32ª EDIÇÃO
25/12/07

Dublagens e Dubladores

Olá, amigos. Surgiu nos últimos dias a informação que estão sendo redublados quadros do Programa Chespirito, para quem sabe futura exibição pelo SBT. Em um primeiro momento, não gostei muito da notícia. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que estavam fazendo um trabalho à toa, visto que o próprio SBT tem a maioria dos quadros da década de 90 dublados.

Nem vem muito ao caso se Cassiano Ricardo e cia são melhores ou piores do que “a turma do Chaves Animado”, como estarei me referindo à nova turma de dubladores que está trabalhando em cima dos episódios mais recentes (muito embora alguns dos dubladores sejam os mesmos nos dois casos). O caso é que, se já existe um trabalho feito, não vejo necessidade de refaze-lo. A menos, é claro, em casos de força maior, como direitos autorais ou deterioração do material existente.

Mas as coisas mudaram um pouco de figura quando se soube que estavam sendo dublados quadros anteriores à 1990, ou seja, fora da alçada do Clube do Chaves. Afinal, a possibilidade de termos com áudio em português episódios como “Chapolin na vila”, de 1988, já é suficiente para deixar qualquer restrição de lado e esperarmos ansiosamente para podermos acompanharmos na televisão. E, quem sabe, não possamos ter algo do início dos anos 80, com a inigualável presença do Seu Madruga? Sonhar não cobra imposto...


Quem sabe não possamos ver episódios do começo dos anos 80 na tela do SBT?

Outro fator importante para se rever a rejeição inicial é o fato que apenas os quadros do Chaves estão sendo dublados, ao menos em um primeiro momento. A voz de Cassiano Ricardo, muito criticada neste personagem, é notoriamente superior (para a maioria dos fãs) nos demais quadros do Programa Chespirito, que seguem em exibição nas madrugadas do SBT.

Tatá Guarnieri, que parece ter assumido definitivamente a voz de Chespirito desde os DVDs da Amazonas Filmes, ainda sofre muitas críticas em todas as suas atuações. Também tenho as minhas restrições a ele, mas acho que devemos deixar o homem trabalhar. Sempre fui da opinião que a adaptação a qualquer coisa na vida se deve ao costume. Com o passar dos anos, creio que os fãs ao menos irão tolerar o trabalho do Tatá.

A pior coisa que tem em termos de dublagem é um personagem mudar de voz a todo momento. Isso acontece com muita freqüência, por exemplo, nos Simpsons, onde há casos em que houve mais de cinco trocas em um mesmo personagem, se não me engano no Krusty, o Palhaço. O próprio Homer Simpson já teve três dubladores diferentes, com quatro trocas de um para outro no total. Isso tira a identidade do personagem, por mais que as vozes possam ser parecidas.


Dr. Chapatin deve continuar com a voz de Cassiano Ricardo

Para os fãs mais clássicos, nada irá substituir a dublagem original. Isso é perfeitamente compreensível. Claro que, se eu tiver escolha, vou sempre preferir um episódio com dublagem Maga do que o mesmo redublado, por exemplo. Não apenas nas séries clássicas de Chespirito: no Pica-Pau, dei pulos de alegria quando comprei os DVDs e reconheci a velhas vozes de sempre; sentimento distinto tive quando comprei um DVD do Pernalonga e vi a maioria dos episódios redublados, ao invés da clássica dublagem da Cinecastro. Todo dia, lamento que a Imagem Filmes tenha lançado apenas um DVD com dublagem Maga, devido à proibição da Televisa por causa do processo de direitos autorais. Uma pena, resta torcer para que um dia haja um acordo. Quem ganharia são os fãs.

Por outro lado, também deve-se pensar também nos novos fãs, naqueles que estão recém começando a acompanhar as obras de Chespirito, por exemplo. Sem Marcelo Gastaldi, que infelizmente é inigualável e se foi, é importante padronizar as coisas, deixando um dublador ter seqüência e colocando nas mãos dele o maior número de material possível. No caso do Tatá, os Boxes, o Desenho e, agora, episódios dos anos 80 e 90. Se já não há Maga, que seja Tatá então.

Do mesmo modo, deve-se deixar Chaveco/ Chompiras, Pancada/Chaparron, Dr. Chapatin e Don Caveira com Cassiano Ricardo, que já criou uma identificação com todos esses personagens, e agrada à maioria dos fãs. Mudar agora, mal-comparando, seria o mesmo que escantear o saudoso Maga em relação aos episódios clássicos de Chaves e Chapolin, redublando todos os episódios que assistimos desde 1984 nas telas do SBT.


Chompiras poderia ser de Sérgio Galvão, mas o ideal é deixa-lo seguir seu curso com Cassiano Ricardo. Nada de Tatá!

Não estou levando muito em conta as dublagens da CNT que, embora igualmente muito bem-feitas, infelizmente são praticamente secretas, tendo sido exibidas há cerca de 10 anos e em uma emissora pequena, sem comparação com a representatividade do SBT. Até seria ideal que Sérgio Galvão, que dublava Chespirito na CNT, pudesse seguir com o personagem Chompiras, deixando Chaves para o Tatá, Dr. Chapatin, Chaparron e Don Caveira para o Cassiano. Mas daria mais confusão de vozes ainda.

Sobre o Chapolin, particularmente, não tenho opinião formada. Claro que, assim como no Chaves, a voz do Maga é inigualável. E tanto Cassiano Ricardo quanto Tatá Guarnieri fazem trabalhos razoáveis, não são nenhuma maravilha mas também não comprometem. Quando querem, sabem dar boas entonações à voz do atrapalhado super-herói. Por isso, qualquer um dos dois poderia ficar como “voz oficial”.

BOX 7

Para não fugir à tradição, vou comentar um pouco a respeito do Box 7, recém-adquirido por este colunista. De uma forma geral, a dublagem manteve o tom das edições anteriores, principalmente no Chaves, com Tatá tendo algumas oscilações no timbre de voz do garoto, Gilberto Barolli sendo apenas razoável na construção do Sr. Barriga, com Nelson Machado (Quico), Carlos Seidl (Seu Madruga) e Cecília Lemes (Chiquinha) também tendo leves oscilações mas defendendo bem os seus papéis clássicos, e os demais muito bem. A grata surpresa é Gustavo Berriel, que está magistral como Nhonho.

Em relação ao DVD do Chaves, o ponto positivo sem dúvida é o episódio de Natal, o único realmente inédito. A história é muito parecida com o nosso conhecido Dia de São Valentin, mas o final distinto já compensa tudo. O ponto negativo é sem dúvida o corte na segunda versão do Ano Novo. Por que fazer isso, Televisa?

No Chapolin, infelizmente há uma equiparação entre episódios inéditos e normais, o que não aconteceu nos DVDs anteriores, recheados de novas histórias para os brasileiros. A segunda parte dos Piratas do Caribe é excelente, mas claro que ficaria muito melhor a história toda em apenas um DVD.

No Chespirito, como de praxe, quase todos os quadros são dos inéditos anos 80, com exceção do extra sobre Frederic Chopin (cortado, para variar) e do excelente quadro “Casinha linda pra cachorro”. Escolhendo um episódio como o melhor, fico com “Depósito de besteiras”, do Dr. Chapatin, gravado originalmente em 1980.

Por ora é isso, amigos. Desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a todos. Até qualquer dia!

Eduardo (Rufino Rufião)
e-mail:
edubehling@yahoo.com.br