26ª EDIÇÃO
27/01/06

Preocupações na exibição de Chapolin no SBT

Olá, amigos! Desta vez quero falar um pouco a respeito da exibição da série Chapolin no SBT, algo que nós fãs queríamos tanto. Não vou entrar no mérito do horário de exibição do programa, se deve continuar semanal ou voltar a ser diário ou mesmo na ridícula não veiculação do seriado para as Parabólicas, com a exibição no lugar do "interessantíssimo" programa da Top Therm.

Quero falar sobre os episódios em si. O SBT vem respeitando uma certa ordem na exibição dos capítulos, seguindo mais ou menos a ordem do famoso lote de 1984 (o meu preferido, por sinal). A emissora paulistana, inclusive, demonstrou muito tato ao retomar a exibição de onde tinha parado quando cancelou pela última vez a série, em setembro de 2003.

Na ocasião, o SBT havia começado a exibir os episódios na exata ordem do lote de 1984, começando pelo primeiro (Aristocratas vemos, gatunos não sabemos) e terminando no quinto (Vamos à Disneylândia com o Polegar Vermelho). Quando Chapolin voltou, em 2005, a emissora retomou a ordem ao passar o sexto episódio (O tesouro do pirata fantasma).


Chapolin está de volta, com algumas modificações na sua "grade de episódios"

Com exceção de uma exibição fora de lugar do clássico episódio do cleptomaníaco, a ordem foi mais ou menos mantida, inclusive com o retorno de dois episódios que estavam perdidos há 20 anos (O louco da cabana e Pedintes em família). Isso é de grande auxílio para os fãs, pelo menos para aqueles que acompanharam a trajetória da série ao longo de 20 anos de exibição na TV brasileira e principalmente para aqueles que querem gravar, pois já sabem mais ou menos qual episódio será exibido. Se não fosse a Top Therm eu estaria entre eles, gravando episódios com qualidade digital. Mas pelo menos há ainda as velhas fitas VHS...

Voltando ao assunto da exibição: infelizmente nem tudo são flores. Mesmo com a exibição na ordem e na incrível volta de episódios perdidos, existem alguns pontos que estão me preocupando e muito. Vamos a eles:

1) O que houve com os episódios "duplos", ou seja, aqueles que são precedidos por um quadro de Chespirito? Pela ordem, já deveriam ter sido exibidos três deles: "O bar de Chespirito/O homem invisível", "Soldado Chespirito/O poço do Racha-Cuca" e "Chapatin e o casamento/O pistoleiro da marreta biônica". Será que o SBT resolveu cancelar os quadros de outros personagens, levando junto os episódios do Vermelhinho? Só o tempo irá dizer, mas confesso estar muito preocupado. Acredito que tais episódios estejam definitivamente cancelados. A esperança é saber que o episódio "Chapatin e o contrabando/As pulgas" já foi exibido após a remasterização, em 2003, o que sem dúvida é um alento.


O que houve com o clássico episódio do Homem Invisível? Será que se tornou perdido? Esperamos que não...

2) A duração de certos episódios. Muitos transcorrem por 23 ou 24 minutos, o que sem dúvida irá prejudicar a exibição dentro de um tempo aproximado de 30 minutos (incluindo dois intervalos comerciais). Meu maior receio é que um episódio fantástico como "O retorno de Quase-Nada" (o meu preferido) seja picotado para se adaptar à grade. E não só ele: "O retorno da corneta paralisadora", "Expedição arqueológica", "Conde Terra Nova/Poucas-Trancas", etc.

3) O cancelamento definitivo de pelo menos dois episódios perdidos, os quais estou certo de que não voltarão nunca mais: "O planeta Vênus versão 1" e "Chapatin e o mendigo/O carateca versão 1". No lugar desses, como já vinha acontecendo nos últimos 10 anos, foram exibidas as versões mais recentes: "O planeta selvagem" e "Caratê cara a cara". Em compensação, deveremos ter o retorno de "A peruca de Sansão", episódio sem similar entre os habitualmente exibidos, assim como o do louco e o do mendigo.

4) O cancelamento de outros episódios com duas versões. Poderemos não ver mais, por exemplo, as versões mais antigas de "A casa mal-assombrada", "A troca de cérebros" e "Na construção". Esse é o ponto que menos me preocupa, acho que, se não foram cancelados ao longo de 15 anos de exibição (desde o lote de 1990), será difícil que sejam agora. Se bem que a remasterização de 2003 pode ter mudado um pouco a situação, com o SBT retomando alguns perdidos (e quem sabe inéditos, por que não?) e cancelando versões repetidas. Já houve ação semelhante no Chaves, com o cancelamento das primeiras versões em 1992 após a entrada de novos episódios na grade habitual, e mesmo em 2003, último ano de exibição das primeiras versões de "O Professor apaixonado" e "O mal-entendido".


A primeira versão da construção também pode estar a perigo. É esperar para ver!

Mas, como eu já havia dito: apenas com o prosseguimento da exibição dos episódios poderemos ter respostas a esses questionamentos. Espero que tenhamos logo essas respostas, com a série firme na grade do SBT (algo difícil em se tratando da emissora paulistana).

SOBRE O CHAVES

Eu gostaria de estender um pouco essa discussão a respeito do cancelamento ou não de episódios com mais de uma versão para a série Chaves. Como já escrevi acima, e todos nós fãs estamos carecas de saber, o SBT cancelou praticamente todas as versões mais antigas de episódios que tinha mais de uma em exibição. Via de regra, episódios mais antigos sem a Chiquinha (ou mesmo antes da saída temporária dela) deram lugar a versões da segunda metade dos anos 70: "O disco voador", "O despejo do Seu Madruga", "Os toureadores", etc.

Claro, para toda regra há exceção. No episódio "O regresso da Chiquinha" a situação foi inversa, com o cancelamento da versão mais nova (mais antiga apenas em exibição no Brasil). Em outros episódios houve um certo revezamento de versões, com dois episódios diferentes de "Baldes com água", "O mal-entendido" e "O Professor apaixonado" disputando espaço ao longo de 10 anos (às vezes um sumia, mas logo depois aparecia de novo).

A minha opinião sobre o tema: no caso de uma série diária, é importante ter o máximo de episódios possíveis disponíveis para exibição, já que as sucessivas reprises podem prejudicar a audiência de um programa. Portanto, seria importante a exibição das versões mais antigas, intercalando com as mais novas. Em uma série semanal, isso já não se faz tão necessário: como os episódios irão demorar para serem reprisados, não precisamos ter mais de uma versão de uma mesma história.

Acredito que o SBT fez bem em cancelar as versões mais antigas apenas e tão somente se isso estivesse condicionado à presença de novos episódios (como aconteceu em 1992). Caso a emissora pudesse exibir sem problemas todos os episódios que tinha "em caixa", fez uma tremenda burrada, já que a série na época era exibida em dois horários diariamente (o que continua acontecendo hoje em dia).


O gênio Roberto Gómez Bolaños. Não importa quantas versões de um mesmo episódio ele criou. O importante é o conjunto da obra.

Sobre uma eventual falta de originalidade de Chespirito em regravar essas versões, discordo frontalmente. No México, as séries eram exibidas semanalmente, sem reprises. Como acontece aqui, por exemplo, com "A Grande Família", que tem episódios inéditos a cada semana (a menos durante as férias, ou ocasiões diferenciadas). Portanto, depois de três ou quatro anos, era natural que se gravasse novamente uma história, ainda mais com mudanças de personagens (sem a Chiquinha, com ela, sem o Quico, com ele, com Seu Madruga, com Jaiminho, etc).

Para finalizar: não importa a quantidade de versões de um mesmo episódio que tenham sido produzidas e/ou exibidas aqui no Brasil. Devemos ser gratos a Chespirito por ter criado essas histórias maravilhosas e ao SBT por exibi-las aqui no Brasil por tanto tempo.

Por ora é isso, amigos. Um grande abraço a todos e até a próxima!

Eduardo (Rufino Rufião)
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