Os sambas de 1991

A GRAVAÇÃO DO CD - Os sambas-enredo de 1991 foram gravados no disco de uma maneira bem diferente dos anos anteriores. No álbum, os tamborins se sobressaem na bateria. Na primeira passada de cada samba, ele é acompanhado apenas pelo som feito por dois ou três tamborins, que entoam uma seqüência de batidas um pouco diferenciada da comum. Aí, a voz do intérprete aparece mais, com um coro praticamente inexistente o acompanhando. A partir da segunda passada, a bateria entrava com bem mais balanço, com todos os seus instrumentos, mas ainda assim com o tamborim se destacando bem mais. Ao mesmo tempo, o coral passava a abafar a voz do intérprete. Pela segunda vez consecutiva, o álbum dos sambas seria produzido também para CD, que disponibilizou as 16 faixas na íntegra. Já para o LP, depois de uma experiência desprezível em 1990, foi novamente produzido um álbum duplo depois de dois anos. Os 16 sambas vinham completos, divididos em dois discos com oito cada (quatro pra cada lado). E a ordem das faixas no disco, depois de três anos, deixou de ser conforme a ordem de entrada das escolas no desfile, voltando a ser aleatória. 1991 foi um ano de excelentes sambas. Aliás, vivíamos uma época de sambas-enredo de excelente qualidade, embora inferior aos da década de 60 e 70, mas, ainda assim, proporcionavam muitos elogios por parte dos bambas e da crítica. Afinal, sambas como os da Mocidade, da Estácio, da União da Ilha, do Salgueiro, da Portela, da Imperatriz e da na época estreante Viradouro são verdadeiros clássicos do carnaval. NOTA DA GRAVAÇÃO: 7 (Mestre Maciel).

A gravação dos sambas não foi nenhum primor, porém bem melhor que a do ano anterior (1990) e que a do ano seguinte (1992). A safra conta com excelentes sambas, uma das melhores da década de 1990. O bonequinho aplaude timidamente, mas aplaude. Destaque para as faixas Salgueiro, Viradouro, Imperatriz, Mocidade, União da Ilha e Estácio de Sá. NOTA DA GRAVAÇÃO: 7,7 (Felipe Souza).

1 - MOCIDADE - Em excelente fase no quesito samba-enredo na época, a Mocidade, a cada ano, produzia verdadeiros clássicos. Chuê... Chuá... As Águas vão Rolar! é um dos sambas mais lembrados e cantados da história da escola. Excelente samba, foi levado com muita categoria por Paulinho Mocidade (em seu segundo ano como intérprete oficial) e sua excelente equipe de auxiliares (entre eles, os jovens Wander Pires e Nego Martins). O hino da agremiação de Padre Miguel de 1991 sem dúvida foi um dos grandes responsáveis pelo bicampeonato conquistado naquele ano, pois sua melodia é envolvente e cativante. O refrão central é inesquecível. Samba que até hoje está na memória inclusive daqueles que não são tão bambas assim. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel).

Letra e melodia de altíssima qualidade. Toco em sua melhor forma. Um dos melhores hinos da escola de Padre Miguel. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

2 -  ESTÁCIO - O melhor samba da Estácio, na minha opinião. O desfile da escola foi animadaço, graças a esta obra-prima irreverente do carnaval, levado com a categoria de sempre do excepcional Rixxa. De melodia envolvente, dois refrões sensacionais e letra muito criativa, o samba-enredo da Estácio de 1991 até hoje é celebrado pelos bambas, que sentem muito a falta da escola no Grupo Especial (eu que o diga). NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Enredo criativo geralmente resulta em bom samba. Com a Estácio em 1991 não foi diferente. Rixxa dá um show na faixa. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

3 - UNIDOS DA TIJUCA - O último samba irreverente da escola, que produziu sambas-enredo desta característica também em 1986 e 1988. Um samba de qualidade, que combinou muito com a voz de Nêgo. Tem uma boa melodia, mas a Unidos da Tijuca possui sambas melhores. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Mestre Maciel).

Samba de qualidade no mínimo duvidosa. Não é nenhuma porcaria, como não é obra-prima como dizem. O refrão principal é uma palhaçada. NOTA DO SAMBA: 5,9 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

4 - CAPRICHOSOS - Um samba que, na minha opinião, é muito limitado. É salvo pela irreverência e simpatia de Carlinhos de Pilares, cujos cacos criativos ganharam até ecos cômicos no disco. Não gosto muito da principal parte do samba, quando é repetida a frase "Na cabeça o juízo afinal". O samba dá uma considerável melhorada a partir do bom refrão central. A segunda parte também é de boa qualidade. Mas este samba não tem nada de especial. NOTA DO SAMBA: 8,6 (Mestre Maciel).

Enredo esquisito dá nisso... Um samba bem equívocado que se não fosse o saudoso Carlinhos de Pilares iria para o espaço. NOTA DO SAMBA: 5,2 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

5 - SALGUEIRO - Um clássico! Um dos melhores sambas da escola e também de todos os tempos. De letra simples e melodia emocionante e sensacional, o samba-enredo de 1991 do Salgueiro, na minha opinião, é quem merecia levar o Estandarte de Ouro de melhor samba do ano (prêmio concedido à Portela). Ao mesmo tempo em que a Academia fez a Sapucaí inteira cantar este verdadeiro hino, ela também revelava a estréia de Quinho, de grande sucesso na União da Ilha, no principal microfone da escola. O intérprete, no auge da carreira, cantou o samba (que não combina tanto com o seu estilo serelepe) com maestria na Sapucaí. Aliás, eu prefiro ouvir a versão ao vivo do que a do CD. No disco, o samba poderia ser cantado de maneira mais cadenciada. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Fantástico! O melhor samba da Academia na década de 1990, disparado! A Letra não é fantástica, mas tem boas sacadas como "...Da 1° de março, falta um passo pra Ouvidor..." Melhor samba do ano. NOTA DO SAMBA: 10 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

6 - UNIÃO DA ILHA - "Hoje eu vou tomar um porre/Não me socorre/Que eu tô feliz...". Quem não conhece este samba, um dos mais famosos e animados de todos os tempos? De Bar em Bar, Didi um Poeta fez um sucesso estrondoso e, até hoje, quando programas reproduzem famosos sambas-enredos na época de carnaval, o hino da Ilha de 1991 nunca fica de fora. É um samba adorável, gostoso, que sem dúvida faz cair no samba até aqueles que não são tão bambas assim. Destaque para Aroldo Melodia, que utiliza uma cômica voz de bêbado na interpretação do samba para o disco. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Samba com a cara da tricolor insulana: despojado e irreverente, mas sem deixar de ser inteligente. Gente, o quê é Aroldo Melodia ?! Gênio! NOTA DO SAMBA: 9,5 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

7 - IMPÉRIO SERRANO - A escola, que, com um enredo sobre os caminhoneiros, fez um dos piores desfiles de sua história em 1991, trouxe para a Sapucaí um samba que agrada alguns e desagrada outros. Sinceramente, não sou muito adepto a estes samba-enredo não. Deve ter se arrastado facilmente no desfile. O intérprete Tico do Gato não comprometeu, mas também não conseguiu salvar o samba. A Império Serrano acabou rebaixada para o Grupo de Acesso, de onde só sairia dois carnavais depois. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Mestre Maciel).

Esse é um daqueles sambas em que associam-se aos desfiles - que por sinal foi uma tragédia - "É por aí que eu vou" não é uma porcaria como falam, mas em se tratando de Império Serrano dá para entender as queixas dos imperianos. NOTA DO SAMBA: 5,3 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

8 - VILA ISABEL - Demais o alusivo "Vila quero vê-la linda/Quero vê-la ainda/Muito mais feliz", cantado por Gera no começo da faixa. É um samba-enredo de muito bom gosto, cujo estilo é um pouco semelhante ao samba de 1999 da escola. Suas variações melódicas são interessantes, mas os refrões são fracos. O samba é bom, mas nem se compara com os anteriores da escola. Infelizmente, apenas três anos depois da apoteose do Kizomba, a Vila começava a mergulhar numa crise que, no ano seguinte, provocaria seu quase rebaixamento. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Mestre Maciel).

Melodia e enredo envolventes, porém refrões de qualidade ruim dão o tom ao simpático samba da Vila. NOTA DO SAMBA: 7,2 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

9 - BEIJA-FLOR - Um dos mais fracos sambas da escola. Realmente, os compositores da agremiação de Nilópolis não conseguem uma boa sintonia ao compor sambas leves. O mesmo problema ocorreria no ano seguinte. Realmente, samba-enredo de melodia pesada é uma indefectível característica da escola. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Mestre Maciel).

Samba de péssimo gosto. Mais uma "viagem" louca de Joãozinho Trinta. Não dá para ouvir isso. NOTA DO SAMBA: 2,8 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

10 - SÃO CLEMENTE - Um samba com a cara da escola e seu lema "Olha a Crítica". A letra totalmente irônica e irreverente é o ponto forte. Só acho que a melodia poderia ser um pouco mais qualificada. Sidnei Moreno cantou o samba. Realmente, o extraordinário Izaías de Paula desapareceu depois do histórico carnaval de 1990 da São Clemente. A escola, sexta colocada em 1990, caiu depois do desfile. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Mestre Maciel).

Letra fantástica e inteligentíssima engrandece esse ousado enredo da escola de Botafogo. Uma pena a escola ter caído. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

11 - PORTELA - Samba mágico da escola. Uma letra super criativa, sensacional, de primeira pessoa (é a própria escola quem exalta seus feitos na letra) e contando com uma melodia emocionante, de extrema qualidade. O samba-enredo da Águia de 1991 realmente emociona qualquer bamba que tenha a Portela no coração. Não questiono nem um pouco o Estandarte de melhor samba ganho pelo samba, embora eu ache o do Salgueiro e da Estácio um pouco melhores. Ah, e uma pena que o verso "vinte e uma vezes campeã do carnaval" do refrão principal continue bem atual... NOTA DO SAMBA: 9,5 (Mestre Maciel).

Não acho esse samba maravilhoso, inclusive questiono o Estandarte de samba-enredo dado à escola, mas a letra é supercriativa e nem um pouco modesta, também pudera, Portela é Portela. NOTA DO SAMBA: 8,2 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

12 - LINS IMPERIAL - Samba com um quê de marcha-enredo: letra diminuta, simples, e de melodia animadinha. É um samba gostosinho, muito bem conduzido pelo eternamente (e injustamente) criticado Celino Dias. Mas não livrou a escola do rebaixamento. Em compensação, o samba, ao ser reeditado em 2007, deu o título do Acesso B à Lins. Grande volta por cima! NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

Não entendo o oba-oba que fazem quando falam deste samba! Samba simplório, infinitamente inferior ao do ano passado (1990) que tinha uma letra didática e uma melodia gostosa. Esse aí não tem nada. NOTA DO SAMBA: 3,2 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

13 - IMPERATRIZ - Mais um clássico em um ano de sambas-enredo históricos. Este samba contém o eterno alusivo "O meu sonho de ser feliz/Vem de lá sou Imperatriz". Realmente, tenho um amor profundo por este que é um dos melhores sambas da história desta agremiação, riquíssima em sambas-enredo. O hino de 1991 da Imperatriz é extraordinário. Conduzido muito bem por Preto Jóia, um dos autores do samba e efetivado como intérprete oficial da escola depois de uma estréia não muito bem sucedida em 1985, sua letra possui algumas coloquialidades e sua melodia, maravilhosa, mescla partes emocionantes (como a segunda parte, de onde o alusivo faz parte) com animadas (como o envolvente refrão central, que dava show no desfile, principalmente com a paradinha da bateria na hora do "ai, ai, que maldade"). Um samba sensacional, que sem dúvida marcou a minha infância (tinha recém completado sete anos na época). NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Melodia singular e uma letra razoável casam perfeitamente neste samba adorável e adorado da escola de Ramos. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

14 - MANGUEIRA - Ao som deste samba-enredo, a verde-e-rosa realizou o pior desfile de sua história. Se classificou em 12º lugar entre 16 escolas. E a zona de rebaixamento estava situada a partir da 13ª colocada. Ou seja, a Manga escapou por muito pouco do rebaixamento. Mas eu não culpo o samba, que é muito bom, de melodia qualificada, mas sem muita originalidade nela. Destaque para Jamelão, que até grito de guerra ecoa no começo do samba (parece que o Mestre irá ter um ataque cardíaco, já que ele forçou demais o "Caaaaaaaaanta Mangueeeeeeeeeiraaa..."). Mas sensacional mesmo é o show da mula-manca no fim da faixa, acompanhado por uma marcante frase de Jamelão: "Tem que respeitar meu tamborim". Caro Mestre, e quem não o respeita? NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Samba simples, até demais. Não há fru-fru, nem oba-oba, é samba puro, mas não há nada de especial. NOTA DO SAMBA: 6,2 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

15 - VIRADOURO - Um dos clássicos da Viradouro, até hoje um samba-enredo bastante aclamado pelos bambas. Na estréia da agremiação niteroiense no desfile principal, o público ficou surpreso com a grande apresentação da emergente escola, que fez uma grande e inesquecível homenagem à Dercy Gonçalves (que desfilou com os seios de fora, e ela já tinha 83 anos na época). Sobre o samba, ele recebe muitos elogios, mas eu não vejo muita coisa nele. Longo e sem refrão central, não possui muitas variações melódicas. O samba varia apenas a partir da parte "Mas quem pensou que a luz se apagou...", mais pro final. Mas a sua letra é muito bem feita e conta perfeitamente a história desta grande artista tupiniquim que, atualmente com 97 anos de idade, anda bem "arteira", soltando palavrões para todo o lado. Hehehehe... Ah, e o eficiente Quinzinho, que já havia defendido a Viradouro na conquista do título do Acesso-90, deu o seu show de sempre. A Viradouro, a partir daquele carnaval (onde, em sua estréia, acabou numa honrosa sétima colocação, a frente de escolas como Vila Isabel e Mangueira), daria uma grande guinada que faria com que se tornasse uma das grandes escolas de samba do carnaval. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Muito melhor que Orfeu! Que letra, que melodia!! Os compositores absorveram a linda história de Dercy com extrema exatidão e sensibilidade. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba

16 - GRANDE RIO - Outra agremiação emergente, agora oriunda de Duque de Caxias. A Grande Rio tinha como intérprete ninguém menos do que Dominguinhos do Estácio, que já havia defendido a escola no ano anterior, quando o vice-campeonato no Acesso lhe deu a vaga no desfile principal. O samba-enredo é bonitinho, de melodia correta e sem originalidades. A falta de experiência fez com que a agremiação amargasse o último lugar, resultando na queda para o Acesso no ano seguinte. Mas a Grande Rio voltaria para o Especial em 1993 e dali não sairia mais. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Mestre Maciel).

A Grande Rio apresentou um samba legal, apesar do enredo delirante, mantendo-se fiel à proposta inicial. Não tem um quê de especial, mas não é, de longe, o pior do ano, que, aliás, foi a classificação (16° e último lugar) dada ao seu desfile. Também, desfilar às 18:00h do domingo é brincadeira! NOTA DO SAMBA: 6,2 (Felipe Souza). Clique aqui para ver a letra do samba