Os sambas de 1979

A GRAVAÇÃO DO DISCO - Em tempos mais recentes, nunca o Grupo Especial (ou I-A) contou com tão poucas escolas: apenas oito. Por conta disso, no disco de 1979 estão presentes as oito faixas das escolas do desfile principal, mais quatro de oito das que desfilaram no Segundo Grupo, o I-B (Unidos do Cabuçu, Império Serrano, Unidos de Lucas e Vila Isabel). As escolas restantes do Grupo de Acesso (Caprichosos, Arranco, Cascadura e Ponte) gravaram seus sambas num compacto que fazia parte do álbum. Confusão, né? Semelhante a que aconteceria anos depois, com escolas gravando seus sambas ou pela BMG ou pela Top Tape nos anos de 1986 e 1987. É que a queda de Vila Isabel e Império Serrano no ano anterior fez com que o Grupo I fosse dividido em dois (I-A e I-B), para que as duas escolas não se sentissem tão rebaixadas. O mesmo aconteceu com o Grupo II. O carnaval carioca fora dividido em quatro grupos, portanto. O número de escolas na elite voltaria a ser de dez no ano seguinte, o que resultou na ausência dos rebaixamentos em 1979. Sobre a gravação, os tamborins têm uma participação discreta. A base da bateria é feita pelo surdo e, principalmente, pelas frigideiras. Foi a única vez que elas se destacaram em todas as faixas do disco, o que proporcionou um charme a mais na gravação. Elas se ausentaram por 26 anos, até que a Beija-Flor, cujas frigideiras deram um show no desfile do bicampeonato em 2004, resolveu colocá-las na gravação de seu samba para o CD de 2005. Um momento de satisfação para mim, um inveterado admirador das frigideiras do disco de 1979. Bem que elas poderiam ter suas presenças garantidas nos álbuns posteriores de samba. A safra de sambas do ano é excelente, aliás, era uma época em que sambas ruins eram raros. São 12 faixas do disco de 1979, mas avaliarei aqui apenas os oito sambas das escolas que desfilaram no Especial (ou I-A na época). NOTA DA GRAVAÇÃO: 10 (Mestre Maciel).
O Primeiro Grupo de 79 é o mais vazio da história. Deve-se claramente ao acesso do ano anterior, já que quatro das doze escolas do Primeiro Grupo cairam. A gravação do disco de 1979 é excelente! É repleta de ecos, principalmente no segundo entoamento do refrão pelas pastoras. A bateria aparece muito bem, numa cadência infinita. Podemos identificar com precisão cada um dos instrumentos. A safra é excelente, graças a só haver escolas grandes no então Grupo 1-A. Destaque para o samba Estandarte de Ouro da Portela, o melhor do ano. O disco está repleto de outros belos sambas, como o do Salgueiro e da União da Ilha, além da fantástica marcha-enredo da Mangueira. NOTA DA GRAVAÇÃO: 10 (Gabriel Carin).
Seguindo um
estilo de produção semelhante ao de 1978, o LP de 1979 tem uma
produção bem interessante, com uma sonoridade menos datada que
a dos LPs do início do anos
3A - BEIJA-FLOR - Um samba de melodia pesada, característica semelhante aos hinos atuais da escola. O samba da Beija de 1979 só poderia ser cantado de maneira cadenciada, pois, se acelerassem mais um pouquinho o ritmo, o estrago seria geral. Gosto muito deste samba, sua gravação no disco é maravihosa, porém seu arrastamento na avenida me parece iminente, embora a agremiação de Nilópolis tenha obtido o vice-campeonato em 1979 (na época em que o luxo de Joãosinho Trinta, que sempre falou mais alto d que o samba, ainda era novidade). A letra do refrão principal nunca assimilei bem: "Hoje sou livre, sou criança Beija-Flor/amante da beleza, sou um ser espacial/ôôôôô/brindando a vitória do amor". Como o enredo era sobre loucura, o motivo por uma coisa não ter nada a ver com a outra no refrão só pode ser esse... NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).
Depois de cinco campeonatos consecutivos, Joãosinho Trinta enfim não abocanhou novamente o 1º lugar. Além de não possuir um conjunto visual dos melhores, a Beija-Flor parece que pecou muito ao tentar colocar um contingente absurdo de pessoas desfilando, uma vez que isso atrapalhou bastante a fluência da escola na avenida. De qualquer forma, o hino da agremiação para aquele carnaval era sem dúvida, excelente. O refrão de cabeça, apesar de demasiadamente confuso, possui uma melodia deliciosa e é de fácil canto. A primeira parte da obra assimila de forma sagaz bom humor com inteligência, abordando o tema até com certa clareza se for levar em conta que o enredo fala sobre loucura. O refrão central, para quem pôde assistir o desfile, é praticamente uma cópia musicalizada do que o carnavalesco apresentou na avenida em matéria de alegorias e adereços. Já a segunda parte do samba é de uma riqueza melódica e poética ímpar, contendo pérolas lindíssimas como Olhem o céu, que maravilha/Retalhos de nuvens, bordados de estrelas ou Tudo neste mundo é encantado/Com o despontar da primavera/Tirem do passado a nobreza/E do futuro, a magia da surpresa. Poesia pura, literalmente falando! O hino, como um todo, é muito bom. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Gabriel Carin).
Apesar da soberba interpretação de Neguinho, este samba, um dos mais pesados da história da escola, embalou a primeira derrota de Joãozinho Trinta. O carnavalesco, que tinha vencido os desfiles dos cinco anos anteriores, segundo os comentaristas da época, errou a mão e fez um desfile marcado pelo mau gosto. Apesar disso, talvez pela força da escola nos anos anteriores, os jurados pegaram leve e deram o vice à escola. O samba, apesar de não ser genial, tem uma letra simples, que passa com clareza o enredo da escola. A letra, entretanto, não casa bem com o peso da melodia. Talvez, por este motivo, a escola, a partir do ano seguinte, comece a apostar num estilo de samba um pouco diferente, buscando maior apelo popular, sem conseguir bons resultados nesse aspecto. A primeira parte segue esquisita, com melodia de um lado, letra do outro, Mas quando consegue ser mais poética, principalmente no início da segunda parte, o samba consegue funcionar. Enfim, uma boa obra, mas que não tem grandes marcas tanto na história do carnaval como da própria escola. NOTA DO SAMBA: 8,8 (João Marcos). Clique aqui para ver a letra do samba
4A - MOCIDADE - A letra do samba é interessante, pois a primeira parte faz uma aclamação para que o povo desfrute do carnaval da agremiação de Padre Miguel e a segunda conta como Cabral chegou em terras brasileiras, além de dois belos refrões, sendo que o central é o mais patriota da história do carnaval ("De peito aberto que eu falo ao mundo inteiro: eu tenho orgulho de ser brasileiro"). O samba-enredo é de formato antigo, principalmente pela letra curta. A melodia possui um estilo clássico, característica marcante dos sambas mais antigos da escola. O belo samba sem dúvida ajudou a Mocidade a conquistar o seu primeiro título no desfile principal. Antes, a agremiação possuía apenas o campeonato conquistado no Grupo 2 em 1958 com o enredo do "coroné" Trigueiro. Desde então a Mocidade, que antes apenas amargava posições intermediárias, passava a ser uma escola de ponta do carnaval carioca. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).
Os compositores do hino independente que consagrou o primeiro campeonato da Mocidade no carnaval carioca e que acabou com o sonho do hexa de Joãosinho 30 são os mesmos autores do clássico "Mãe Menininha do Gantois": Tôco e Djalma Crill. "O Descobrimento do Brasil", enredo fruto de um vultoso momento de inspiração de Arlindo Rodrigues, gerou um sambinha simples, de estrutura antiga, porém ainda delicioso. A melodia é de uma leveza singular, repleta de boas variações. A primeira parte da obra é excepcional, pois tem como objetivo apenas apresentar o carnaval da Mocidade e convidar os sambistas para acompanhar seu desfile, sem compromisso de descrever o enredo da escola. O tema somente começa a ser narrado na segunda parte, onde é contado de forma simples e correta, embora não cause impactos. Ambos os refrões são ótimos, com destaque ao central. Bela trilha sonora entoada no primeiro título da agremiação. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Gabriel Carin).
5A - IMPERATRIZ - Samba animado, sem dúvida com a cara e o estilo de Dominguinhos do Estácio, que fazia a sua estréia na Imperatriz Leopoldinense logo após uma passagem pela Santa Cruz no ano anterior. O refrão "Bata palma mãe pequena..." é delicioso e o restante da melodia é tradicional, bem clássica, mas com o toque de animação de Dominguinhos, que começava a se tornar um dos melhores intérpretes de todos os tempos. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).
Outro clássico da escola, que voltou ao Grupo 1-A em 1978. Foi maravilhosamente bem interpretado por Dominguinhos no vinil em seu primeiro ano na Rainha de Ramos. Tem dois refrões surpreendentes e conta muitíssimo bem o enredo. Destaque para o trecho "O rei ficou ciente/De tudo que aconteceu/Porque foi que os rios secaram/E o céu escureceu". Fantástico! Belo samba da escola! NOTA DO SAMBA: 9,5 (Gabriel Carin).
Um samba empolgante, com a assinatura de três mestres - Dominguinhos, Guga e Darci, sendo que a interpretação do primeiro no LP é absurda. Os tambores dão um sabor especial ao samba, que tem dois refrões geniais, dos melhores já feitos a simplicidade do de cabeça, com a repetição de Arrobobo, Oxumarê!, tem efeito maravilhoso e é uma verdadeira aula para os compositores de sambas afro de boutiques, como vimos aos montes em 2007. No segundo, quando o samba convoca o povo a bater palmas, dá um tiro de misericórdia o samba já te conquistou. A segunda parte, onde o enredo é contado, é mais confusa, mas não estraga o samba serve como um alívio para um início arrebatador. Enfim, um grande samba, que marcou a volta da escola ao grupo principal. No ano seguinte, a Imperatriz seria campeã, com um samba que repete muitas das características deste aqui.
NOTA DO SAMBA: 9,6 (João Marcos). Clique aqui para ver a letra do samba6A - SÃO CARLOS - A melodia desse samba é emocionante e bastante tradicional, com um refrão muito bonito! O estilo de letra é bem compatível com os sambas de outrora, pois ela evidencia uma narrativa do enredo sem enfeites ou clichês, de forma até didática. No disco, quem canta o samba é Leleco, um dos autores do samba. Suas deficiências vocais são evidentes na gravação e, pra avenida, a escola precisou recorrer a Elza Soares. Para mim, um samba de enredo maravilhoso! NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).
Após um ano no Acesso, a São Carlos voltou ao
Grupo 1-A apelando para um de seus sambas mais dolentes.
Das trevas a luz do Sol, uma odisséia karajá é um
hino de melodia rica, envolvente, capaz de cativar o ouvinte
através de suas variações emocionantes. A letra, que por
sinal, descreve o tema com muita competência, utiliza variadas
palavras um tanto rebuscadas, porém devidamente coerentes ao
enredo da escola, tais como Javaés,
Xambioás, Kaboi, Avoengo,
Kanaxivue e Mareicó. Isso dificulta o
canto dos componentes, embora ainda demonstrem certa
inteligência por parte dos compositores no uso apropriado de
cada um desses termos. O refrão de cabeça, inclusive o único
do samba, a primeira vista possui uns apelativos Olê
olê, olê olá. Entretanto, sua ausência deixaria um
vão melódico que, na verdade, tiraria todo o seu impacto.
Excelente faixa do vinil! NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin).
Cantado na avenida por Elza Soares, o samba da escola tem um refrão de cabeça bem simples, com um olê, olá, apelativo, mas que funciona razoavelmente bem. O resto do samba tem uma letra descritiva, com uma melodia com variações suaves, que não causam grandes impressões. Dá a impressão que o samba foi todo feito para estourar no refrão que, apesar de fácil, não chega a causar um êxtase, como ocorre, p.ex., num Aquarela Brasileira. É um samba discreto, que não conseguiu salvar a escola da última colocação no grupo. Felizmente, não houve descenso em 1979 diante do reduzido número de escolas no Grupo 1-A. NOTA DO SAMBA: 7,4 (João Marcos).
Clique aqui para ver a letra do samba2B - PORTELA - Uma das maiores obras-primas da história do carnaval! Sua melodia é de arrancar lágrimas, pois trata-se de um samba de David Corrêa sem a sua animação característica. A letra então é um primor. Os dois refrões são extraordinários. Enfim, chegam a faltar adjetivos! É inconcebível que o hino portelense de 1979 esteja ausente das coletâneas dos melhores sambas da escola. Sua ausência na coletânea da Sony é lamentável! Disparado o melhor do ano, este samba-enredo, Estandarte de Ouro em 1979, é, enfim, incrível, fantástico e extraordinário! NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).
Um clássico do carnaval carioca, o samba mais
lírico do gênio David Corrêa! Tem uma melodia fantástica e
uma letra muito bem feita! O refrão "Ôôôôôôôôôô/Alegria
já contagiou/A ordem do rei é brincar/Quatro dias sem parar"
é um dos melhores de todos os tempos. Fala muito bem da folia
carioca e da alegria do povo do Rio de Janeiro. "Incrível,
fantástico, extraordinário" é sempre lembrado e
relembrado pelos bambas, o que torna sua ausência na Coletânea
Sony um grande absurdo. Realmente, um dos melhores sambas-enredo
da Portela! Uma verdadeira auto-homenagem ao carnaval brasileiro!
A escola, que venceu o Estandarte de Ouro, ficou num mísero
terceiro lugar. Foi o primeiro desfile emocionante da Portela
depois que Natal faleceu. A escola de Oswaldo Cruz voltou a
brigar pelo título, mesmo sem o lendário Hiran Araújo como
carnavalesco, demitido em 1977 depois de não conseguir agradar
os sambistas com seus desfiles. Em
Uma obra-prima, um samba exuberante,
daqueles de fazer qualquer apaixonado por samba-enredo parar para
prestar atenção e começar a cantar junto. Uma interpretação
majestosa de David Correa no LP. Enfim, este é O MOMENTO do LP.
Tem de tudo a letra é simples e passa o enredo com
brilhantismo, refrões arrasa-quarteirão, a melodia e a letra
combinando num clima de lirismo e romantismo, de leveza e poesia.
Um dos mais belos e bem feitos sambas da história, talvez não
tão citado em pesquisas de melhores sambas por ter a escola
ficado apenas na terceira colocação - tão questionada pelos
portelenses e sambistas em geral que, em
3B - MANGUEIRA - Uma das primeiras marchas-enredo a que se tem notícia e um dos últimos sambas de enredo que utiliza um mesmo refrão como o principal e também como o central. Ele, aliás, é a identidade do hino mangueirense de 1979, pois seu canto é fácil e seu balanço é contagiante: "Tem mulata, pessoal/Na colheita do cacau". As demais partes possuem uma melodia qualificada, sendo bem variada. Este samba aparece em seguidas coletâneas de samba-enredo, além de ter sido regravado por Jamelão duas vezes: a primeira num disco entitulado "Os Melhores Sambas-Enredo de Todos os Tempos"; que data do início da década de 80; e a segunda em 2002, compondo um pot-pourri com o samba deste mesmo ano, que rendeu à Mangueira o seu último título. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).
"Tem mulata pessoal/Na colheita do cacau!". Um clássico da verde-rosa! Mesmo sendo muito simples, seu refrão é muito show mesmo. Uma belíssima marcha-enredo, com uma letra interessante (apesar de muito simples) e melodia contagiante. Tem alguns momentos que poderiam até ser classificados como trash, como "Amazônia foi a região onde surgiu/Incentivando a indústria cacaueira/Como fonte de riqueza do Brasil". A escola, que levantou um vice no ano anterior, teve problemas com carros muito grandiosos, atrapalhando sua evolução. A Velha Manga ficou em quarto lugar. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Gabriel Carin).
Um dos mais fracos sambas mangueirenses da história. O refrão Tem mulata, pessoal / Na colheita do cacau é feio, trash, e o pior, é repetido DUAS VEZES! Já imaginou no meio da plantação, um monte de mulata sambando? Que beleza, hein? Ainda bem que não eram roseiras... A letra é simplória, sem qualquer poesia, e é muito mal resolvida - Na Amazônia, foi a região onde surgiu Surgiu o que? Resposta: Incentivando a industria cacaueira como fonte de riqueza do Brasil. Aliás, a belíssima palavra cacaueira aparece duas vezes na letra, já que os compositores simplesmente não conseguiram encontrar uma alternativa para passar a idéia, sintoma da pobreza da letra. A melodia é monótona e o refrão tenta, sem sucesso, tornar o samba animadinho. O samba é um desastre e nem a versão de estúdio feita por Jamelão, encontrável no LP Sambas Enredos de Todos os Tempos esconde as suas limitações. Na história da escola, só é superior ao pavoroso e inacreditável samba do ano seguinte.
NOTA DO SAMBA: 5,8 (João Marcos). Clique aqui para ver a letra do samba4B - SALGUEIRO - Um primor de samba-enredo! Um legítimo hino em prol da preservação da natureza! Cantado num tom baixo e melancólico (o que cai como uma luva para Rico Medeiros), a letra, embora curta, diz tudo num tom direto e conclamador. O refrão principal é muito bonito e a segunda parte do samba é primorosa em melodia. E pensar que o mesmo Salgueiro que hoje só apresenta marchas-enredo oba-oba já apresentou um samba triste como este... Aliás, não é exagero considerarmos este um dos mais tristes sambas de enredo (triste em termos de estética melódica e não em qualidade, obviamente) de todos os tempos. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).
E a Natureza/Com seu cenário
multicor/Refloresce novamente/Com todo seu esplendor!.
Chega ser inusitado o fato de Bala, um dos compositores do
tristonho samba salgueirense de 1979, também ser o mesmo autor
dos empolgantes Bahia de todos os deuses,
Traços e Troças e Peguei um Ita no
norte. Quanto à obra, é dona de uma das letras mais
poéticas da história do carnaval e de uma melodia riquíssima,
adornada o tempo inteiro de comoção e lirismo. Enquanto a
primeira parte da obra retrata todo o reino da Mãe Natureza com
uma poesia exuberante, típica dos sambas-enredo de outrora, a
segunda passa uma mensagem clara de alerta ambiental. O refrão
central, além de belíssimo, complementa a melodia da primeira
parte. Já o de cabeça, tem como objetivo causar um impacto
imenso no ouvinte, algo que conseguiu com muita felicidade, tanto
que é para mim, a melhor parte do samba. Fascinante! NOTA DO
SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).
Rico Medeiros costuma colocar muito peso
em suas interpretações. Neste samba, onde a melodia tem um
sentimento de tristeza e melancolia, e a letra é extremamente
pessimista, Rico torna a faixa um dos momentos mais depressivos
de todos os LPs de Sambas Enredo, ao lado de Unidos da Tijuca
1982 e Unidos do Jacarezinho
5B - UNIÃO DA ILHA - Mais um clássico da União da Ilha, que vivia uma fase áurea em matéria de sambas de enredo na época, de letras curtas aliadas a melodias simples e cativantes. Com o timbre marcante do lendário Aroldo Melodia, a escola canta um samba bem lírico, de belíssima melodia. Considerado um dos mais famosos sambas da União da Ilha, sua ausência na coletânea da escola feita pela Sony em 1993 é muito estranha. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).
Legal! Um enredo sobre enredos! É uma singela homenagem da Ilha aos grandes enredos que já passaram na avenida. Veja só: "Vou perguntar à menininha do Gantois (Mocidade 1976)/Pode ser um grande Herói (Portela 1975)/Índios, africanos ou magia (Imperatriz 1971)/Ou será um tema da velha Bahia? (Vila Isabel 1969)/Já ouvi dizer que é Debret (Salgueiro 1959)/Ou antigos carnavais (Salgueiro 1965)". Gostaria muito de ter visto esse desfile! Deve ter sido um máximo! Quanto ao samba, é genial, de melodia lírica e a letra, como vimos, é inteligentíssima! Bom momento da escola no primeiro grupo, com um samba fantástico desses, sempre lembrado pelos bambas. O refrão principal é extraordinário! NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).
Um dos grandes momentos da escola, O Que Será? é um samba enredo à frente de seu tempo, com sua letra construída de forma fiel ao enredo, mas sem a frescurada professoral das atuais ao falar da expectativa do sambista pelo desfile de sua escola, a letra emula sambistas conversando no período pré-carnaval. Já ouvi dizer que é Debret ou antigos carnavais é o sambista fazendo as cogitações sobre os possíveis enredos das escolas... parece que as coisas não mudaram muito... Aliás, estas sacadas de Didi, que transpunham para os sambas o bom humor e a forma de pensar do sambista, que fazem os sambas da Ilha do período serem tão bons. Nos anos 80, muitos compositores tentaram usar fórmula semelhante, com diferentes graus de sucesso. O que Será? pode não ter a qualidade transcendental de um Domingo ou É Hoje, talvez falte um refrão mais forte, mas é um samba que está anos-luz de 99% das bobagens que as escolas de samba escolhem hoje em dia. NOTA DO SAMBA: 9,8 (João Marcos).
Clique aqui para ver a letra do samba