
28ª EDIÇÃO
02/09/06
Olá amigos! Saio um pouco deste
meu "exílio" para escrever um pouco a respeito do
maravilhoso Box III lançado recentemente pela Amazonas Filmes,
dando seqüência a um magnífico projeto que ainda vai render
muitas alegrias aos fãs brasileiros. Fiz a minha compra via
Internet, recebi a encomenda em casa e assisti aos 3 DVDs com
bastante calma, procurando estudar não apenas a evolução dos
dubladores como os episódios em si. Vamos então à minha
análise, começando pela seleção de episódios:

Exibição
do SBT prejudicou o impacto da presença de "Don Juan
Tenório" no DVD do Chaves
DVD CHAVES -
Esse é, na minha opinião, o ponto fraco do Box. Recheado de
episódios normais, o DVD do Chaves volume III não empolga. Sem
dúvida, o ponto de destaque vai para o magnífico episódio
inédito "O castigo do Quico", cujo enredo não
encontra similar em nenhuma outra história já exibida por aqui.
No entanto, os três demais episódios são nossos velhos
conhecidos: "O Bolo para o Professor", episódio da era
do restaurante (que eu particularmente aprecio, contrariando a
opinião da maioria dos fãs); "Os hóspedes do Sr.
Barriga" (apenas a primeira parte do nosso conhecido
especial de Natal) e "Amarelinhas e balões" (que,
apesar de ser de 1977, não conta com a importante presença de
Seu Madruga). Como extras, temos a mesma versão de Don Juan
Tenório exibida recentemente pelo SBT (o que, na minha opinião,
acabou prejudicando um pouco a importância da presença desse
episódio no DVD) e um divertido episódio em que Doutor Chapatin
aprende a jogar golfe.
Acho que a Televisa poderia ter caprichado melhor na escolha dos
episódios de Chaves. Claro, o azar de ser um DVD cheio de
episódios regulares é nosso, mas eu não gosto muito de ver
episódios de diferentes épocas estarem juntos. Prefiro uma
seleção mais bem feita, com episódios do mesmo ano ou com
alguma relação entre si, com algo em comum. Mas a Televisa deve
saber o que faz...

Bem que poderíamos ter tido a versão inédita de
"Amarelinhas e Balões" (1974) do que a normal do SBT
(1977)
DVD CHAPOLIN -
Ficou excelente. Dos 4 episódios, 3 são totalmente inéditos
por aqui (levando em conta que ninguém viu ou se lembra da
suposta exibição de "A bola de cristal" em 1990).
Esse episódio mencionado é muito divertido, principalmente a
última parte, quando Chapolin passa a imitar um macaco. Outro
episódio de destaque é "A corneta paralisadora", em
uma versão desconhecida dessa arma do Vermelhinho. Ouso dizer
que é melhor do que as duas versões conhecidas nossas, a que se
passa na barbearia e a das tintas.
A 1ª versão do "Anel da Bruxa" também vale a pena:
apesar de ser uma história conhecida, é uma versão inédita,
mais antiga. "Segure a minha mão", apesar de ser um
episódio conhecido por aqui, não pode de maneira nenhuma ser
menosprezado. Claro que seria melhor termos a 1ª versão
inédita, com Carlos Villagrán, mas nada é perfeito.
Os extras achei um pouco fracos. Claro, sempre é bom ter mais
uma exibição de Chespirito e Edgar Vivar como "O Gordo e o
Magro", mas o esquete "Serviços funerários" é
um pouco insosso.

A corneta paralisadora, presente em um episódio inédito no DVD
3 do Chapolin, é uma arma tradicional do Vermelhinho, apesar de
ter aparecido apenas duas vezes no Brasil. Esta foto é da
primeira aparição dela em um episódio regular, em 1972
DVD CHESPIRITO
- Também ficou estupendo. É o primeiro dos 9 DVDs já lançados
a ter material totalmente inédito em território brasileiro.
Além disso, os episódios são todos da década de 1980
(excetuando-se o extra), um meio termo entre os clássicos anos
70 e os anos 90, que já foram bem explorados tanto pelo SBT
quanto pela CNT.
Francamente, gostei de todos os episódios, cada qual com suas
particularidades. Entre os três quadros do Chompiras, o destaque
vai para o hilário "A Cadelinha Valiosa", com
Chimoltrufia e Botijão se vendo às voltas com uma cachorrinha
milionária e a possibilidade de uma gorda recompensa. No
Chaparron, para "O Consultório Psiquiátrico", um
quadro do primeiro ano da série (1980), quando podemos perceber
algumas diferenças na dupla Chaparron & Lucas, tanto na
vestimenta quanto nos bordões. O Dr. Chapatin aparece apenas
duas vezes (sem contar a sua participação no DVD do Chaves), a
mais cômica delas no quadro "A Partida de Pôker",
quando o velhinho se vê cercado por tipos mal-encarados em uma
mesa de jogo.
Há de se destacar apenas dois aspectos negativos: o quadro
"A Grande Guerra", de Chaparron, que veio cortado, e o
extra "O Uniforme do Soldado" que, apesar de ser
bastante engraçado, também parece ter sido tesourado.

Televisa cortou a saga dos "Hóspedes do Sr. Barriga",
colocando no DVD apenas a parte 1
DUBLAGEM -
Preferi falar da dublagem de um modo geral. Posso dizer que
evoluiu em todos os sentidos. O destaque do Box III é sem
dúvida Carlos Seidl, que conseguiu se aproximar muito da voz
tradicional do Seu Madruga. Podemos fechar os olhos e imaginar
que estamos vendo um episódio com dublagem Maga, tamanha a
semelhança. O mesmo pode-se dizer de Nelson Machado, que também
melhorou muito, não apenas na voz do Quico como também (e
principalmente) nos personagens de Carlos Villagrán em Chapolin.
Os demais dubladores clássicos mantiveram o mesmo bom padrão
dos dois primeiros volumes, principalmente Osmiro Campos e Marta
Volpiani. Helena Samara e Cecília Lemes às vezes perdem um
pouco o tom, principalmente a Cecília para a Chiquinha, cuja voz
ocasionalmente não combina com a de uma menina. Mas nada grave,
muito pelo contrário. No geral, todos estão ótimos.
Tatá Guarnieri evoluiu também. Muitos não gostam da voz dele
como Chaves, mas é uma questão de costume. Estou certo de que,
por volta do 5º ou do 6º Box, os fãs já estarão mais
familiarizados com a sua dublagem, tanto para Chaves quanto para
Chapolin. Já escrevi sobre isso, e reafirmo: sem contar o
saudoso Marcelo Gastaldi, Tatá é sem dúvida o mais indicado
para fazer as vozes da nossa querida dupla. Ainda prefiro
Cassiano Ricardo como Chompiras, Chaparron e Chapatin
(principalmente este), mas é, como já expliquei, uma questão
de hábito.
Gilberto Barolli, como Edgar Vivar, também teve uma leve
evolução. Claro que não podemos comparar a sua dublagem para o
velho Barriga com a do saudoso Mário Vilela, mas devemos dar uma
chance a ele, ver a sua voz nos diferentes personagens do Vivar.
Gustavo Berriel estreou bem dublando Raul Padilla, mas confesso
estar ansioso para ouvir a sua voz para o carteiro Jaiminho. É
aguardar o Box 4, que deverá estar em nossas mãos ainda em
2006.
Por ora é isso, amigos. Um grande abraço a todos e até a próxima!
Eduardo
(Rufino Rufião)
e-mail: elkhartlake@bol.com.br