14ª EDIÇÃO
26/06/04

 

1974 - O Ano Dourado da série "Chaves"

 

Olá amigos! Nesse meu espaço quero falar sobre aquela que considero como a melhor fase de todos os tempos da série El Chavo Del Ocho. Trata-se do ano de 1974. Curiosamente, esse foi o único ano em que a personagem Chiquinha não esteve presente em nenhum momento, devido à vontade de sua intérprete Maria Antonieta de Las Nieves de fazer carreira solo (apenas vontade, pois não obteve sucesso). A personagem saiu no final de 1973 e retornou “com o rabinho entre as pernas” nos primeiros meses de 1975. Mesmo sem sua presença, foram gravados alguns dos melhores episódios. Apesar de gostar da personagem, pode-se dizer que Chiquinha não fez muita falta. Sua ausência passou quase que despercebida, visto que a maioria dos chavesmaníacos prefere reclamar das ausências de Quico e Seu Madruga a partir de 1978/79 e esquece da sardentinha.
   
Antes dos detalhes, comecemos com os fatos históricos. O ano de 1974 teve alguns acontecimentos importantes no cenário mundial. Era ano de Copa do Mundo. A seleção brasileira fez uma campanha apenas regular (chegou na quarta posição). Mas o futebol que encantou o mundo foi praticado pela Holanda, a “Laranja Mecânica”, que com um futebol alegre, ofensivo e solidário trucidou todos os seus adversários, menos os donos da casa (Alemanha Ocidental), que derrotaram os holandeses na final por 2 a 1. Uma lástima...

O futebol alegre da Laranja Mecânica encantou o mundo, mas não levou a taça. 

   

 Emerson Fittipadi (primeiro carro à direita na largada do GP Brasil), bicampeão com a McLaren.

Ainda no esporte, o Brasil brilhava também ns pistas. Recém-saído da Lotus, o campeão de 1972 Emerson Fittipaldi garantia o bicampeonato em seu primeiro ano na então novata McLaren. O título foi conquistado de forma apertada na última etapa em Watkins Glen (Estados Unidos). Fittipaldi terminou em quarto, derrotando por pontos seus rivais Clay Regazzoni (Ferrari) e Jody Scheckter (Tyrell), na prova que foi marcada pela vitória do argentino Carlos Reutemann e pelo acidente fatal do austríaco Helmuth Koinigg.

                                                                      

No território brasileiro, a Ditadura Militar estava em seu auge. Ernesto Geisel assumia a presidência. A TV em cores ainda engatinhava. O Vasco da Gama conquistava seu primeiro título brasileiro. E vários outros acontecimentos que não vou listar aqui para não entediar meus caríssimos leitores.

Ernesto Geisel, penúltimo presidente da Ditadura Militar.

Mas o que mais nos interessa não é o que aconteceu no Brasil e no mundo em geral naquele ano, e sim no México. Mais precisamente em um certo programa de televisão, que entrava recém em seu segundo ano. Digo segundo ano porque o programa independente El Chavo Del Ocho foi criado em 1973. Antes disso, tratava-se apenas de um quadro do Programa Chespirito. Após meia dúzia de programas naquele ano, foi em 1974 que o novo formato precisava ser consolidado, a fim de garantir bons números de audiência e tentar conquistar alguns fãs pelo mundo afora. Não preciso nem dizer que o êxito foi total.

Outro fato importante ocorrido em 1974 foi a criação de novos personagens para a série, a fim principalmente de suprir a ausência da Chiquinha. Apesar da maioria dos diálogos e situações exigirem apenas duas crianças, era necessária a criação de outras para determinados episódios. Assim, os personagens que eram os mesmos desde 1971 ganharam a companhia de Nhonho (o filho do Sr. Barriga, também interpretado por Edgar Vivar), Popis (sobrinha de Dona Florinda, também vivida por Florinda Meza) e Malicha (a sobrinha do Seu Madruga). Esta última durou apenas três ou quatro episódios, mas os dois primeiros duraram 20 anos, e “encerraram a conta” junto com todos os outros personagens, na metade da década de 90.

Personagens Nhonho e Pópis foram criados em 1974 para suprir a ausência da Chiquinha. Cinco anos depois, suas criações foram justificadas para a substituição do Quico.

Agora, vou explicar porque realmente considero 1974 o melhor ano do Chaves. Não é por causa dos fatos listados acima. O mais importante é a dinâmica que o seriado tinha nessa época. A maioria dos episódios era mais longa (alguns chegam até 26 minutos), mas mesmo assim nem por um momento tornavam-se tediosos. Os diálogos e situações eram mais bem-construídos, os personagens atuavam mais e melhor. Não eram deslocados, ou seja, cada personagem tinha uma função bem-definida. Se tirassem um que fosse, a história não poderia continuar. O roteiro era muito bem dividido. 

 Na versão de 1978 de “O Homem da Roupa Velha” (ou “O Velho do Saco”, como queiram), Chiquinha participou, apesar de sua presença não fazer falta à condução da trama. A cena da foto da versão original foi gravada com Quico. 

Alguns vão querer me “pegar na saída”, mas devo dizer que a ausência da Chiquinha propiciou essa grande fase do seriado em termos de dinâmica. Isso acontecia principalmente nas situações envolvendo as crianças. É notório que a grande maioria dos diálogos e situações de Chaves foi feita para ser vivenciada por duas crianças. Episódios como “O Disco Voador”, “Os cofrinhos”, “Professor Apaixonado”, entre outros, foram concebidos em 1974 para terem a participação de duas crianças (no caso Chaves e Quico).

Para perceber essa diferença basta assistir a alguns remakes elaborados entre 1975 e 1978, período em que Quico e Chiquinha estiveram juntos no seriado. Na maioria desses episódios refeitos, a Chiquinha (que entrou depois) ficou jogada a escanteio, fazendo aparições ocasionais que nas versões originais foram feitas apenas por Chaves e por Quico (ou até por Seu Madruga, como no episódio “Invisibilidade”). Participações essas que eram totalmente desnecessárias, feitas apenas para aproveitar a personagem e diferenciar um pouco as novas versões, que eram necessárias pelo fato do programa não ser reprisado (como acontecia aqui).

Claro, não vou dizer que a Chiquinha não deveria ter voltado. Até porque ela e Quico juntos fizeram muita “coisa boa” entre 75/78, material inédito que fizeram os fãs se apaixonar ainda mais pelo programa: “Acapulco”, “Festa da Boa Vizinhança”, “Fonte dos Desejos”, “A Sociedade”, “O Julgamento do Chaves”, etc. Volto a repetir: apenas nos remakes a participação da Chiquinha é dispensável.

Em alguns episódios como "A Sociedade", Quico e Chiquinha atuam muito bem juntos.

A saída de Seu Madruga em 1979 fez com que a ausência de Quico fosse mais sentida do que a de Chiquinha.

A volta dela também foi fundamental para manter a série após a saída do Quico, em 1978. Com essa ausência, a dinâmica de 74 voltou um pouco, já que o quadro era parecido: duas crianças principais (Chaves e Chiquinha) e outras duas menos importantes para participar de episódios que as exigissem (Nhonho e Popis). Por causa dessa dinâmica que sou um dos fãs de CH que menos sentiu a falta de Quico a partir de 1979. Volto a dizer que Quico e Chiquinha são fundamentais para o sucesso das séries. Mas na maioria dos episódios, era um ou outro. Não havia necessidade de estarem os dois juntos. 

Por causa dessa dinâmica, digo que 1974 foi o “ano dourado” de Chaves. Apesar da dinâmica ter voltado de 1979 em diante, prefiro 74 pelo fato de achar Quico mais importante do que a Chiquinha. E também, claro, pela ausência de Seu Madruga, na opinião de muitos (e da minha também) o melhor personagem de Chaves.

Para terminar, afirmo que alguns dos melhores episódios da série foram gravados nesse bendito ano. Só para listar alguns clássicos: “Os Espíritos Zombeteiros”, “O Disco Voador”, “Madruguinha”, “Os Cofrinhos”, “A Cruz Vermelha”, “O Despejo do Seu Madruga”, “Profissionais do Ioiô”, entre outros. Vale lembrar que a grande maioria dos episódios gravada nesse ano (ou até todos) ganhou inúmeras novas versões ao longo de 10 anos da série Chaves (mais 10 anos de quadros do Programa Chespirito). Mas isso é assunto para uma outra ocasião.

Um grande abraço amigos, e até a próxima!

Eduardo (Rufino Rufião)


Eduardo (Rufino Rufião)
e-mail:
elkhartlake@bol.com.br