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23ª EDIÇÃO
11/08/05
Chaves saturado x Chespirito capitalista
Olá, amigos! Infelizmente tenho
tido pouco tempo para escrever sobre o mundo CH, devido a
questões profissionais e também atenção maior à minha outra
grande paixão: o automobilismo. Mesmo assim, continuo
freqüentando o FUCH diariamente, ficando sempre por dentro das
novidades e das opiniões de cada um.
Nos últimos dias, surgiram dois temas muito polêmicos, sobre os
quais eu gostaria de me manifestar. O primeiro deles: Chaves
está ou não saturado? Deve sair do ar ou não? O segundo tema,
igualmente polêmico: Roberto Gómez Bolaños é um capitalista
inescrupuloso, que só pensa em si e não se importa com
ninguém?
Sobre o primeiro tema: CHAVES ESTÁ ENJOANDO?
Algumas pessoas dizem que sim. O seriado, que está na nossa
televisão desde 1984, é exibido desde o final do ano passado
às 18 horas. Invariavelmente são transmitidos dois episódios,
espremidos em 45 minutos de duração: o primeiro totalmente
cortado, em uma transmissão de cerca de 12 minutos, e outro
praticamente inteiro, cabendo em pouco mais de 18 minutos. Sem
contar os intervalos comerciais, cada um com cinco minutos, o que
daria 35 minutos de exibição útil.
Apesar do programa estar tendo um bom retorno em termos de
audiência, com alguns anunciantes e presente no melhor horário
possível, existem muitas reclamações. A pior delas diz
respeito aos terríveis cortes, que acabam afetando o andamento
da história dos episódios e irritando os chavesmaníacos, que
querem ver seu programa predileto na íntegra, acompanhando todos
os detalhes, seja por questões estéticas, ou para poder gravar.
A segunda reclamação é um pouco mais difícil de entender.
Muitos estão se queixando das reprises excessivas do programa,
fazendo com que um mesmo episódio seja exibido mais de uma vez
por mês. Não me entra na cabeça que alguém que se diga fã do
seriado possa estar se queixando disso. Afinal de contas, Chaves
é reprisado desde 1984 e, muitas vezes, houve mais de uma
exibição diária.
O fã pra valer é capaz de assistir duas vezes o mesmo episódio
em um só dia, sem reclamar. Quanto aos cortes, até dou um pouco
de razão. Como fã, não gosto de ver os episódios tesourados,
e acredito que ninguém goste. Mas, temos que admitir, é melhor
do que nada. Seria muito pior se o programa estivesse fora do ar.
Li coisas que me deixaram pasmo: muitos preferem que o programa
saia do ar do que continue desse jeito. Ora, faça-me o favor.
Como um fã das séries pode defender essa idéia? O importante
é que Chaves seja transmitido, da maneira que for. Estando o
programa no ar, fica muito mais fácil brigar por melhorias, como
fim dos cortes e volta dos episódios. Não entendo muito bem
essa matemática: o programa deve sair do ar para ser melhor
tratado. Vai entender...
Em tempo: parece que os fãs que defendem a saída
das séries devem estar dando pulos de alegria. A partir de
segunda-feira, dia 15 de agosto, Chaves sairá do ar. Pelo menos
no antigo horário das 18 horas, já que ainda há uma esperança
de que a série seja exibida no horário do almoço, ou pelo
menos aos sábados. Resta esperar para ver. Chapolin e Clube do
Chaves, por enquanto, nem pensar.
O segundo tema em discussão é o CARÁTER DE CHESPIRITO.
Alguns dão o criador das séries CH como um grande capitalista,
um homem que só pensa em dinheiro e que não está nem aí para
as pessoas. Segundo os críticos, Roberto Bolaños só se
preocupa em lucrar, passando por cima de todos e não se
importando com sentimentos como amizade, companheirismo e
gratidão.
Em primeiro lugar: QUEM SÃO ESSAS PESSOAS PARA DAR OPINIÃO
SOBRE O CARÁTER DE ALGUÉM QUE NEM CONHECEM? Pelo jeito que
falam, parece que conhecem Chespirito intimamente. Não se pode
fazer julgamentos sobre ninguém. Ou será que eles têm algum
poder especial para entrar na mente das pessoas e julgar as suas
ações?
As análises são feitas pelo que acontece na mídia. Os
pontos-chave dos críticos: a saída de Carlos Villagrán, em
1978, e a continuidade do programa por 25 anos, recheado de
remakes e saída de atores.
Sobre o primeiro aspecto: o ponto de vista de Villagrán é
plenamente aceito: saiu porque Chespirito queria diminuir o seu
papel. E quem disse que as coisas realmente aconteceram assim?
Segundo todos os demais atores, Carlos saiu porque queria ganhar
dinheiro sozinho. Acreditar em quem? Alguém estava lá para
saber o que realmente aconteceu? É mais fácil acreditar em um
só ou em todo um grupo que diz o contrário (Chespirito,
Florinda, Edgar, Ruben, Maria Antonieta, etc)?
Quanto a continuação do programa: será que só porque Carlos e
Ramón Valdez deixaram as séries, Chespirito era obrigado a
encerrar tudo? Claro que não. O elenco era numeroso, e conseguiu
dar muito bem conta do recado nos 15 anos seguintes. Bolaños
encontrou soluções geniais para suprir as ausências: criou
novos cenários, incrementou personagens, criou situações novas
e, por fim, voltou com o Programa Chespirito, com novos
personagens, histórias mais curtas e ágeis.
Sobre os remakes, deve-se levar em conta que não havia reprise
das séries. Os programas iam ao ar semanalmente, e possivelmente
não seriam mais exibidos. Portanto, perfeitamente natural que
uma história fosse gravada de 3 em 3 anos, sempre com
variações de personagens e uma ou outra mudança. O próprio
SBT encontrou uma boa solução para esse problema: cancelou as
versões mais antigas, deixando apenas as mais recentes.
Finalizando esse assunto: Florinda Meza, Edgar Vivar e Ruben
Aguirre ficaram com Chespirito até o final, sem reclamar nunca.
Será que eles são capitalistas também? Sinceramente não
pareceu, Edgar foi de uma simpatia contagiante quando veio ao
Brasil, em 2003. Quanto à briga com Maria Antonieta: quem está
certo? O criador da personagem, ou a intérprete? Outro caso de
interpretação.
Por último, quero dizer que não tenho nada contra ninguém. Só
não consigo entender certas coisas, o que deixei bem claro nessa
coluna. Todos têm direito a ter uma opinião sobre determinado
assunto. Mas não existe unanimidade em lugar nenhum do mundo.
Por ora é isso, amigos. Um abraço a todos e até a próxima!
EDUARDO (RUFINO RUFIÃO)