueirense Zé Espinguela, que deu a vitória ao samba do portelense Heitor dos Prazeres. O primeiro desfile oficial das escolas de samba, organizado em 1932 na Praça Onze, foi vencido pela Mangueira com o enredo "Floresta", de Cartola e Carlos Cachaça. Desde então a verde-rosa é presença constante nos desfiles do Rio de Janeiro, nunca tendo disputado o segundo grupo.

Alguns enredos entraram para a história do carnaval, como o de 1973, "Lendas do Abaeté"; 1984, "Yes, nós temos Braguinha", por ocasião da inauguração do Sambódromo no Rio de Janeiro; ou 1986, quando o enredo "Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm" sagrou-se campeão com todas as notas dez e apenas um nove (no quesito alegorias e adereços). Outros campeonatos vencidos foram os de 1998 com o enredo "Chico Buarque de Mangueira", juntamente com a Beija-Flor, e o de 2002, com o enredo "Brasil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S é Nação do Nordeste". De sua fundação até hoje, a Estação Primeira faturou 17 vezes o carnaval.

RESULTADOS DA ESCOLA

1929

Chega de Demanda e Beijos

Diretoria

 

1930

Linda Demanda e Eu Quero Nota

Diretoria

 

1931

Jardim da Mangueira

Diretoria

 

1932 - 1ª no Grupo 1

A Floresta e Sorrindo

Diretoria

 

1933 - 1ª no Grupo 1

Uma Segunda-feira do Bonfim na Bahia

Diretoria

 

1934 - 1ª no Grupo 1

Divina Dama e República da Orgia

Diretoria

 

1935 - 2ª no Grupo 1

O Regresso de uma Colheita na Primavera

Diretoria

 

1936 - 2ª no Grupo 1

Não quero mais amar a ninguém

Diretoria

 

1937 - 3º no Grupo 1

Cinco Continentes

Sr. Armando

 

1938

Lacrimário

Sr. Armando

 

1939 - 2ª no Grupo 1

No Jardim

Sr. Armando

 

1940 - 1ª no Grupo 1

Prantos, Pretos e Poetas

Sr. Armando

 

1941 - 2ª no Grupo 1

Pedro Ernesto

Sr. Armando

 

1942 - 3ª no Grupo 1

A Vitória do Samba nas Américas

Sr. Armando

 

1943 - 2ª no Grupo 1

Samba no Palácio Itamaraty

Sr. Armando

 

1944 - 2ª no Grupo 1

Glória ao Samba

Sr. Armando

 

1945 - 2ª no Grupo 1

A Nossa História

S. Armando

 

1946 - 2ª no Grupo 1

Carnaval da Vitória

Sr. Armando

 

1947 - 2ª no Grupo 1

Brasil, Ciência e Artes

Sr. Armando

 

1948 - 4ª no Grupo 1

Vale do São Francisco

Funcionários da Casa da Moeda

 

1949 - 1ª no Grupo NO

Apoteose ao Mestre

Funcionários da Casa da Moeda

 

1950 - 1ª no Grupo 1

Plano Salte - Saúde, Lavoura, Transporte e Educação

Funcionários da Casa da Moeda

 

1951 - 3ª no Grupo 1

Unidade Nacional

Funcionários da Casa da Moeda

 

1952

Gonçalves Dias

Funcionários da Casa da Moeda

 

1953 - 3ª no Grupo 1

Caxias

Funcionários da Casa da Moeda

 

1954 - 1ª no Grupo 1

Rio de Janeiro de Ontem e de Hoje

Funcionários da Casa da Moeda

 

1955 - 2ª no Grupo 1

As Quatro Estações do Ano

Funcionários da Casa da Moeda

 

1956 - 3ª no Grupo 1

O Grande Presidente

Funcionários da Casa da Moeda

 

1957 - 3ª no Grupo 1

Emancipação Nacional - Rumo ao Progresso

Funcionários da Casa da Moeda

 

1958 - 3ª no Grupo 1

Canção do Exílio

Funcionários da Casa da Moeda

 

1959 - 3ª no Grupo 1

Brasil, Através dos Tempos

Funcionários da Casa da Moeda

 

1960 - 1ª no Grupo 1

Carnaval de Todos os Tempos

Roberto Paulino e Darque Dias Moreira

 

1961 - 1ª no Grupo 1

Recordações do Rio Antigo

Roberto Paulino e Darque Dias Moreira

 

1962 - 4ª no Grupo 1

Casa Grande e Senzala

Roberto Paulino e Darque Dias Moreira

 

1963 - 2ª no Grupo 1

Exaltação à Bahia

Júlio P. Mattos

 

1964 - 3ª no Grupo 1

Histórias de um Preto Velho

Júlio P. Mattos

 

1965 - 4ª no Grupo 1

Rio Através dos Séculos

Júlio P. Mattos

 

1966 - 2ª no Grupo 1

Exaltação a Villa-Lobos

Júlio P. Mattos

 

1967 - 1ª no Grupo 1

O Mundo Encantado de Monteiro Lobato

Júlio P. Mattos

 

1968 - 1ª no Grupo 1

Samba, Festa de um Povo

Júlio P. Mattos

 

1969 - 2ª no Grupo 1

Mercadores e suas Tradições

Júlio P. Mattos

 

1970 - 3ª no Grupo 1

Um Cântico à Natureza

Júlio P. Mattos

 

1971 - 4ª no Grupo 1

Os Modernos Bandeirantes

Júlio P. Mattos

 

1972 - 2ª no Grupo 1

Rio, Carnaval dos Carnavais

Júlio P. Mattos

 

1973 - 1ª no Grupo 1

Lendas do Abaeté

Júlio P. Mattos

 

1974 - 4ª no Grupo 1

Mangueira em Tempo de Folclore

Júlio P. Mattos

 

1975 - 2ª no Grupo 1

Imagens Poéticas de Jorge de Lima

Elói Machado

 

1976 - 2ª no Grupo 1

No Reino da Mãe do Ouro

Elói Machado

 

1977 - 7ª no Grupo 1

Parapanã, O Segredo do Amor

Júlio P. Mattos

 

1978 - 2ª no Grupo 1

Dos Carroceiros do Imperador ao Palácio do Samba

Júlio P. Mattos

 

1979 - 4ª no Grupo 1A

Avatar e a Selva Transformou-se em Ouro

Júlio P. Mattos

 

1980 - 4ª no Grupo 1A

Coisas Nossas

Liana Silveira e Érica Cirne

 

1981 - 4ª no Grupo 1A

De Nonô a JK

Elói Machado

 

1982 - 4ª no Grupo 1A

As Mil e uma Noites Cariocas

Fernando Pinto

 

1983 - 5ª no Grupo 1A

Verde que te Quero Rosa... Semente Viva do Samba

Max Lopes

 

1984 - 1ª no Grupo 1A e 1ª no Supercampeonato

Yes, Nós Temos Braguinha

Max Lopes

 

1985 - 9ª no Grupo 1A

Abram Alas que eu Quero Passar - Chiquinha Gonzaga

Elói Machado

 

1986 - 1ª no Grupo 1A

Caymmi Mostra ao Mundo o que a Bahia tem e a Mangueira também

Júlio Matos

 

1987 - 1ª no Grupo 1

No Reino das Palavras, Carlos Drummond de Andrade

Júlio Matos

 

1988 - 2ª no Grupo 1

Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão

Júlio Matos

 

1989 - 11ª no Grupo 1

Trinca de Reis

Júlio Matos

 

1990 - 8ª no Grupo Especial

E Deu a Louca no Barroco

Ernesto Nascimento

 

1991 - 12ª no Grupo Especial

As Três Rendeiras do Universo

Ernesto Nascimento

 

1992 - 6ª no Grupo Especial

Se todos fossem iguais a você

Ilvamar Magalhães

 

1993 - 5ª no Grupo Especial

Dessa Fruta eu Como até o Caroço

Ilvamar Magalhães

 

1994 - 11ª no Grupo Especial

Atrás da Verde e Rosa só Não Vai Quem já Morreu

Ilvamar Magalhães

 

1995 - 4ª no Grupo Especial

A Esmeralda do Atlântico

Ilvamar Magalhães

 

1996 - 4ª no Grupo Especial

Os Tambores da Mangueira na Terra da Encantaria

Oswaldo Jardim

 

1997 - 3ª no Grupo Especial

O Olimpo é Verde e Rosa

Oswaldo Jardim

 

1998 - 1ª no Grupo Especial

Chico Buarque da Mangueira

Alexandre Louzada

 

1999 - 7ª no Grupo Especial

O Século do Samba

Alexandre Louzada

 

2000 - 7ª no Grupo Especial

Dom Obá II - Rei dos Esfarrapados, Príncipe do Povo

Alexandre Louzada

 

2001 - 3ª no Grupo Especial

A Seiva da Vida

Max Lopes

 

2002 - 1ª no Grupo Especial

Brazil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S é Nação do Nordeste

Max Lopes

 

2003 - 2ª no Grupo Especial

Os Dez Mandamentos! O Samba da Paz Canta a Saga da Liberdade

Max Lopes

 

2004 - 3ª no Grupo Especial

Mangueira redescobre a Estrada Real... E deste Eldorado faz seu Carnaval

Max Lopes

 

2005 - 6ª no Grupo Especial

Mangueira Energiza a Avenida. O Carnaval é pura Energia e a Energia é o nosso Desafio
Max Lopes

 

2006 - 4ª no Grupo Especial
Das Águas do Velho Chico, Nasce um Rio de Esperança
Max Lopes

 

2007 - 3ª no Grupo Especial
Minha Pátria é minha Língua, Mangueira, meu Grande Amor. Meu Samba vai ao Lácio e colhe a Última Flor
Max Lopes

 

2008 - 10ª no Grupo Especial
100 Anos de Frevo, é de Perder o Sapato - Recife Mandou me Chamar...
Max Lopes

 

SAMBAS-ENREDO

1932

Enredo: Sorrindo
Autor(es): Zé Com Fome

Sorrindo, sorrindo sempre
Porque eternamente
Hei de sorrir pra não chorar
Pra não lembrar quem sofreu
Por mim padecem pra não me ver penar,
Pra não me ver penar
Pra não me ver penar
Chegou a ser humilhada
Eu não soube aproveitar
Aquela alma abandonada
E quantas vezes ela sorrindo
Me pedia por favor
Que eu não abandonasse o seu amor (Sorrindo...)

1932

Enredo: A floresta
Autor(es): Cartola e Carlos Cachaça

Na floresta dei-te um ninho
E mostrei o bom caminho
Mais quando a mulher (bis)
Não tem brio de vencer
É malhar em ferro frio

O que eu fiz por você
Não quiseste atender
Os meus conselhos
E a minha opinião
Algum dia vai ver
Como é duro de sofrer
E de joelhos vem pedir
O meu perdão

Na floresta dei-te um ninho
E mostrei o bom caminho
Mais quando a mulher (bis)
Não tem brio de vencer
É malhar em ferro frio

O teu contentamento
Foi o meu sofrimento
Não importa
Tudo isso há de acabar
E assim me contento
Esperando o momento
E a minha porta
Pra você a tocar

1933

Enredo: Uma segunda-feira no Bonfim da Bahia
Samba cantado: Homenagem
Autor(es): Carlos Cachaça

Recorda Castro Alves, Olavo Bilac
Gonçalves Dias e outros imortais
Que glorificaram nossa poesia
Quando eles escreveram
Matizando amores poemas cantaram
Talvez nunca pensaram
De ouvir os seus nomes
Num samba algum dia
E os pequenos poetas
Que vivem cantando
Na verde colina
Cenário encantador
Deste panorama
Que tanto fascina
Nem desejo incontido
De samba querido
A glória elevar
Evocaram esses vultos
Prestando-lhes cultos
Sorrindo a cantar
E se estes versos rudes
Que nascem e que morrem
No cimo do outeiro
Pudessem ser cantados
Ou mesmo falados
Pelo mundo inteiro
Mesmo assim como são
Sem perfeição
Sem riquezas mil
Estas malfeitas rimas
Que são provas de estima
De um povo varonil

1934

Enredo: Divina dama/República da orgia
Autor(es): Cartola

Tudo acabado
E o baile encerrado
Atordoado fiquei
Eu dancei com você
Divina dama
Com o coração
Queimado, em chama
Fiquei louco
Pasmado por completo
Quando me vi tão perto
De quem tenho amizade
Na febre da dança
Senti tanta emoção
Devorar-me o coração

Tudo acabado...
Quando eu vi
Que a festa estava encerrada
E não restava mais nada de felicidade
Vinguei-me nas cordas
Da lira de um trovador
Condenando teu amor

1935

Enredo: O regresso de uma colheita na primavera
Autor(es): Cartola e Carlos Cachaça
Samba cantado: A pátria

Eu tenho orgulho de ter nascido
No nosso Brasil
A paz que encerra no seio desta
Terra me obriga a cantar
Enquanto eu ouço, grande
Alvoroço febril do universo
Quero nestes versos
Oh pátria querida
Teu nome exaltar
Pátria querida que dá guarida
A um qualquer
A cidade moderna que é seu
Encanto, prende e seduz
Cidade-luz que a natureza
Caprichosamente
Deu-lhe tudo que tinha para ser
A rainha soberanamente
Quando a floresta ensaia
Orquestra com seus passarinhos
Em cada galho, ninho, mas vem a
Lembrança de pequenos heróis
Que como nós tiveram vontade de
Venturas mil
De contarem na história
Estrofes e glórias para o nosso
Brasil

1935

Enredo: O regresso de uma colheita na primavera
Autor(es): Cartola e Carlos Cachaça
Samba cantado: Tragédia

Vês, esta perdida bacante
Nos braços de outro amante
Ainda chora por mim
Este mundo é mesmo assim
Tem que haver roubos
Traições
Conspira-se contra Deus
Irmãos brigam com irmãos
Todos os golpes
Eu sofro com indiferença
Para tudo com um sorriso
Transbordando de inocência
Oh, Deus, perdoa se estou errado
Mas teu mundo foi mal principiado
Vê, Deus Senhor
Como o mundo está complicado
Filhos guerreiam mães
Não temem mais o pecado
Até eu sofro sem ver razão
Deixaste o mundo entregue à traição

1935

Enredo: O regresso de uma colheita na primavera
Autor(es): Cartola e Carlos Cachaça
Samba cantado: Meu ideal

Pudesse meu ideal
Que é o carnaval
De encantos mil
Imortalizar neste poema
Cor de anil
Verossímil
E leva-lo coroado
Pelas galas da história
Relembrando a memória
Do meu querido Brasil
Pudesse um dia
Juro faria
Do samba o maior herói
Concorrerias
Com as vitórias
Que existiam entre nós
Seriam páginas de intenso fulgor
E o passado teria mais valor
A própria musa
Triste confusa
Homenagem a ti ergueu
Se não sou eu
Pobre andaluza
Nem o nome dava musa
Que contei é samba banal
Valorizado só no carnaval

1936

Enredo: Não quero mais amar a ninguém
Autor(es): Cartola, Carlos Cachaça e Zé Com Fome

Não quero mais amar a ninguém
Não fui feliz
O destino não quis
O meu primeiro amor
Morreu como a flor
Ainda em botão
Deixando os espinhos
Que dilaceram meu coração
Semente de amor
Sei que sou desde nascença
Mas sem ter vida e fulgor
Eis a minha sentença
Tentei pela primeira vez
Esse sonho vibrar
Foi beijo que nasceu e morreu
Sem se chegar a dar
Às vezes dou gargalhada
Ao lembrar o meu passado
Nunca pensei em amor
Não amei nem fui amado
Se julgas que estou mentindo
Jurar sou capaz
Foi um simples sonho que passou
E nada mais

1938

Enredo: Lacrimário
Autor(es): Carlos Cachaça

Tenho um lacrimário
Extraordinário
Lindo relicário
Que um dia fiz do meu sofrer (bis)
Fiz de agonia
Fiz de nostalgia
Partes de um romance
Sem acabar o meu viver

Quando às vezes quero
Lembrar sozinho a minha dor
Abro o relicário
Onde guardo tudo o que sofri
E para reler a promessa
Feita de um beijo
Triste chorando revejo
O romance que escrevi

Tenho um lacrimário...

Guardo quase tudo
Que se refere ao meu sofrer
São páginas que leio
Sintetizando a minha dor
E todo passado dolente
Hoje revivo
Não guardei porque não tive
Saudades de um falso amor

1944

Enredo: Glória ao samba
Autor(es): Cartola

Samba, melodia divina
Tu es mais empolgante
Girando vem da colina
Samba, original e verdadeiro
Orgulho do folclore brasileiro
O teu linear de vitórias
Foi na Praça Onze de outrora
As lindas fantasias
Que cenário modificou
As batucadas
Do saudoso Sinhô
Oh que reinado de orgia
Onde o samba imperava
Matizando alegria
Glória ao samba
Glória ao samba
Rei como és, escolas de samba
Deram mais esplendor ao nosso carnaval
O samba fascinante penetrava o Municipal
Suas platéias deslumbrantes
Atingem terras bem distantes
Não encontrando porteiras
O samba conquistou
Platéias estrangeiras

1945

Enredo: Nossa história
Autores: José Ramos e Geraldo da Pedra

A voz do Brasil
Nos chamou varonil
Incontinenti eu parti
Pra defender o meu Brasil
E foi com grande prazer
Que eu ergui meu fuzil
Sem tremer

E eu farei tudo até morrer (bis)
Pra ver meu Brasil vencer

Hoje vejo içar a bandeira
O símbolo, acabou-se a guerra
Senti falta dos meus companheiros
Em campos de luta tombaram por terra
Em defesa da pátria de um povo varonil
Lutei pela vitória do meu Brasil

1947

Enredo: Brasil, ciências e artes
Autor(es): Cartola e Carlos Cachaça

Tu és meu Brasil em toda parte
Quer nas ciências ou na arte
Portentoso e altaneiro
Os homens que escreveram
Tua história
Conquistaram tuas glórias
Epopéias triunfais
E quero neste pobre Enredo revivê-los
Glorificando os nomes teus
Levá-los ao panteão
Dos grandes imortais

Pois merecem muito mais (bis)

Não querendo levá-los ao cume da altura
Cientistas tu tens cultura
E nestes rudes poemas
Destes pobres vates
Há sóbrios como Pedro Américo
E César Lates

1948

Enredo: Vale do São Francisco
Autor(es): Cartola e Carlos Cachaça

Não há neste mundo um cenário
Tão rico, tão vário
E com tanto esplendor
Nos montes
Onde jorram fontes
Que quadro sublime
De um santo pintor
Pergunta o poeta esquecido
Quem fez esta tela
De riqueza mil
Responde soberbo o campestre
Foi Deus, foi o mestre
Quem fez meu Brasil
Meu Brasil, meu Brasil
Terra do ouro
Berço de Tiradentes
Que é Minas Gerais
E se vires poeta o vale
O vale do rio
Em noite invernosa
Em noite de estio
Como um chão de prata
Riquezas estranhas
Espraiando belezas
Por entre montanhas
Que ficam e que passam
Em terras tão boas
Pernambuco, Sergipe
Majestosa Alagoas
E a Bahia lendária
Das mil catedrais

1949

Enredo: Apologia aos mestres
Autor(es): Nelson Sargento e Alfredo Português

Glória aos nossos antepassados
Com seus nomes gravados
Na história da pátria amada
Oswaldo Cruz, Miguel Couto
Rui Barbosa, Ana Néri
A corajosa
Enfermeira abnegada
Estes vultos destacaram
Como herança entregaram
Os seus esforços naturais
E hoje na glorificação
Os seus nomes devem ser
Para sempre imortais
Rui Barbosa
Foi como mago apologista
Miguel Couto especialista
Ana Néri
Símbolo da paciência
Oswaldo Cruz
Mestre da biologia
Com suas galhardias
Foi apóstolo das ciências
Esses vultos reunidos
Receberam do Brasil querido
As glórias que fazem jus
Miguel Couto
Rui Barbosa
Ana Néri, Oswaldo Cruz

1951

Enredo: Unidade nacional
Autor(es): Cícero e Pelado

Glória à unidade nacional
Portentosa e altaneira
Genuína, brasileira e primordial
Vinte e um estados reunidos
Todos no mesmo sentido
Dando a sua produção
É fator de nossa economia
Dar uma prova cabal
Da nossa democracia
A nossa política é altiva
Irmanada e progressiva
Produtiva e social
Pela grandeza da pátria coordenamos
Todos com o mesmo ideal
É o fator de equidade
Trabalhando com vontade
Para o progresso nacional
Tudo isso é o meu Brasil
Isso é um orgulho
De um povo forte, esbelto e varonil
Lá, lá...

1952

Enredo: Gonçalves Dias
Autor(es): Cícero e Pelado

Louvores
E honra ao mérito
À memória de um poeta
De sublime inspiração
Seus poemas são tão lindos
Que faz vibrar os corações
Vamos elevar
Aos píncaros da glória
O nome de Gonçalves Dias

Autor de inúmeros poemas
Que glorificam (bis)
As nossas poesias

Nosso céu
Tem mais estrelas
De beleza deslumbrante
Nossas flores têm mais vida
São mais belas e mais vibrantes
Nossas flores são mais lindas
Pela própria natureza
Vivazes e multicores

Que elevam nossas almas
Nossas vidas (bis)
Mais amores
Lá lá laiá laia...

1954

Enredo: Rio de Janeiro - de ontem e de hoje
Autor(es): Cícero e Pelado

Rio de Janeiro
Cidade tradicional
Dos tempos das sinhás-moças
Mucamas e nobres damas
E da corte imperial
Seu panorama é suntuoso
Primoroso, sublime e vibrante
És a cidade modelo
O coração do Brasil
O Rio da nova era
Prima por sua desenvoltura
É tão soberbo
O seu progresso
É um primor
Sua arquitetura
Apologia a Estácio de Sá
Que da cidade
Foi fundador
Prefeito Pereira Passos
Pioneiro e remodelador
Paulo de Frontin
Hábil engenheiro
Símbolo de abnegação
Pedro Ernesto
E outros governantes
Deram ao Rio
Soberba evolução

1955

Enredo: As quatro estações do ano
Autor(es): Alfredo Português, Jamelão e Nelson Sargento

Brilha no céu o astro rei
Com fulguração
Abrasando a terra
Anunciando o verão
Outono
Estação singela e pura
É a pujança da natura
Dando frutos em profusão
Inverno
Chuva, geada e garoa
Molhando a terra
Preciosa e tão boa
Desponta
A primavera triunfal
São as estações do ano
Num desfile magistral
A primavera
Matizada e viçosa
Pontilhada de amores
Engalanada, majestosa
Desabrocham as flores
Nos campos
Nos jardins e nos quintais
A primavera
É a estação dos vegetais

Oh, primavera adorada
Inspiradora de amores (bis)
Oh, primavera idolatrada
Sublime estação das flores

1956

Enredo: O Grande Presidente
Autor(es): Padeirinho

No ano de 1883
No dia 19 de abril
Nascia Getúlio Dornelles Vargas
Que mais tarde seria o governo
Do nosso Brasil
Ele foi eleito deputado
Para defender as causas do nosso país
E na revolução de 30 ele aqui chegava
Como substituto de Washington Luiz
E do ano de 1930 pra cá
Foi ele o presidente mais popular
Sempre em contato com o povo
Construindo um Brasil novo
Trabalhando sem cessar
Como prova em Volta Redonda, a cidade do aço
Existe a grande Siderúrgica Nacional
Que tem o seu nome elevado no grande espaço
Na sua evolução industrial
Candeias, a cidade petroleira
Trabalha para o progresso fabril
Orgulho da indústria brasileira
Na história do petróleo do Brasil ô ô

Salve o estadista, idealista e realizador
Getúlio Vargas (bis)
O grande presidente de valor


1957

Enredo: Emancipação
Autor(es): Leleo e Zagaia

Canto a canção
Da emancipação da minha nação
Vencendo no terreno educacional
Marcha meu país
Para a soberania universal
Ó que alegria incontida
Em ver seus imensos trigais
Suas planícies estremecidas
Pelo gado que avança
A caminho do abate
Ou da reprodução

Ó meu Brasil
Seu progresso avança (bis)
Sem oscilação

A cachoeira do Iguaçu
No futuro será ponto vital
Da eletricidade nacional
Altaneiro é o nosso transporte
Que corta rios e mares
Estradas e o céu cor de anil
Levando a toda parte o nome
E os produtos do Brasil
Ó meu Brasil

Ó meu Brasil
Seu progresso avança (bis)
Sem oscilação

1958

Enredo: Gonçalves Dias
Autor(es): Comprido, Leleo e Zagaia

Clássico de nossa poesia
É a canção do exílio
De Gonçalves Dias
Poema de sublime inspiração
De amor e ternura
Da sua confecção
Lamento
De um coração soturno
De um poeta taciturno
Que em versos escreveu

Todo drama
Do arfante peito meu (bis)

Este poema nasceu
Da saudade
Do seu Brasil distante
Das suas campinas verdejantes
Com suas flores multicores
Suas estrelas
Ornamentando um vasto céu
Como sofria
O saudoso menestrel
E uma estrofe
De saudade e de amor
Na qual suplicava ao senhor

Não permita
Deus que eu morra
Sem que volte para lá (bis)
Sem que revejas
As palmeiras
Onde canta o sabiá

1959

Enredo: Páginas de glória
Autor(es): Pelado, Cícero e Hélio Turco

Página de glória
Fases altaneiras
Relicário da história brasileira
Seu descobrimento
Foi o marco inicial
Glória ao pioneiro
Pedro Álvares Cabral
Dom Pedro I
Símbolo de galhardia
De bravura e de coragem
Nos tempos da monarquia

Foi empolgante
Aquele brado forte (bis)
Às margens do Ipiranga
Independência ou morte

Depois de um reinado
Altivo e tão fecundo
Entregava a coroa a Dom Pedro II
Onde o Império
Foi bem marcante
Da epopéia relevante
Mais tarde surgia a República
Majestosa e triunfal
Proclamada por Deodoro
O notável marechal

Marcha
Exuberante e soberano (bis)
O ideal de um povo
Meu Brasil republicano

1960

Enredo: Carnaval de todos os tempos
Autor(es): Hélio Turco, Pelado e Cícero

Samba, melodia divina
Tu és mais empolgante
Quando vens da colina
Samba original, és verdadeiro
Orgulho do folclore brasileiro
O teu limiar de vitórias
Foi na Praça Onze de outrora
Das lindas fantasias
Que cenário multicor
Das velhas batucadas
E do saudoso Sinhô

Oh! Que reinado de orgia
Onde o samba imperava (bis)
Matizando alegrias

Rei Momo e as escolas de samba
Deram mais esplendor
Ao nosso carnaval
E o samba fascinante
Ingressava no Municipal
Sua epopéia triunfante
Atingiu terras bem distantes

Não encontrando fronteiras
O samba conquistou (bis)
Platéias estrangeiras

1961

Enredo: Recordações do Rio Antigo
Autor(es): Hélio Turco, Pelado e Cícero

Rio, cidade tradicional
Teu panorama é deslumbrante
É uma tela divinal
Rio de Janeiro
Da igreja do Castelo
Das serestas ao luar
Que cenário tão singelo
Mucamas, sinhás-moças e liteiras
Velhos lampiões de gás
Relíquias do Rio antigo

Do Rio antigo (bis)
Que não volta mais

Numa apoteose de fascinação
As cortes deram ao Rio
Requintada sedução
Com seus palácios
Majestosos, altaneiros
Rio dos chafarizes
E sonoros pregoeiros
Que esplendor, quantos matizes

Glória a Estácio de Sá
Fundador desta cidade tão formosa (bis)
O meu Rio de Janeiro
Cidade maravilhosa

1962

Enredo: Casa Grande e Senzala
Autor(es): Leleo, Zagaia e Comprido

Pretos, escravos e senhores
Pelo mesmo ideal irmanados
A desbravar
Os vastos rincões
Não conquistados
Procurando evoluir
Para unidos conseguir
A sua emancipação
Trabalhando nos canaviais
Mineração e cafezais

Antes do amanhecer
Já estavam de pé (bis)
Nos engenhos de açúcar
Ou peneirando café

Nos campos e nas fazendas
Lutaram com galhardia
Consolidando a sua soberania
E esses bravos
Com ternura e amor
Esqueciam as lutas da vida
Em festas de raro esplendor
Nos salões elegantes
Dançavam sinhás, donas e senhores
E nas senzalas os escravos
Dançavam batucando seus tambores

Louvor
A este povo varonil (bis)
Que ajudou a construir
A riqueza do nosso Brasil

1963

Enredo: Relíquias da Bahia
Autor(es): Comprido, Pelado e Hélio Turco

Formosa Bahia
Teu relicário é tão vibrante
Estado lendário
Quantas catedrais exuberantes
Foste do Brasil a primeira capital
Marco do progresso nacional
Importante e primordial

Salve a velha Bahia
Terra do grande senhor (bis)
Os fiéis em romaria
Bahia de São Salvador

Bahia
De tradição tão gloriosa
Bahia
Do eminente Rui Barbosa
Na ciência ou na arte
Tens a primazia
Os poetas sublimam
A velha Bahia
A Bahia do acarajé
Do feitiço e do candomblé

Teu panorama na imensidão (bis)
E sua fascinação

1964

Enredo: História de um preto velho
Autor(es): Pelado, Hélio Turco e Comprido

Era uma vez um preto velho
Que foi escravo
Retornando à senzala
Para histornar seu passado
Chegando à velha Bahia
Já no cativeiro existia
Preto velho foi vendido
Menino a um senhor
Que amenizou a sua grande dor
Quando no céu a lua prateava
Que fascinação
Preto velho na senzala
Entoava uma canção
Ô ô ô...
Conseguiu tornar realidade
O seu ideal de liberdade
Vindo para o Rio de Janeiro
Onde o progresso despontava
Altaneiro
Foi personagem ocular
Da fidalguia singular
Terminando a história
Cansado da memória
Preto velho adormeceu

Mas o lamento de outrora
Que vamos cantar agora (bis)
Jamais se esqueceu
Ô ô ô...

1965

Enredo: IV Centenário
Autor(es): Comprido, Pelado e Hélio Turco

Rio, o poeta se inspira
E descreve ao som da lira
Sua história magistral
Vejam tão sublime relicário
Salve o teu IV Centenário
Majestoso e triunfal
Oh, meu Rio
De trajetória deslumbrante
Quantas lutas empolgantes
Teve seu povo hospitaleiro
Os seus bravos fundadores
Pioneiros imortais

Glorificam a história
Do velho Rio (bis)
Que não volta mais

Rio de Janeiro
Palco de lendárias tradições
Dos trovadores em serestas
Divinas recordações
Das cortes
Velhos lampiões a gás
E saudosos carnavais

Despontou a nova era
Emoldurando o seu cenário
Sua arquitetura (bis)
É jóia rara
Hoje seu nome é Guanabara

1966

Enredo: Exaltação a Villa-Lobos
Autor(es): Jurandir e Cláudio

Relembrando
As sublimes melodias
Que o poeta escrevia
Em lindas canções divinais
Surgiram os acordes musicais
De sonoras sinfonias
Na beleza de poemas imortais
Todo lirismo que a arte gravou
Com poesia e esplendor
Resplandecia
Como um sonho em fantasia

Ô ô ô, o samba vibrou
Com as glórias
Que Villa-Lobos alcançou (bis)
E as platéias
O mundo inteiro deslumbrou

Da natureza verdejante
Ao som da brisa murmurante
Nasceram com angelical fulgor
As trovas que o poeta inspirou
Da alma sonora e vibrante
da terra febril o grito das danças
Nascida da selva de nosso Brasil
Fascínio colorido
Em sua alma cantou
E nas noites de festas
Em lindas serestas pintou

Sentiu ritmar se peito
Com grande emoção (bis)
A história lendária
Do nosso sertão

Brilham como os astros no céu
Ao descortinar o véu
Iluminando
As passarelas universais
As mais lindas notas musicais

1967

Enredo: O mundo encantado de Monteiro Lobato
Autor(es): Hélio Turco, Darci, Jurandir, Batista, Luiz e Dico

Quando uma luz divinal
Iluminava a imaginação
De um escritor genial
Tudo era maravilha
Tudo era sedução
Quanta alegria
E fascinação
Relembro
Aquele mundo encantado
Fascinado de dourado
Oh, doce ilusão

Sublime relicário de criança
Que ainda guardo como herança (bis)
No meu coração

Glória a este grande sonhador
Que o mundo inteiro deslumbrou
Com suas obras imortais
Vejam quanta riqueza exuberante
Na escritura emocionante
Com seus contos triunfais
Os seus personagens fascinantes
Nas histórias tão vibrantes
Da literatura infantil
Enriquecem o cenário do Brasil

E assim
Neste cenário de real valor (bis)
Eis o mundo encantado
Que Monteiro Lobato criou

1968

Enredo: Samba, festa de um povo
Autor(es): Darci, Hélio Turco, Luiz, Batista e Dico

Num cenário deslumbrante
Do folclore brasileiro
A Mangueira apresenta
A história do samba verdadeiro
Música
Melodia bem distante
De uma era tão marcante
Que enriqueceu nosso celeiro
As diversas regiões
Entoavam as canções
Era um festival de alegria

Foi assim, com sedução e fantasia
Que despontou o nosso samba (bis)
Com grande euforia

Foi na Praça Onze
Das famosas batucadas
Que o samba teve sua glória
No limiar da sua história
Quantas saudades
Dos cordões da galeria
Onde o samba imperava
Matizando alegria
Oh, melodia
Oh, melodia triunfal
Sublime festa de um povo
Orgulho do nosso carnaval

Louvor aos artistas geniais
Que levaram para o estrangeiro (bis)
Glorificando
O nosso samba verdadeiro

1969

Enredo: Mercadores e suas tradições
Autor(es): Hélio Turco, Darci e Jurandir

Abriu-se
A cortina do passado
Neste palco iluminado
Onde tudo é carnaval
Vamos recordar
Nesta grande apoteose
Uma história triunfal
Brasil dos mercadores
Aventureiros e sonhadores
Que desbravavam o sertão
Deste imenso rincão

Foi tão sublime
O ideal dos pioneiros (bis)
Bandeirantes de um progresso
Soberano e altaneiro

Na imensidão de nossas matas
Cachoeiras e cascatas
Fontes de riqueza naturais
Era extraído o tesouro
Onde imperava o ouro
E os verdes canaviais
Em Vila Rica os mercadores
Ostentavam seus brasões
Nos elegantes salões
Longe, ao longe então se ouvia
A suave sintonia
Dos mascates em pregões

Glória a estes bravos
Que lutaram por um ideal (bis)
E conseguiram conquistar
As riquezas do Brasil colonial

1970

Enredo: Um cântico à natureza
Autor(es): Ney, Ailton e Dilmo

Brilhou no céu o sol, oh que beleza
Vem contemplar a natureza
Vem abrasar a imensidão, imensidão
Onde na pesca ou na plantação
Pedras preciosas ou mineração

Rios, cachoeiras e cascatas
Frutos, pássaros e matas (bis)
Enobrecem a nação

Oh lugar, oh lugar
Tudo que se planta dá (bis)
Terra igual a esta não há

Imenso torrão de natureza incomum
Onde envaidece qualquer um

Praias e flores
Inspiram amores
E o petróleo te deu mais vida (bis)
Solo de vultos imortais
Direi teu nome e não esquecerão jamais

Oh pátria querida
De natureza tão sutil (bis)
Tens belezas mil
Isto é Brasil, isto é Brasil, isto é Brasil

1971

Enredo: Modernos bandeirantes
Autor(es): Darci da Mangueira, Helio Turco e Jurandir

Boa noite meu Brasil
Saudações aos visitantes

Trago neste enredo
Fatos bem marcantes (bis)
Os modernos bandeirantes

Do Oiapoque ao Chuí
Até o sertão distante
O progresso foi se alastrando
Neste país gigante
No céu azul de anil
Orgulho no Brasil
Nossos pássaros de aço
Deixam o povo feliz

Ninguém segura mais este país (bis)

Busquei na minha imaginação
A mais sublime inspiração
Para exaltar
Aqueles que deram asas ao Brasil
Para no espaço ingressar
Ligando corações
O Correio Aéreo Nacional
Atravessando fronteiras
Cruzando todo o continente

E caminhando vai o meu Brasil (bis)
Para frente

Santos Dumont
Hoje o mundo reconhece (bis)
Que você também merece
A glorificação

1972

Enredo: Rio, Carnaval dos Carnavais
Autores: Padeirinho, Nilton, Russo e Moacir

Vejam que maravilha
Tens a festa mais linda
Deste meu país
Esta é mais uma que brilha
Como este povo é feliz

Para a alegria geral
Este é o nosso carnaval
Em todo universo (bis)
Não existe outro igual
Só neste Rio tradicional

O Rio
Oferece ao mundo
Neste solo fecundo
O carnaval dos carnavais
Revivendo com beleza
Os festejos de Veneza
Dos folguedos geniais
Oriundo dos romanos
E dos negros africanos
Com seus lindos rituais

Tem maracatu
Maculelê, batuquegê (bis)
Tem capoeira de roda
Também tem cateretê

1973

Enredo: Lendas do Abaeté
Autores: Jajá, Preto Rico e Manoel

Iaiá mandou ir à Bahia
No Abaeté para ver sua magia
Sua lagoa, sua história sobrenatural
Que a Mangueira traz pra este carnaval
Janaína agô, agoiá
Janaína agô, agoiá
Samba com rima
Com a força de Yemanjá
Oh, que linda noite de luar
Oh, que poesia e sedução
Branca areia, água escura
Tanta ternura no batuque e na canção
Lá no fundo da lagoa
Com seu rito em sua comemoração
Foi assim que eu vi Iara cantar
Eu vi alguém mergulhar
Para nunca mais voltar

1974

Enredo: Mangueira em tempo de folclore
Autores: Jajá, Preto Rico e Manoel

Hoje venho falar de tradições
Das regiões do meu país
Do seu costume popular
Canto a magia
Do ritual das lendas encantadas
Mostro as lindas festas
Das noites enluaradas
E ainda, em figuras tradicionais
Caio no bloco, danço o frevo
Enlevo dos nossos carnavais
A congada, o boi-bumbá
Ô meu santo, saravá
Ô rendeira, mulher rendá
Ô baiana, ó sinhá
E o Zé Pereira, com seu bumbo original
Eis a Mangueira com seu carnaval
(Mas hoje...)

1975

Enredo: Imagens poéticas de Jorge Lima
Autores: Tolito, Mozart e Delson

Na epopéia triunfal
Que a literatura conquistou
Em síntese de um sonho
O poeta tão risonho
Assim se consagrou, ô, ô, ô

Ô, ô, ô, ô
Esta é a nega Fulô
Uma obra fascinante (bis)
Que o poeta tão brilhante
O povo admirou

Jorge de Lima em Alagoas nasceu
Ouviu tudo dos antigos
O que aconteceu
Com os escravos na senzala
No Quilombo dos Palmares
Foi um sábio que seguiu as tradições
Com seus versos, poemas e canções
Boneca de pano, a jóia rara
Calabar e o acendedor de lampiões

Zumbi, Floriano e Padre Cícero
Lampião e o pampa (bis)
É o amor

1976

Enredo: No reino da mãe do ouro
Autores: Tolito, Rubem da Mangueira

Caminhando pela mata virgem
Bravo bandeirante encontrou
Grupos de nativos comentavam
O que um trovão proporcionou
No céu, sem as estrelas
Mais um raio de luz o dirigia
À gruta de uma alma encantada
Era a mãe de ouro que surgia

Obabá-oba-o-babá
É a mãe do ouro (bis)
Que vem nos salvar

Num palácio encantado
Onde um tesouro existia
Pedras preciosas bem guardadas
Que a mãe do ouro presidia
Homens e mulheres dominados
Por imaginações e alegria
Salões enfeitados
Em multicores
Dançavam até romper do dia

Obabá-oba-o-babá
É a mãe do ouro (bis)
Que vem nos salvar

1977

Enredo: Panapanã, o segredo do amor
Autores: Jajá e Tantinho

Mangueira, hoje em evolução
Cantando mostra com louvor
O mito em sua máxima expressão
Panapanã, o segredo do amor
Noite, inquietação transparecia
No sussurro das matas
Onde o amor existia
No prateado arvoredo
Pressentindo o segredo
Aves com plangência se ouvia
E Jacy engalanada
Reinava até o raiar do dia
Lindo amanhecer
Flores, terra, gente
Guaracy todo luzente
Dando a todos seu calor (para o amor)
Chuva, som de cachoeira
Iara toda faceira
Já surgia em seu esplendor
O Uirapuru era pura alegria
Onde se via que da harmonia
Dos seres nasce o amor, ô, ô
Era lindo o ente alado
Em rodopio multicolor
Era Rudá em pleno reinado
Mostrando que a força da vida
É o amor (Mangueira)

1978

Enredo: Dos carroceiros do imperador ao Palácio do Samba
Autores: Rubem da Mangueira e Jurandir

Trago para este carnaval
Um passado de grande valor
Quem descreve este tema
É o carroceiro do imperador
Quantas saudades
Do famoso Marcelino
Foi o grande mestre-sala
Desde os tempos de menino

Brigão e arruaceiro
Era o grande destaque (bis)
Do bloco dos arengueiros

Não posso esquecer
Buraco Quente, Santo Antônio e Chalé
E o ponto alto da escola
Mestre Candinho, tia Tomásia
E Cartola
Chorava a viola
Em noite enluarada
Samba duro no Faria
Ia até de madrugada

Canto minha história
De um celeiro de bamba (bis)
Cinqüenta anos de glória
Estão no palácio do samba

1979

Enredo: Avatar... E a selva transformou-se em ouro
Autores: Rato do Tamborim, Tolito e Ananias

Vem do céu
Todo esplendor
A transformação em ouro
Da selva que Deus criou
Onde a mata verde
Cacaueira
Que a mãe natureza despontou
Neste solo rico e fecundo
Onde o plantio se alastrou

Tem mulata pessoal (bis)
Na colheita do cacau

(Amazônia...)
Amazônia foi a região
Onde surgiu
Incentivando a indústria cacaueira
Como fonte de riqueza do Brasil
(E na Bahia...)
E na Bahia onde o braço forte
Na lavoura prosseguiu
Motivado pelos bravos camponeses
No trabalho poderoso do Brasil

Tem mulata pessoal (bis)
Na colheita do cacau

1980

Enredo: Coisas Nossas
Autores: Carlos Roberto, Ney da Mangueira e Aylton da Mangueira

Excitando a mente à poesia
O poeta descobria
Momentos de raro prazer
E nesta linda melodia
Coisas nossas, dia-a-dia
A Mangueira vem trazer
Juruna, fantasia e frevo
Petrobrás sondando o mar
Coisas que ora descrevo
E ainda há mais para narrar

Frutas de todas as cores
Num pomar de pureza (bis)
Os mais diversos sabores
Obra da mãe natureza

E no campinho a gurizada
Atrás de uma bola a rolar
Mata no peito, dá lençol, faz embaixada
Se torce o pé vai rezadeira curar
Rosto colado a noite inteira
Baila-se na gafieira
Se há bebida, há comida e violão
Tem sempre um pagode do bom

Quem vai mais, quem vai mais (bis)
Pode parar que o galho é valete e ás

1981

Enredo: De Nonô a JK
Autores: Jurandir, Comprido e Arroz

Em verde e rosa
A Mangueira vem mostrar
O fascinante tema
De Nonô à JK
Juscelino Kubistcheck de Oliveira,
De uma lendária cidade mineira,
O grande presidente popular
Surgiu "Nonô" em Diamantina
E uma chama divina
Iluminou sua formação
Subindo os degraus da glória
Imortalizou-se na história
Como chefe da nação, ô, ô
Como chefe da nação
Em sua marcha progressista
O notável estadista
O planalto desbravou
Brasília, o sonho dourado
Que ele tanto acalentou
Juscelino descansa na fazenda
E os acordes de um violão
Levam ao povo a saudade
Lembrado neste refrão

Como pode um peixe vivo
Viver fora d’água fria
Como poderei viver, poderei viver (bis)
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia (em verde e rosa...)

1982

Enredo: As mil e uma noites cariocas
Autores: Heraldo Faria, Tolito e Flavinho Machado

Noite linda, lua tão bela
Mangueira novamente fascinando (bis)
O povão na passarela

Céu salpicado de estrelas
Encantadas
As mil e uma noites cariocas
Na avenida iluminada
A imaginação foi me levando
Vi índias dançando em seus rituais
Bailam conde, condessa e princesa
Na festa da nobreza
Sob lustres de cristais

Elá, elá, ô naná
Elá, elá, ori-rá (bis)
Os negros batucando na senzala
Em louvor a Oxalá

Rio antigo
Teatros e salões
Da Lapa dos malandros e gingados
Damas da noite vendedoras de ilusões
E nas noites suburbanas
Balões colorindo o céu
E na Vila eu ouvi
Melodias de Noel
Da Zona Sul à beira-mar
O povo em sua fé louvava Iemanjá
Os nossos carnavais de antigamente
O pierrô e a colombina encantando a gente
E no carnaval de hoje cheio de loucura
Vem a nossa verde e rosa, que ninguém segura

1983

Enredo: Verde que te quero rosa... Semente viva do samba
Autores: Heraldo Faria, Geraldo das Neves e Flavinho Machado

Amor vem agora
Ver o esplendor do luar
A noite é linda senhora
Que o poeta vai acordar
Desperta Cartola
Vem pra avenida
Se a Mangueira é uma porta aberta
Você é a razão da sua vida
Você plantou, viu germinar

E a semente cresceu formosa (bis)
Deu Mangueira verde de manga-rosa

Seus frutos de alegria e tristeza
Afagaram o pranto
Acendendo a chama da beleza
Seu nome é poesia
Nasceu da primeira estação
As suas pastoras
Estrelas de um novo dia
É força, é raça, é coração

Cantar, cantar, brincar, brincar (bis)
Deixa a brisa da euforia nos levar

Pra reviver de novo
Tradições do Rio antigo
Monteiro Lobato, samba festa de um povo
Lendas do Abaeté

Mangueira é
Um canto de fé (bis)
E leva o samba na poeira e no pé

1984

Enredo: Yes, nós temos Braguinha
Autores: Jurandir, Hélio Turco, Comprido, Arroz e Jajá

Vem
Ouvir de novo o meu cantar
Vem ouvir as pastorinhas
A luz de um pássaro cantor
Yes, nós temos Braguinha
Bela época
Quando o poeta floresceu
Oh, meu Rio
Então cantando amanheceu
Num fim de semana em Paquetá
Ouvi "Carinhoso", amei ao luar

Laura que não sai da minha mente (bis)
Morena, a saudade mata a gente

Hoje tem fogueira
Viva São João (bis)
Mané fogueteiro
Vai soltar balão

Carnaval
O povo vibra de alegria
Ao cantar a tua poesia
Será que hoje tudo já mudou
Onde andará o arlequim tão sonhador
Chora pierrô, chora
Se a tua colombina foi embora
Samba, a mulata é a tal
Salve a loirinha
Dos olhos claros de cristal

É no balancê, balancê
Eu quero ver balançar (bis)
É no balanço
Que a Mangueira vai passar

1985

Enredo: Abram alas que eu quero passar - Chiquinha Gonzaga
Autores: Jurandir, Hélio Turco e Darcy da Mangueira

É carnaval
O samba faz vibrar a multidão
Lá vem Mangueira
Não posso conter a minha emoção
Vamos reviver o Rio antigo
Onde Chiquinha se fez imortal
Oh, deusa da folia
Rainha do meu carnaval
Eu sou da lira
Não vou negar
"Ô abram alas que eu quero passar"
Só não passa a saudade
A saudade que ficou no seu lugar (liberdade)
Liberdade
Oh, falsa realidade (eu falei liberdade)
Liberdade
O sonho foi morar noutra cidade
Desprezou a burguesia
E o requinte dos salões

Abraça a boêmia
E deixa na boca do povo (bis)
Mais de mil canções

Roda baiana
Levanta poeira do chão (bis)
Roda baiana
Nas cores do meu coração

1986

Enredo: Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm
Autores: Ivo Meirelles, Paulinho e Lula

Mangueira vê no céu dos orixás
O horizonte rosa no verde do mar
A alvorada veste a fantasia
Pra exaltar Caymmi e a velha Bahia ô, ô, ô
Quanto esplendor
Nas igrejas soam hinos de louvor
E pelos terreiros de magia
O ecoar anuncia um novo dia
Nesta terra fascinante
A capoeira foi morar

O mundo se encanta (bis)
Com as cantigas que fazem sonhar

Lua cheia
Leva a jangada pro mar
Oh, sereia
Como é belo o teu cantar
Das estrelas
A mais linda tá no Gantois
Mangueira berço do samba
Caymmi a inspiração
Que mora no meu coração
Bahia terra sagrada
Iemanjá, Iansã
Mangueira supercampeã

Tem xinxim e acarajé (bis)
Tamborim e samba no pé

1987

Enredo: O reino das palavras - Carlos Drummond de Andrade
Autores: Rody, Verinha e Bira do Porto

Mangueira
De mãos dadas com a poesia
Traz para os braços do povo
Este poeta genial
Carlos Drummond de Andrade
Suas obras são palavras
De um reino de verdade

Itabira
Em seus versos ele tanto exaltou
Com amor (bis)
Eis a minha verde e rosa
Cantando em verso e prosa
O que o poeta inspirou

É Dom Quixote, ô
É Zé Pereira (bis)
É Charlie Chaplin
No embalo da Mangueira

Olha as carrancas
Do rio São Francisco
Rema, rema, remador
Primavera vem chegando
Inspirando o amor
O Rio toma forma de sambista
Como o artista imaginou

Na ilusão de um sonho
Achei (bis)
O elefante que eu imaginei

1988

Enredo: 100 anos de liberdade, realidade ou ilusão?
Autores: Hélio Turco, Jurandir e Alvinho

Será
Que já raiou a liberdade
Ou se foi tudo ilusão
Será
Que a lei Áurea tão sonhada
Há tanto tempo imaginada
Não foi o fim da escravidão
Hoje dentro da realidade
Onde está a liberdade
Onde está que ninguém viu

Moço
Não se esqueça que o negro também construiu (bis)
As riquezas do nosso Brasil

Pergunte ao Criador (pergunte ao Criador)
Quem pintou esta aquarela (bis)
Livre do açoite da senzala
Preso na miséria da favela

Sonhei
Que Zumbi dos Palmares voltou ô ô ô ô
A tristeza do negro acabou
Foi uma nova redenção

Senhor (ai, senhor)
Eis a luta do bem contra o mal (bis)
Que tanto sangue derramou
Contra o preconceito racial

O negro samba
Negro joga capoeira (bis)
Ele é o rei na verde e rosa da Mangueira

1989

Enredo: Trinca de reis
Autores: Ney João, Adilson da Viola e Fandinho

Lá do alto
Mangueira anuncia
Trinca de reis
Que ao Rio trouxe alegria
Walter Pinto
Seu teatro de revista
Revolucionou
E revelou grandes artistas
Lindas peças
Com cenografia sem igual
Carlos Machado fez teatro musical

Vai na roleta ou no bacará
Vamos jogar ioiô (bis)
Vamos jogar iaiá

Que saudade do Cassino da Urca
Da orquestra e do Night and Day
Grandes noites eu passei
Mas hoje tem o Chico Recarey
E o Rio apresenta
Das noites o mais novo rei

Vou de Scala
Vou ao show no Asa Branca (bis)
Neste Rio que eu amo
A noite é uma criança

1990

Enredo: E deu a louca no barroco
Autores: Hélio Turco, Jurandir e Alvinho

Viveu
Em Vila Rica a Cinderela
Entre sonhos e quimeras
De raríssimo esplendor
Brilhou
Como sol da primavera
E a beleza de uma flor
E assim
Imperando nos salões
Em seu doce delírio
Conquistou corações

Acalentou o ideal da liberdade
E transformou toda mentira (bis)
Na mais fiel realidade

Vai, contar estórias do infinito
Vai, não haverá amanhecer
Vai dizer que foi esculturada
Que sofreu por amor
Que foi amada

Musa inspiradora
Luz de uma canção (bis)
Bailando na imensidão

Sinhá Olimpia
Quem é você (bis)
Sou amor sou esperança
Sou Mangueira até morrer

1991

Enredo: As três rendeiras do universo
Autores: Hélio Turco, Alvinho e Jurandir da Mangueira

Quando o mundo era uma criança
O Divino um dia enviou
A luz de uma esperança
Então surgiram
As três rendeiras do universo
Que vêm brilhar
Ma sutileza dos meus versos
Um romance entre o sol e a lua nasceu
Um romance que o homem jamais entendeu
No céu a estrela guia apareceu

Renda de luz
Que faz sonhar (bis)
Uniu a terra, o sol e o mar
Tão bonito é minha escola desfilar

Vem amor
Vem ver um novo alvorecer
Vem amor
Quanta alegria de viver
Uma rosa enfeita o jardim
A maldade já chegou ao fim
E nas rendas de prata do mar
Surge uma sereia a cantar

Ó rendeira
A jangada não voltou (bis)
Passa o tempo, passa a vida
Só não passa o seu amor

1992

Enredo: Se todos fossem iguais a você
Autores: Hélio Turco, Alvinho e Jurandir da Mangueira

Mangueira vai deixar saudade
Quando o carnaval chegar ao fim
Quero me perder na fantasia
Que invade os poemas de Jobim
Amanheceu
O Rio canta de alegria
Aconteceu
A mais linda sinfonia
O sol já despontou na serra
Molhando o seu corpo sedutor

O mar beija a garota de Ipanema (bis)
A musa de um sonhador

É carnaval
É a doce ilusão (bis)
É promessa de vida no meu coração

Vem, vem amar a liberdade
Vem cantar e sorrir
Por um mundo melhor
Vem, meu coração está em festa
Eu sou a Mangueira em Tom maior
Salve o samba de terreiro
Salve o Rio de Janeiro
Seus recantos naturais

Se todos fossem iguais a você (bis)
Que maravilha seria viver

1993

Enredo: Dessa fruta eu como até o caroço
Autores: Dirceu, Eraldo Caê, Verinha, Preto, Fernando de Lima, Ney Mattos, Bira do Porto e Gustavo

Da Índia a manga se originou ô, ô
Floresceu como a poesia
E lá na África encantou
Pôs na boca um gosto de alegria
E foi a primeira vez
Que o colono português
No Brasil veio plantar
O fruto macio
Seduziu meu Rio
Chegou pra ficar
Sente oh, linda lua
O aroma que flutua
E que faz sonhar

Tem manga rosa
Eu vou provar (bis)
Cheiro e magia
Bailam no ar

Entre tantos tipos de mangueira
Há uma especial
Na Estação Primeira
Ela simboliza o samba
É a união de gente bamba
Onde desabrocham tantas flores
E hoje linda, te vejo mais bela
Nessa passarela, você explode coração
Mangueira, estou tão feliz
É verde e rosa, é verde e rosa a minha emoção

Seja fruta brasileira
Da Mangueira esse colosso (bis)
Dessa fruta eu como até o caroço

1994

Enredo: Atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu
Autores: David Corrêa, Paulinho Carvalho, Carlos Sena e Bira do Porto

Bahia é luz de poeta ao luar
Misticismo de um povo
Salve todos os orixás
Quem me mandou estrelas de lá
Foi São Salvador
Pra noite brilhar
Mangueira
Jogando flores pelo mar
Se encantou com a musa que a Bahia dá

Obá berimbau ganzá (bis)
Ô capoeira joga um verso prá iaiá

Caetano e Gil ô
Com a tropicália no olhar
Doces Bárbaros ensinando a brisa a bailar
A meiguice de uma voz
Uma canção
No teatro opinião
Bethânia explode coração
Domingo no parque, amor
Alegria, alegria, eu vou
A flor na festa do interior
Seu nome é Gal
Aplausos ao cancioneiro
É carnaval
É Rio de Janeiro

Me leva que eu vou
Sonho meu (bis)
Atrás da verde e rosa
Só não vai quem já morreu

1995

Enredo: A esmeralda do Atlântico
Autores: Rody, Verinha, Paulinho Carvalho e Fernando de Lima

Naveguei cruzando os mares
De verde e rosa eu vim
Desvendei tanta beleza
E hoje sou feliz assim, assim, assim
Numa onda de euforia
Deslizei nesta magia
E caí no azul do mar
Lendas, mistérios
Alamoa, rainha que nos faz sonhar

Ó pescador
O mostro engana (bis)
E tem maldade
Joga a rede e vai saudade

Foi na fonte
Que eu provei do seu encanto e despertei
Oh, cigana
Fui olhar pra você
Eu me enfeiticei
Achei
Noronha meu maior tesouro
Onde o dragão protege o ouro
Que o capitão deixou
Linda, paraíso da ecologia
Jóia rara traz a poesia
Preservação e amor

No vai-e-vem desse mar
Eu também vou velejar (bis)
Eu sou Mangueira
Vamos balançar

1996

Enredo: Os tambores da Mangueira na terra da encantaria
Autores: Chiquinho Campo Grande e Marcondes

No revoar da inspiração
O poeta conseguiu
Contar em verso e prosa
O amor pela cultura
Lendas e mistérios do Nordeste do Brasil
Deite numa rede de algodão
E adormeça nas crenças do Maranhão

No fundo do mar
Tem um castelo que é do rei Sebastião
Tem mandinga, tem segredo (bis)
Meu amor eu tenho medo
De brincar com assombração

Ana, se fez Don’Ana
Na carruagem tem uma mula sem cabeça
Por incrível que pareça
Uma serpente circundando o ribeirão
A Mamguda vai chegar
Bumba-meu-boi e cazumbás
É festa de São João

Agô Iná, Iná Agô
Oh! Doce mãe sereia
No seu lampejo que ilumine todos nós (bis)
Lá na praia dos Lençóis
É noite de lua cheia

Os tambores da Mangueira
Na terra da encantaria
Encantaram o touro negro
Que num toque de magia

Se vestiu de verde e rosa (bis)
E embarcou na poesia

1997

Enredo: O Olimpo é verde e rosa
Autores: Chiquinho Campo Grande, Lequeone e Jorge Magalhães

A luz se fez nascer de um novo dia
E a Mangueira em poesia
Fez luzir um clarão
Criou a juventude campeã
De corpo são e mente sã
É o Brasil do amanhã
Na Grécia antiga
Onde Zeus fez a morada
A hostilidade acontecia
Olímpia se tornou sagrada
Numa sábia decisão
Criaram os jogos da paz
Falou a voz da razão
Guerra nunca mais

Nero, o cruel sonhador
Entrou na competição
Disputou só, se fez campeão (bis)
Um grande imperador
Não deixou continuar
E fez a chama do Olimpo se apagar

Graças ao barão de Coubertin
As Olimpíadas voltaram
É o amor e a liberdade
Exaltando o valor e a igualdade
Assim como o barão
Mangueira, o santuário da esperança
O Olimpo é verde e rosa
É o esporte na cultura da criança

De braços abertos, sou o Rio de Janeiro (bis)
2004 é o sonho brasileiro

1998

Enredo: Chico Buarque de Mangueira
Autores: Nelson Dalla Rosa, Vilas Boas, Nelson Csipai e Carlinhos das Camisas

Mangueira despontando na avenida
Ecoa como canta um sabiá
Lira de um anjo em verso e prosa
De um querubim que em verde e rosa
Faz toda a galera balançar
Hoje o samba saiu
Pra falar de você
Grande Chico iluminado
E na Sapucaí eu faço a festa
E a minha escola chega dando o seu recado

É o Chico das artes, o gênio
Poeta Buarque, boêmio (bis)
Sua vida no palco, teatro, cinema
Malandro sambista, carioca da gema

Marcando feito tatuagem
Acordes no seu violão
Chico, abraça a verdade
Com dignidade contra a opressão
Reluz o seu nome na história
A luz que ficou na memória

E hoje o seu canto de fé, de fé (bis)
Vai buarqueando com muito axé

Ô iaiá
Vem pra avenida ver meu guri desfilar (bis)
Ô iaiá
É a Mangueira fazendo o povo sambar

1999

Enredo: O século do samba
Autores: Adalberto, Jocelino e Jerônimo

No rufar do seu tambor
Anunciou a verde e rosa
Que canta o século do samba
Canta os bambas em verso e prosa
"Pelo Telefone”
Vai buscar quem foi pra longe
Pra matar minha saudade
Recorda a Praça Onze em poesia
Deixa falar a nostalgia
O morro desce a ladeira pra cidade

Sinhô, Isamel, Pixinguinha
Cartola, Noel, Candeia (bis)
Ecoa no céu Mangueira
Traz todo o samba pra Estação Primeira

É orgulho, é religião
Em meigas faces tradição
Jeito moleque, mostra em breque
E o amor então se faz canção
Partido alto em fundo de quintal
Silas, poeta do meu carnaval
Mangueira, hoje o povo todo aclama
Nossa majestade, o samba
O mundo é um eterno moinho
Em seu berço, "Folhas Secas" vão caindo
As novas vão crescer em seu caminho
A Manga brota em flor sem ter espinhos

No batuque, no pagode
Avante mangueira (bis)
"Teu cenário é uma beleza"
Tua voz uma bandeira

2000

Enredo: Dom Obá II - Rei dos esfarrapados, príncipe do povo
Autores: Marcelo D´Aguiã, Bizuca, Gilson Bermini e Valter Veneno

Axé, mãe África
Berço da nação Iorubá
De onde herdei o sangue azul da realeza
Sou guerreiro de Oyó
Filho dos orixás
Vim da corte do sertão
Pra defender nossa pátria
Mãe gentil
Sou dom Obá, o príncipe do povo
Rei da ralé
Nos meus delírios, um mundo novo
Eu tenho fé

No rio de lá
Luxo e riqueza (bis)
No rio de cá
Lixo e pobreza

Freqüentei o palácio imperial
Critiquei a elite do jornal
Desejei liberdade
500 anos Brasil
E a raça negra não viu
O clarão da igualdade
Fazer o negro respirar felicidade

Sonho ou realidade
Uma dádiva do céu (do céu, do céu)
Vi o morro da Mangueira (bis)
Sambar de porta-bandeira
A princesa Isabel

2001

Enredo: A seiva da vida
Autores: Marcelo D´Aguiã, Bizuca, Gilson Bermini e Clóvis Pê

Nos mares da poesia, naveguei
Cruzando as fronteiras do tempo
Eu aportei
Nas terras de Canaã
O povo fenício encontrei
Do cedro, construíam as embarcações
Banhando com sabedoria
Outras civilizações
A expansão comercial
Gerou o intercâmbio cultural
Mistério, a seiva da vida
Chega ao país do carnaval

É prometida esta terra
Abençoado nosso chão (bis)
Onde a semente da paz é verde e rosa
E brota no seu coração

Da arte assíria, a inspiração
O rei mandou construir
O monumento ao amor
E à rainha negra ofertou
Tem mascates, troca-troca, gritaria
A dança do ventre até hoje contagia
Vou pro Saara comprar, no dia-a-dia
Descendo o morro
Vou vendendo alegria

Eu sou a essência do samba
A minha raiz é de bambas
Sou Mangueira (bis)
O tronco forte que dá fruto
A vida inteira

2002

Enredo: Brasil com 'Z' é pra cabra da peste, Brasil com 'S' é nação do Nordeste
Autores: Lequinho e Amendoim

Mangueira encanta
E canta a história que o povo faz
Vem mostrar a nação do valente sertão
De guerras e de sonhos imortais
A cada invasão, uma reação
Pra cada expedição, um brado surgia
Brilhou o sol no sertão
A luz de um novo dia
Lendas e crendices, mistérios que vem ao luar
No velho Chico naveguei, com meu cantar

No canto e na dança
No pecado ou na fé, vou seguir no arrasta-pé
Deixa o povo aplaudir (bis)
Ao som da sanfona
Vou descendo a ladeira, com o trio da Mangueira
''Doce Cartola'' sua alma está aqui

Padim, Padre Ciço faça chover alegria
Pra que cada gota seja o pão de cada dia
Jogo flores ao mar pra saudar Iemanjá
E na lavagem do Bonfim eu peço axé
Terra encantada, tão predestinada
Tua beleza não tem fim
Brasil, no coração eu levo paz
Pau-de-Arara nunca mais

Vou invadir o Nordeste, sou cabra da peste
Sou Mangueira (bis)
No forró, no xaxado os filhos do chão rachado
Vêm com a Estação Primeira

2003