Coluna do Rufino Rufião

 

11ª EDIÇÃO
05/03/04

   
Nada de CH: o que eu faço com minhas tardes?
   


É melhor rezar muito, Chapolin. Se está difícil até para o Chaves entrar na programação, imagina você, tão injustamente discriminado pela emissora de TV...

E aí pessoal? Não vou perguntar se está tudo bem, porque obviamente não está. Pelo menos no aspecto televisivo. Acredito que todos vocês que estão lendo agora esta coluna compartilham do mesmo sentimento que eu. Sem Chapolin e especialmente sem Chaves na televisão, o que fica é um vazio muito grande, um sentimento de frustração. Em alguns, até de raiva (acho que desejar que uma emissora de TV afunde não é pecado, é?). Mas, infelizmente, não há muito o que possamos fazer além de continuar mandando e-mails e ter esperança. Talvez a mídia possa nos ajudar. Devemos mandar mensagens para jornais, rádios, televisões e sites de Internet. Ao contrário da primeira saída, em agosto do ano passado, essa não está sendo muito notada. Devemos nos fazer notar. Com certeza haverá gente do nosso lado.
 
Sobre a saída em si: sempre pensei que essas séries fossem imortais. Até o fatídico agosto de 2000, eu nunca sequer pude imaginar que pudéssemos ter qualquer um dos dois, seja o super-herói atrapalhado seja o menino órfão e sua turma, fora da televisão, no caso o SBT (eu não queria pronunciar esse nome, mas acabei sendo obrigado). Mas, a partir daí, começamos a ter a noção de que nada, por melhor que seja, é eterno. O fim estava anunciado. Os cortes nos programas eram outros indícios muito fortes.
 
Por mais carisma e tradição que tenham as séries de Chespirito, isso não importa mais para uma emissora que só visa o lucro. Se uma tarja preta der mais audiência do que um outro programa qualquer, não há dúvida de que a tarja fica e o outro programa sai. A opinião dos demais telespectadores, a busca pela qualidade televisiva e a opinião da mídia especializada que vão para as cucuias: o que importa é o lucro. 
   
O resultado é que a emissora de Sílvio Santos está preenchida basicamente com três tipos de atrações: desenhos, novelas e filmes (fora um ou outro programa de auditório). Convenhamos, isso é muito pouco para uma empresa que visa se tornar a segunda do ramo no Brasil.

Com tanto espaço para desenhos (apesar de eu gostar de Tom e Jerry), será que não haveria um tempinho para CH?

 A única novela que presta é Celebridade. Quem matou Lineu Vasconcelos? Eu já tenho meus suspeitos...

Caros leitores, digam-me a verdade: quantos de vocês assistem às seis novelas do SBT? Claro, assistem uma ou outra, MAS SEIS??? Isso é demais, pelo amor de Deus. Seis novelas, sendo que quatro mexicanas, uma reprise e um remake. Se fosse a Globo, que produz atualmente cinco novelas (incluindo Malhação e a minissérie) e apenas uma reprise... Atualmente, a única novela que assisto é Celebridade, da Globo (quem matou Lineu Vasconcelos?). Será que o SBT não poderia tirar uma novela (lógico que teremos que esperar uma delas acabar) e um pouco do repetidíssimo Festolândia para colocar Chapolin e Chaves? Ou, pelo menos, colocar as séries aos sábados? O que custa abrir uma hora quando seis horas são preenchidas pelos desenhos? O que custa agradar a todos e não pensar tanto na audiência?

                                                                      

Bem, vamos voltar para o título da minha coluna. Eu trabalho em um jornal pela manhã, e das 17 às 20 horas eu tomo conta da Farmácia da minha família. Portanto, tenho as tardes livres. Tardes essas que durante quase vinte anos traziam para as nossas telas as séries CH (com exceção de cinco ou seis anos atrás, quando as séries iam ao ar às 11h da manhã). Agora, sem elas, o que faço? Tem algo de interessante para assistir, algo que me faça sair de frente da tela do computador? Resposta: Não.
 

 O único programa que assisto nesse período é o divertidíssimo Vídeo Game, com a Angélica (que mulher maravilhosa, sou fã número um dela desde a Manchete). A televisão à tarde está sofrível em todos os canais, é só novela, programas de fofoca e culinária e filmes pouco interessantes. Será que as emissoras pensam que apenas as donas de casa assistem a televisão naquele momento? Ainda mais nas férias, quando a criançada está toda em casa. É melhor eu ficar conectado na Internet e melhorando meus recordes nos joguinhos de corrida que tenho.... Algum de vocês tem uma solução melhor? Até as pegadinhas estão acabando...

Angélica, a salvadora das minhas tardes. Como eu gostaria de ser essa uvinha...

 

 

Como eu já disse no primeiro parágrafo, meu maior desejo atualmente é que o SBT se afunde e perceba o grave erro que está cometendo ao preterir as séries CH. Eu tenho até vergonha quando alguém me pergunta o que aconteceu com o Chaves. Mas isso não é para sempre: em breve as séries estarão de volta (pelo menos o Chaves). Como eu também já disse, nenhuma situação é eterna, por melhor ou pior que seja. Ainda mais com o SBT, que muda sua grade de programação uma vez por mês.


Mesmo com a beleza de Jennifer Aniston, prefiro as trapalhadas e o carisma de Chapolin e Chaves.

E agora, ainda por cima, surge essa informação de que o famoso seriado Friends estará nas telas do SBT a partir de março. Podemos ver essa notícia por dois ângulos, um otimista e outro pessimista. O otimista é que, com a nova mudança na grade e esse espaço que se abre, pode sobrar um espacinho para nós (nem que seja 15 minutos, pelo menos para manter a chama CH acesa). Na época dos Simpsons, o SBT exibia as séries juntas e tinha bons índices de audiência. Quem sabe com a aquisição de uma série tão badalada quanto a família amarela não haja uma luz no fim do túnel. A pessimista é que, com mais um programa no ar, talvez possa “não ter espaço” na programação. É esperar para ver. Nada contra Friends (e muito menos contra Jennifer Aniston), mas tudo a favor de Chapolin e Chaves.
 
   

Bem, pelo menos, a temporada 2004 do automobilismo está começando. Dia 29 de fevereiro começa a Fórmula Indy, que está de volta na Bandeirantes (dá-lhe Hélio Castroneves e Tony Kanaan). Dia 7 de março começa a Fórmula 1 (dá-lhe Williams e McLaren, fora Ferrari). E em abril começa a Fórmula Mundial na Rede TV! (dá-lhe Bruno Junqueira). É uma forma de “ocupar a cabeça” e amenizar a grande perda que estamos sofrendo atualmente (é claro que as fitas ajudam, mas não é a mesma coisa). Mas, volto a repetir: em breve, teremos novamente CH na nossa televisão. Até quando, não sei.

 

A temporada de automobilismo está começando. Espero que, nesse ano, acidentes terríveis como esse de Kenny Brack, na Indy, não voltem a acontecer.

 
 

Por ora é isso, amigos. Até a próxima!

 


Eduardo (Rufino Rufião)
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