COM VOCÊS: MAIS UMA "EDIÇÃO EXTRA" DE PAULO PACHECO


Paulo Pacheco (segundo da esquerda pra direita, de camisa branca, ao lado da dubladora da Chiquinha Cecília Lemes), num evento CH junto com sósias, além do dublador do Quico Nelson Machado

            Paulo Pacheco, também conhecido como Corpo do Benito nos fóruns CH, é estudante de Jornalismo da Universidade Cásper Líbero, em São Paulo-SP (meu futuro colega de profissão, "portonto"). Em setembro de 2009, ele foi o principal produtor de uma reportagem sobre as séries CH veiculada nacionalmente pela TV Gazeta, que exibe um programa aos domingos de noite chamado "Edição Extra", que reúne matérias realizadas por "focas" (iniciantes no Jornalismo) da Cásper Líbero. Dubladores, fãs e produtores foram entrevistados, constituindo assim uma grande reportagem de quase seis minutos, que pode ser baixada aqui ou assistida nesse link. No momento da exibição da matéria, o programa obteve pico de um ponto de audiência, batendo a TV Bandeirantes.
            Paulo conta com detalhes todos os bastidores dessa grande reportagem chavesmaníaca, exibida para todo o Brasil, e realizada por chavesmaníacos. Para ele, a matéria foi a mais imparcial dentre todas já realizadas por outras importantes emissoras brasileiras sobre Chaves e Chapolin.
"Ela tratou de assuntos antes despercebidos pela maioria do público, como a vinda da série ao Brasil e os episódios perdidos, algo que no SBT, seria impossível", justifica. Os bastidores ainda revelam adrenalina e suspense puros, provocados pela demora do SBT em autorizar a reprodução de trechos dos episódios durante a reportagem.
           
Depois de comentar o seu amor pelas séries de Chespirito, esse futuro jornalista relatou estar hornado em participar do ChaPapo. "Não sou um conhecedor profundo das séries CH, mas faço o que posso com a paixão que sinto pelos seriados. Obrigado pelo espaço!". Nós é que agradecemos, Paulo!

Mestre Maciel - Qual o seu nome completo, a cidade natal e data de nascimento?
Paulo Diego Farias da Silva Pacheco. Nasci em São Paulo no dia 7 de junho de 1989.

MM - Onde você mora atualmente?
PP - Ainda moro em São Paulo, na mesma zona norte de sempre.

MM - Qual o seu grau de escolaridade?
PP - Ensino Superior Incompleto. Digo, estou cursando ainda.

MM - Desde quando você acompanha as séries CH? Quando você começou a gostar de fato delas?
PP - Acompanho desde quando chutava a barriga da minha mãe! Bom, é o que ela diz, que assistia a "Chaves" quando estava grávida. Em vida, não me lembro a primeira vez que vi, mas a partir de 2003, época do "Chaves Especial", exibido aos sábados, comecei a me interessar mais, a pesquisar assuntos referentes à série. Como estudei meu Ensino Fundamental à tarde, não conseguia sair de casa a tempo de assistir na tradicional hora do almoço. Acompanhei mais os horários alternativos, como o fim da tarde. No Ensino Médio, quando comecei meu vício CH, pude ver a série na hora do almoço e à tarde. Uma agradável overdose! (risos)

MM - Qual o primeiro site CH que você conheceu?
PP - Foram tantos que às vezes a memória se atrapalha... um dos primeiros que acessei foi o ChespiritoWeb (http://www.chaves.rg3.net/), em meados de 2003. Nessa época, também costumava visitar o Tinha que ser o Chaves! (http://tinhaqueserochaves.50webs.com/ch.html).

MM - Qual outro site, não sendo de Chaves, que você recomenda?
PP - Acesso regularmente o blog do crítico de TV José Armando Vannucci (http://parabolicajp.com.br). Dentre as páginas da internet sobre TV, o blog dele é o mais organizado, na minha opinião. Também recomendo o JBox (http://jbox.com.br), sobre animês e mangás, tema por que tenho muita admiração.

MM - Qual o melhor site CH na sua opinião?
PP - Não tenho o preferido, mas alguns que acesso com mais frequência: o Vila do Chaves (http://www.viladochaves.com/), o Portal Chaves (http://www.portalchaves.com/), desde quando ele era só Turma CH, e o Clube do Chaves (http://www.clubedochaves.com.br/).

MM - Comente sobre a produção da matéria CH para o programa "Edição Extra" da TV Gazeta, que foi exibida em setembroQuais foram as maiores complicações? Como foi a receptividade dos entrevistados? Como José Salathiel Lage, o homem que teria incentivado Silvio a apostar nas séries, foi encontrado?
PP - A Fundação Cásper Líbero, através da TV Gazeta, forneceu um espaço para os alunos de Jornalismo e de Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero. Surgiu, então, o "Edição Extra", que exibe reportagens produzidas pelos estudantes no primeiro domingo de cada mês. Desde que entrei na faculdade, só esperava o mês de agosto (mês de aniversário da série no Brasil) para fazer a matéria sobre "Chaves". Quando chegou a hora, enviei a pauta e convidei as fontes. Creio que o fato de a monitora do programa, a professora Regina Soler, ter trabalhado no SBT e conhecido algumas dessas fontes foi importante para a aprovação da matéria. Os entrevistados foram: José Salathiel Lage, diretor de dublagem do SBT na época da vinda de "Chaves", os dubladores Cecília Lemes e Nelson Machado (os mais acessíveis, pois sempre aparecem em matérias na TV sobre "Chaves"), Luís Joly e Fernando Thuler, autores dos livros "Chaves: Foi sem querer querendo?" e "Chaves e Chapolin: Sigam-me os bons!", e os sósias Rogério Favo (Kiko), Flávio Pelozin (Chapolin) e Ricardo Manfredini (Chaves).


José Salathiel Lage: o homem que convenceu Silvio Santos a exibir "Chaves" no SBT

Para encontrar Salathiel, recorri ao sempre solícito Mário Lúcio de Freitas. Ele gravou para o "Edição Extra" (a partir do meu convite) uma matéria sobre jingles publicitários, exibida em junho. Em seguida, conversamos e ele citou que Salathiel tinha convencido Silvio Santos de que "Chaves" era um bom produto. Este fato desmentia outros dois: de que Silvio era o único que acreditara na série e de que toda a direção do SBT era contra a exibição. Mário me passou o telefone do Salathiel, ele aceitou fazer a gravação onde trabalha, no SEB (Sistema Educacional Brasileiro). Ele é consultor de comunicação.

Luís Joly foi uma fonte fácil de encontrar. Pelo Orkut e por e-mail, detalhei mais a pauta para ele, que também topou. Ele trabalha com Fernando Thuler na mesma empresa, fato que contribuiu muito - eu só pretendia gravar com Luís por não ter encontrado os outros autores. A entrevista correu bem, fui até com uma camiseta do Chaves, levei o livro que eles autografaram para mim em 2005... o único problema foi que a conversa não se aprofundou mais, ficou só no assunto "a atemporalidade e universalidade de 'Chaves'", ou "o seriado feito com materiais precários que conquistou o mundo", enfim, temas que sempre aparecem em matérias na TV sobre a série.

Encontrei Nelson de forma inusitada. Tinha visto um programa na Rede Brasil de Televisão uns quatro meses antes da gravação, em que ele participou. Anotei o telefone de contato, pensando que um dia seria útil. E foi. Mas minha ansiedade foi tanta que liguei cedo demais, o Nelson me atendeu com uma voz de sono e pediu para eu ligar mais tarde. Mais "acordado", Nelson topou gravar conosco e me passou o telefone de Cecília, que também concordou. Pensava numa gravação clássica: entrevistá-los dentro de um estúdio de dublagem. No entanto, os horários das fontes e da BKS (recomendação de Nelson), não coincidiram, e recorri ao amigo Chilango, restaurante de todos os momentos e eventos. Além disso, juntei dois dias de gravação num só, pois também chamei os sósias para gravar no local.

Chamei Rogério Favo em virtude da participação dele no programa "Vinte e Um", do SBT. Além de ator, ele trabalha com remasterização de fitas e revelou que a emissora havia contratado a empresa (e outras) para "salvar" alguns episódios de "Chaves". Segundo Favo, episódios como "A Morte do Seu Madruga" constavam como "perdidos", pois não passavam há um tempo. Após a remasterização, ele começou a ser reprisado inúmeras vezes no horário das 7 da manhã, em 2008. Os outros sósias, Flávio Pelozin e Ricardo Manfredini, atenderam ao meu pedido. Também chamara Tiago Frazão (Professor Girafales), mas ele não pôde comparecer. Pelozin também não pôde levar a roupa de Chapolin, e improvisou uma fantasia de Seu Madruga.

Queria muito falar sobre os episódios perdidos, tema nunca abordado em matérias da TV. Como o Eduardo Gouvea, o Valette Negro, não estava em São Paulo na ocasião, convidei alguém próximo e de São Paulo: David Denis Lobão, o Fly, via Twitter. O que aconteceu foi que tínhamos muitas fontes para poucos minutos de matéria.

Terminadas as gravações, hora de decupar as fitas e editar o material. Utilizei DVDs CH meus (solicitei alguns para o Manfredini) para ilustrar a reportagem. Na noite de quinta-feira, a três dias da exibição, a monitora do programa me perguntou: "Você tem autorização do SBT para a divulgação dessas imagens?". Entrei em desespero. Tinha falado com Daniela Beyruti, diretora do SBT e filha do "patrão", um dia antes, via Twitter, divulgando a matéria. Conseguir falar novamente com ela seria quase impossível. Restou-me encontrar o telefone da assessoria de imprensa do SBT e pedir uma luz. Passei toda a sexta-feira tentando. Perdi aulas na faculdade, decorei a música "Pode sonhar que dá", dos 50 anos do Grupo Silvio Santos e que tocava quando eu telefonava para o SBT. Recorri inclusive a Amazonas Filmes, que declarou que só a Televisa podia autorizar. No final da tarde, consegui a suada autorização do SBT, via e-mail, desde que pusesse "arquivo pessoal" nos créditos. E o fiz.

No domingo, fiz uma grande divulgação da matéria na internet e consegui fazer o "Edição Extra" vencer a Bandeirantes no horário, sendo o pico de audiência (1 ponto) obtido na reportagem sobre "Chaves". Foi muito gratificante!

MM - A matéria com Mário Lúcio de Freitas pode ser vista clicando aqui.

"Mário Lúcio de Freitas citou que Salathiel Lage tinha convencido Silvio Santos de que 'Chaves' era um bom produto. Este fato desmentia outros dois: de que Silvio era o único que acreditara na série e de que toda a direção do SBT era contra a exibição".

MM - Como essa reportagem foi feita por fãs CH, deixando de lado a modéstia, concorda que ela tenha sido a mais bem sucedida sobre as séries já veiculada tanto em TV quanto em jornais e revistas? Quais as ressalvas que você faz quanto às demais matérias referentes a Chespirito publicadas por veículos importantes?
PP - Não posso garantir que foi a melhor matéria já feita, até porque sou um reles aprendiz (um "joão-ninguém", diria Girafales!). Mas acredito que foi a mais imparcial, pois tratou de assuntos antes despercebidos pela maioria do público, como a vinda da série ao Brasil e os episódios perdidos. No SBT, seria impossível. As matérias do "Pânico na TV" sobre "Chaves" foram as mais esclarecedoras, por enquanto.

MM - Fale sobre seu blog Letras Escapadas e seu conteúdo.
PP - Empolgado com o vestibular, iniciei o Letras Escapadas em outubro de 2008, para treinar um pouco o jornalismo. Como tenho uma queda maior por TV, escrevo mais sobre este assunto. Mas também publico textos sobre política (principalmente sobre São Paulo), cultura geral (já publiquei críticas teatrais, resenhas de livros etc) e textos noticiosos, com maior frequência em 2009. Aos poucos, vou deixando o blog mais informativo do que opinativo. Considero uma evolução da minha prática jornalística, já que qualquer um pode opinar. O final de ano e as temidas provas me consumiram a ponto de não atualizar o blog com tanta frequência, mas preparo novos textos. O blog é meu canto de liberdade.

MM - No começo do ano, usuários descontentes com o FUCH deixaram o fórum e criaram o Fórum Chaves. Na sua opinião, por que isto ocorreu?
PP - O FUCH caía constantemente. Na época de maior acesso, que foi quando Chapolin tinha voltado com perdidos e inéditos, as quedas eram frequentes. Então foi justo usuários descontentes fundarem outro fórum de discussão. E é justo ter vários fóruns, acho normal, participo dos dois.

MM - É tradição nos fóruns CH ranços entre usuários devido à disputa pela moderação. Você não acha esses conflitos um exagero?
PP - Ser moderador não é fácil. Eu mesmo me candidatei em 2006, mesmo não estando plenamente preparado. O candidato a moderador tem que ter consciência da responsabilidade que tem nas mãos. Mas rusgas não levam a nada. Afinal, estamos todos no mesmo barco: a paixão por CH.

MM - Você tem outros ídolos fora Chespirito?
PP - Admiro dublagem. Tenho como referência minha outra paixão, os animês (principalmente "Os Cavaleiros do Zodíaco"). Já me encontrei com algumas vozes famosas, e nessas ocasiões senti minhas pernas tremendo (não é pelo frio, tampouco minha mãe é de Cabo Frio! - risos).

"Na quinta, a três dias da exibição no domingo, a monitora do programa me perguntou se eu tinha autorização do SBT para divulgar imagens do seriado. Entrei em desespero. Encontrei o telefone da assessoria de imprensa do SBT e passei toda a sexta-feira tentando. Perdi aulas na faculdade, decorei a música 'Pode sonhar que dá', dos 50 anos do Grupo Silvio Santos e que tocava quando eu telefonava para o SBT. Recorri inclusive a Amazonas Filmes, que declarou que só a Televisa podia autorizar. No final da tarde, consegui a suada autorização do SBT, via e-mail, desde que pusesse 'arquivo pessoal' nos créditos. E o fiz".

MM – Você prefere Chaves ou Chapolin? Por quê?
PP - Estão tecnicamente empatados, mas Chaves vence nos décimos. Chapolin é o melhor personagem interpretado por Bolaños. Mas não é só de Chaves que se faz uma vila. Todos os moradores da vizinhança, ao entrarem em conflito, promovem histórias divertidas e contagiantes. É como nas novelas em que as histórias paralelas agradam mais do que as dos protagonistas. Rio com Chaves, mas rio muito mais quando Kiko e Madruga contracenam juntos, por exemplo.

MM - Qual o seu episódio favorito do Chaves?
PP - Uma lista imensa... Acapulco é chavão (que não é aumentativo de Chaves! - risos)... Fico com "Era uma vez um gato", ou "O julgamento do Chaves", enfim, quando o Chaves atropela o animal do Kiko (pertencente a ele, para esclarecer). São piadas seguidas de piadas, e pelo dinamismo da história este é meu episódio preferido. Claro, há uns quinze empatados, mas este ganha!

MM - Qual o seu episódio favorito do Chapolin?
PP - "De noite todos os gatos fazem miau". Nunca tinha passado, até que tive a grata surpresa de vê-lo em 2006. E nunca ri tanto em um episódio como neste. A melhor luta do Chapolin também está em um ex-perdido: "O louco da cabana". Aquela vela acesa no traseiro do Rubén Aguirre ainda deve arder! (risos).

MM - Qual o episódio mais chato do Chaves?
PP - Embora goste menos do episódio "Uma ajuda para a cruz vermelha", não vejo nenhum episódio chato em "Chaves". Chatos mesmos são os cortes do SBT!

MM - Qual o episódio mais chato do Chapolin?
PP - Também não vejo episódio chato em "Chapolin". Ele é tão maltratado pelo SBT, que cada vez que volta me traz sorrisos só por isso. Enfim, de "Chato" eu fico com o Raul "Chato" Padilla"! (risos)

MM - Qual o seu personagem favorito do Chaves?
PP - Seu Madruga. Ele é o único que sofre com as crianças e com os adultos em "Chaves". OK, o Senhor Barriga sofre com o Chaves e com o "caloteiro" Seu Madruga. Mas acho pior o sofrimento de ser seguido por alguém só porque deve miseráveis 14 meses de aluguel! (risos). E também gosto porque não é um personagem, é o Ramón Valdéz que "interpreta" ele mesmo. Um gênio.

MM - Qual o personagem que você menos gosta no Chaves?
PP - Ainda não tenho essa reposta. Até dos figurantes da sala de aula do Professor Girafales eu gosto!

MM - Qual o melhor vilão do Chapolin?
PP - Super Sam. Ele não é exatamente um melchior... digo, um mal-feitor. Mas ele tenta impor sua maneira de salvar o mundo. Ele pensa que é capaz de salvar o mundo todo, mas não percebe que isso é impossível. Para mim, é a melhor criação de Bolaños, principalmente pelo ator que o interpreta, Ramón Valdéz. Um magricela representando a "fortaleza". É a representação perfeita dos Estados Unidos: um país que se mostra potente, indestrutível, e não consegue enxergar (ou tenta disfarçar) sua pequenez, sua fragilidade.

MM - Qual o melhor ator/atriz das séries?
PP - Ramón Valdéz, por trazer sua personalidade aos personagens que interpreta.

MM - Qual o seu bordão favorito?
PP - "Não há pior luta do que aquela que não se enfrenta". Não é exatamente um bordão, mas uma frase dita pelo Seu Madruga, no episódio "Bilhetes Trocados", ao mandar a Chiquinha comprar carne fiado. Sempre falo a mim mesmo esta frase quando tenho dificuldade em algo.

MM - Qual o melhor dublador das séries CH, na sua opinião?
PP - Marcelo Gastaldi. Sem ele, o personagem "Chaves" não teria tanta graça. Assim como Ramón Valdéz, Maga trouxe sua personalidade ao personagem.

MM - Cite uma cena inesquecível de Chaves ou Chapolin (pode ser a cena mais engraçada ou a mais emocionante).
PP - Aquela aula que Seu Madruga dá na escola no lugar do Professor Girafales é marcante. Os professores de hoje deveriam se espelhar nesse mestre (que também é de obras)!

MM - Qual o programa que você mais gosta na televisão, fora as séries de Chespirito?
PP - Gosto muito de animês, especialmente de "Os Cavaleiros do Zodíaco".

"O SBT está amadurecendo, quem diria, sob o comando de uma jovem, Daniela Beyruti. Para mim, a emissora da "grade voadora" mudou da Anhanguera (SBT) para a Barra Funda (Record). Quem viver verá".

MM - Já havia assistido a algum episódio perdido antes do SBT exibir alguns deles regularmente? Se assistiu, qual o seu favorito?
PP - Não, a não ser pelos DVDs da Imagem Filmes e da Amazonas Filmes. Depois veio a "salvação" YouTube e pude assistir a outros episódios. Dos que voltaram, "O louco da cabana", de "Chapolin", e "A troca de chapéus", de "Chaves".

MM – O que você achou da volta de nove dos episódios perdidos de Chaves? Por que você acha que o SBT não exibe os restantes?
PP - Acredito que o SBT esteja estudando a volta de alguns episódios "perdidos" (entre aspas, porque acho que estão bem guardadinhos). Alguns desses "perdidos" são versões mais antigas de episódios já exibidos regularmente. Percebi, assistindo a alguns deles, que a dublagem é um pouco diferente da que o SBT passa. E s episódios "normais" têm uma dublagem uniforme. OK, e "Caçando Lagartixas"? A dublagem é esquisita, mas é mais comum do que a versão com a "desconhecida" Malicha. Esse é o pensamento que tenho. Talvez alguns voltem, mas acho que o SBT assistiu um a um para ver os "defeitos" (na visão deles) em cada episódio, seja um bordão diferente, seja um personagem diferente. (insisto: salve o YouTube, que me apresentou Malicha, Seu Madroga, entre outros!)

MM - De novembro de 2005 a novembro de 2008, quase 50 episódios da série "Chapolin" estrearam no Brasil, apesar de há mais de 10 anos dublados.
PP - Por que você acha que só agora a emissora exibiu esses episódios?
Gravei quase toda essa fase. Foi um marco para a trajetória CH no Brasil. Acho que voltaram só agora porque só agora a remasterização ficou pronta. A qualidade da imagem melhorou sensivelmente (como estaria a fita de "A peruca de Sansão" antes da remasterização? Um lixo!), e os episódios têm histórias inéditas e excelentes. Espantou fato de serem episódios dublados em 1992, com BGMs, Elcio Sodré dublando o Horácio Gómez Bolaños etc. Todo esse lote, exceto "Aventuras em Marte", era inédito!

MM - "Chapolin" deixou a programação do SBT, mesmo dando boa audiência à emissora. Por que você acha que a série saiu?
PP - Para não desgastar. E talvez pelo SBT não ver "Chapolin" como curinga, como é o "Chaves", que salva a audiência em qualquer horário. Creio que a "inclusão digital" por que passa o SBT (eles entraram, enfim, de vez na web!) pode ajudar na comunicação com os fãs.

MM - O que você acha do Clube do Chaves? Qual o quadro que você mais gosta?
PP - "Clube do Chaves" era um bom produto mas que foi mal aproveitado pelo SBT. Como Mário Lúcio disse numa entrevista, o SBT jamais devia ter exibido o "Chaves" do "Clube", em respeito ao Maga. Os quadros inéditos, como o "Chaveco" e o "Pancada" (este é o meu preferido), poderiam ter aparecido mais.

MM - Qual a música e clipe preferido das séries?
PP - Música: "Queria ter sido um pastor", em português e em espanhol. Clipe: "Os Astronautas", de "Chapolin".

MM – Surpreende-te o fato de Chaves permanecer no ar por exatamente 25 anos com os mesmos episódios e até hoje incomodar a Rede Globo? Qual será a receita para tanto sucesso?
PP - Fico surpreendido com todos os remanescentes da "velha" TV estarem no ar, como "Chaves", "Pica Pau", Hebe Camargo, Silvio Santos, Fernanda Montenegro. São ícones de qualidade e admiração do público, e que não devem sair do ar tão cedo. O próprio "El Chavo del 8" voltou no México e reconquistou o público! A TV, ao mesmo tempo em que respeita os ícones, teme tirá-los do ar, por pressão da audiência.

MM – O que você opina sobre o entra-e-sai de Chaves na programação? Você acha que tantos episódios apresentados diariamente contribuem para a saturação da série? Comente também sobre as constantes mudanças de programação da emissora de Silvio Santos.
PP - "Chaves" era a "salvação" do SBT. Mas o próprio SBT, na crise de 2006/2007, viu que ele, sozinho, não disfarçaria os problemas da emissora. "Chaves" saturou nessa época, tanto que, quando voltou à noite em 2007, não deu certo. Acredito que dois horários são perfeitos: a tradicional hora do almoço e o fim de tarde. Mas o SBT viu que a emenda saiu pior que o soneto e está mudando menos a programação. A emissora está amadurecendo, quem diria, sob o comando de uma jovem, Daniela Beyruti. Para mim, a emissora da "grade voadora" mudou da Anhanguera (SBT) para a Barra Funda (Record). Quem viver verá.

MM – Você assistiu aos episódios dos box's de DVD's da Amazonas Filmes? Se sim, o que você está achando dos episódios escolhidos, da dublagem e, sobretudo, do trabalho de Tatá Guarnieri, o novo dublador de Chespirito?
PP - Assisti aos dois primeiros, dos restantes vi trechos. Sobre a qualidade da dublagem, não me agradou. A escolha do Studio Gábia foi ruim, conheço o estúdio de outros trabalhos ruins e esta também. Sobre Tatá, ele é um exímio dublador, estranhei a voz imponente dele em outros trabalhos ser a voz do Chaves, mas estou me acostumando. Ele tentou imitar Maga, mas viu que não sairia bem, e melhorou ao encontrar seu próprio tom.

MM - O que você acha do desenho do Chaves e, principalmente, de sua dublagem? Qual o episódio que você mais gostou?
PP - O desenho está se encontrando, se distanciando do seriado. A primeira temporada era composta praticamente de "remakes". Os episódios seguintes têm mais efeitos, aproveitam mais o fator "animação". Os primeiros limitavam-se a animar a imaginação dos personagens, mas acho válido fazer "remakes" no começo, para que o público se habitue a esse novo modo de assistir a "Chaves". Sobre a dublagem, gostei do Tatá. A voz caricata dele caiu como uma luva ao desenho, embora ele tenha "testado" vozes em diferentes episódios. Senti que no começo ele se baseou nos DVDs, ou seja, na sua cópia mal-sucedida de Maga. Depois, ele foi ajeitando sua voz, encontrou o tom certo. Outro que merece parabéns é Sérgio Stern. Os fãs caíram em cima da "cópia de Nelson Machado". Mas a voz dele agradou aos meus ouvidos, me fez lembrar em alguns momentos o Villagrán. É o substituto para dublar o Kiko quando o Nelson pedir "altos valores" para dublar o bochechudo!

MM - Para encerrar: cite uma frase esclarecendo por que você gosta das séries de Chespirito.

"Li no livro 'Chaves de um sucesso' uma frase dita por uma criança: Alegria é uma gargalhada pendurada na gente. Procuro manter o nó deste colar amarrado constantemente, e o faço com a ajuda de Chaves, Chapolin & Cia".

Paulo Pacheco