GUSTAVO BERRIEL: UM HOMEM QUE AMA CHESPIRITO... E OS CHAVESMANÍACOS


Ei, ei, ei... Gustavo é o nosso rei!

O Turma CH, para delírio do chavesmaníaco, está de volta mais moderno, com seções bem divididas e mais atualizado. Meus parabéns ao Adilson, este brilhante webmaster e também um dos fundadores do site, pela batalha e dedicação pela volta daquele que já foi e voltará a ser o melhor site CH. O Turma CH é o único também que mantém uma equipe de colunistas (da qual orgulhosamente eu faço parte) formada por gente do quilate de Rufino Rufião, Valette Negro, Andy, Bruno Pires e Gustavo Berriel. Este último, por sinal, marca a volta do ChaPapo, a reestréia da mais tradicional seção de entrevistas do meio CH.

Gustavo Berriel já foi entrevistado no ChaPapo. Inclusive o popular Berry foi o terceiro entrevistado da seção, dando o seu parecer de chavesmaníaco para o Turma CH num distante setembro de 2002, ou seja, há três anos. Lembro que foi nesta ocasião que eu o conheci e, desde então, Berriel passou a ser um dos meus melhores parceiros do meio CH. Para ler a primeira entrevista dele para o ChaPapo, clique aqui. Você perceberá que o título da entrevista é o mesmo acima. A diferença é que, para esta nova, eu adicionei uma reticência para colocar também que Berry ama os chavesmaníacos. E como! Tanto que ganhou uma comunidade no Orkut: Gustavo Berriel é o Cara.

Diferentemente do ChaPapo longo que vocês conhecem, este será um mini-ChaPapo. As perguntas direcionadas ao nosso colunista e colaborador (ex-diretor, pois o excesso de compromissos o impediu de continuar no posto) procuram trazer ao internauta as questões mais recentes nas quais Berry está envolvido. Desde o ano passado, nosso batalhador está mais do que compromissado na organização dos Eventos CH, em que se dedica com todo o sangue (o próximo é no dia 20 de novembro, no Rio); e, recentemente, recebeu, junto com o nosso também colunista Valette Negro, a honra de ser convidado para supervisionar a dublagem de episódios inéditos no Brasil que serão comercializados em DVD. São essas experiências que Berriel, "o primeiro a participar do ChaPapo pela segunda vez", nos conta na entrevista abaixo.

Mestre Maciel - Qual o segredo do sucesso dos seriados CH para que, mesmo com tantas reprises, a audiência continuar alta?
Gustavo Berriel - O programa faz tanto sucesso porque realmente é o máximo. É um programa ao mesmo tempo simples e bom. É saudável, joga com o humor puro, sem apelar jamais. Atrai, portanto, pessoas de todas as idades, de 8 a 80 anos. É um programa para a família, não é só pras crianças. Tem coisas, aliás, que só adultos conseguem entender. Em 'Chaves' existem piadas para crianças e para adultos. Perceber isso não é fácil. Descobrir a graça em Chaves além do humor pastelão é prova de inteligência e sensibilidade. Daí eu tirei que, estatisticamente, as pessoas que gostam de Chaves são mais inteligentes, percebem mais o riso, são sensíveis o suficiente para achar graça ali. Essa inteligência não é medição de QI, vai muito além disso. É inteligência emocional. A função do programa não é ensinar o que as crianças devem aprender na escola. É complementar com mensagens do tipo "a vingança nunca é plena", "as pessoas boas devem amar seus inimigos", "não devemos julgar pelas aparências" e tantas outras mensagens humanas, portanto, raras e mais que necessárias para um programa humorístico do que ensinar a ler e a escrever. O sucesso do Chaves ultrapassa a barreira do riso pelo riso. É muito mais profundo e complexo. Mas aí já é outra questão, dá pra fazer tese, escrever livro sobre isso. O que é indiscutível é que é um fenômeno único na história da televisão mundial. Ele agrada a todos e em qualquer época, as piadas são atemporais. É um humor que segue a linha de Charlie Chaplin e o Gordo e o Magro, com a diferença de ser latino-americano, o que acabou se tornando fonte de preconceitos para pseudo-intelectuais que criticam negativamente o programa. Aí também já é outra questão, uma doença social de rejeitar tudo o que é latino e venerar só as obras americanas. Nós, fãs, cuidamos para que o humor de Chaves seja equiparado aos grandes clássicos do humor mundial. Quanto às reprises... É impossível enjoar. Se você vê um episódio aos 8 anos de idade, você ri de uma piada. Se você volta a ver aos 18, você vai rir de outros detalhes. Você sempre vai perceber algo novo. É um humor tão puro e bom que não cansa. É como o bom circo. O palhaço de qualidade jamais perde a graça. E ele faz as mesmas palhaçadas que o avô dele fazia. Você sabe que ele vai escorregar na casca de banana, mas se a cena é realmente boa, você vai rir toda vez.

MM - Como você avalia a fase atual dos seriados, através dos lançamentos do DVD, do livro e da boa audiência principalmente no horário do almoço, onde o seriado vem batendo o Globo Esporte em São Paulo?
GB - É uma nova fase, em que tem muito mais gente (no Brasil) percebendo o sucesso do programa. Elas falam: "Peraí, tem alguma coisa errada com esse programa. Mais uma década e o sucesso se manteve! Deixa eu ver esse programa direito!" e começam a entender melhor o sucesso de Chaves e Chapolin. A tendência de Chaves, pra mim, é aumentar ainda mais a audiência. Eu, que hoje tenho 22 anos, não vou parar de ver aos 102 (risos, viva a longevidade!). A criança que está nascendo hoje vai começar a ver Chaves. E por aí vai... O Chaves ainda vai surpreender cada vez mais. É um clássico, é eterno. Os lançamentos de novos produtos como livros e DVD's são importantes para provar o sucesso do programa em números. Mas o principal número não é quanto vendeu em livros ou DVD's, e sim o número dos fãs que aumenta infinitamente.

"Chaves tem um humor que segue a linha de Charlie Chaplin e o Gordo e o Magro, com a diferença de ser latino-americano, o que acabou se tornando fonte de preconceitos para pseudo-intelectuais que criticam negativamente o programa."

MM - Como é presidir o Fã-Clube Chespirito Brasil?
GB - Eu quis fundar um Fã-Clube para reunir os fãs de maneira organizada e fazer voz junto à imprensa. Não adianta um monte de gente ficar mandando e-mail pro SBT quando eles tiram o programa do ar. Só vale quando a imprensa divulga que os fãs reúnem cinco mil assinaturas, que foi o que o Fã-Clube fez, por exemplo. E não adianta saber que tanta gente ama Chaves. Essas pessoas têm que se conhecer, têm que entrar em harmonia, têm que se reunir para homenagear os programas. As reuniões dos fãs na internet começaram por volta de 1998. A partir do ano 2000 surgiram as primeiras listas de discussão e fóruns. E os sites pipocaram absurdamente. Oficialmente, o Fã-Clube CHESPIRITO-Brasil nasceu em 13 de maio de 2002, embora os seus primeiros membros já estivessem virtualmente reunidos há mais tempo. Presidir o Fã-Clube é, para mim, uma honra e uma conquista.
MM - O endereço do fã-clube: www.fcch.cjb.net

MM - Fale um pouco sobre os Eventos CH produzidos por você. Dá muito trabalho? Qual o sentimento que você tem ao ver o êxito dele, em especial do último ocorrido em São Paulo? Quando será o próximo Evento? Há previsão que ele ocorra no Rio Grande do Sul?
GB - Dá muito trabalho sim. Tanto que já pensei em desistir. Mas quando eu vejo o sucesso todo, ganho forças para continuar e fazer novos eventos. O evento de São Paulo foi surpreendente demais. Eu esperava no máximo 3 mil pessoas. Foi o dobro disso, nem estávamos preparados para receber tanta gente! O sentimento não dá pra descrever. O de São Paulo foi diferente porque contou com uma equipe muito maior também. E mais trabalhadora (risos). O próximo evento marcado será dia 20 de novembro, um domingo, no Rio de Janeiro. E sim, o evento no Rio Grande do Sul já está sendo pensado e elaborado! Acho que dá pra fazer em 2006. Porto Alegre é uma das cidades que mais comporta fãs de Chaves no Brasil!

"Já pensei em desistir de organizar os Eventos. Mas quando eu vejo o sucesso todo, ganho mais forças para continuar"

MM - Fale um pouco sobre o trabalho que você vem tendo na assistência da dublagem dos episódios para o box dos DVD's. Quando eles serão lançados? Serão quantos DVD's e quais os conteúdos deles? Eles terão exclusivamente episódios inéditos? Como está a polêmica sobre o Nelson Machado? Quem é o novo dublador do Chaves? Ele vem agradando, a ponto de podermos compará-lo com Marcelo Gastaldi?
GB - É uma aproximação inédita entre uma empresa e os fãs de Chaves. A Amazonas Filmes vai lançar DVD's do Chaves e me chamou para participar do projeto, ajudando principalmente na parte da dublagem. São episódios inéditos, dublados pelos mesmos dubladores consagrados. Eu estou "adaptando" os textos traduzidos para que fiquem o mais fiel possível ao programa que já conhecemos tanto. Fui pra São Paulo acompanhar de perto a dublagem, uma espécie de "supervisão". Pra mim, que sou apaixonado por Chaves e também por dublagem, foi mais que a realização de um sonho. Nunca vou esquecer dos dias inteiros de dublagem nos estúdios Gábia, em Vila Mariana, São Paulo, vendo meus ídolos dublando e podendo ainda "dar palpite" em tudo. A Amazonas Filmes está buscando o aval dos fãs para lançar esse produto. É uma atitude muito inteligente, porque nos agrada muito toda essa atenção e preocupação. Bem, ainda não há prazo de lançamento certo, pois a dublagem está atrasada. O Nelson Machado, dublador do Quico, pediu mais dinheiro, pois achava o valor injusto. A partir daí, outros dubladores também resolveram negociar. Então a Amazonas passou a negociar com cada um deles (individualmente). Muitos já fecharam contrato, faltam poucos. O primeiro BOX de DVD's vem com 3 discos (1 de Chaves, e de Chapolin e 1 de Chespirito). Os episódios de Chaves e Chapolin são todos de 1973, o que me faz entender que eles vão lançar mais ou menos com uma certa ordem cronológica. A maioria dos episódios é inédita, principalmente os de Chapolin. Os do Chaves são ou inéditos ou perdidos. Ou seja, é tudo RARIDADE. Serão no total 24 DVD's, sendo 6 de Chaves, 8 de Chapolin e 10 de Chespirito. O novo dublador do Chaves é o Tatá Guarnieri, que está se saindo muito bem. Não se pode comparar nunca com Marcelo Gastaldi, este é incomparável e insubstituível... Nunca haverá outro Gastaldi... Bem, por enquanto eu só acompanhei o Tatá dublando o próprio Chaves. E ele está passando a inocência do personagem, não está forçado, está ficando bom, muito melhor do que qualquer outra tentativa pro Chaves. Acho que foi uma boa escolha. Tudo o que eu pedi pra ele foi que não tentasse imitar o Gastaldi, pois ficaria forçado. Ele tem que encontrar a voz dele próprio pro Chaves e acreditar nela. O cara é bom.
MM - Vamos aguardar e conferir o trabalho do Tatá, então!

"Tatá Guarnieri, o novo dublador do Chaves, está passando a inocência do personagem! Não está forçado, está ficando bom, muito melhor do que qualquer outra tentativa pro Chaves. Acho que foi uma boa escolha."

Gustavo Berriel

gberriel@centroin.com.br